SOLIDARIEDADE

Cidadãos nota 10: Enderson Araújo

Enderson Araújo: criador do projeto Mídia Periférica (Foto: Ligia Skowronski)

Enderson Araújo: criador do projeto Mídia Periférica (Foto: Ligia Skowronski)

09.dez.2014 18:10:34 | por Luis Fernando Lisboa
Profissão: estudante
Atitude transformadora: criou o projeto Mídia Periférica, que divulga a vida e a cultura em bairros carentes de Salvador
 
Aos 23 anos, Enderson Araújo rascunha uma corajosa empreitada: escrever um livro sobre sua vida. A despeito da pouca idade, o jovem soteropolitano tem muita história para contar. Em 2010, ele participou de uma oficina sobre o direito à comunicação, promovida pelo Fundo de Populações das Nações Unidas. “Na aula, pude perceber como a mídia marginaliza a periferia, enfocando com mais frequência seus pontos negativos”, lembra-se. Na época com 19 anos, ele decidiu mostrar o outro lado da moeda, a começar por seu bairro, Sussuarana, região com 110 000 habitantes, conhecida pelos altos índices de violência. Para provar que seu “quintal” também produzia bons frutos, o estudante fundou o grupo Mídia Periférica, hoje formado por mais três integrantes. A primeira plataforma criada pela equipe foi um blog para divulgar a cultura do bairro e discutir questões sociais importantes. Depois veio o jornal impresso, que não tem periodicidade estabelecida porque depende de financiamento. Quando consegue dinheiro para pagar a impressão de cerca de 5 000 exemplares, Enderson vai às ruas de Sussuarana para distribuir o tabloide de porta em porta. Um trabalho de formiguinha que ganhou fôlego graças às redes sociais. Em 2012, uma ação organizada na página do grupo no Facebook fez o projeto ecoar. “Convocamos os jovens da periferia de Salvador a enviar fotos de seus bairros”, explica. A intenção era revelar a beleza oculta nessas regiões da cidade. Os retratos conquistaram destaque internacional, com inserções em periódicos na Holanda e na Índia. Além do blog e do jornal, Enderson comanda o semanal Radiação Favela, na rádio comunitária Nordeste de Amaralina, e um canal no YouTube que aborda a cultura negra. No livro sobre sua trajetória, ele pretende começar contando sobre quando foi abandonado pelo pai e, no último capítulo, falar do nascimento de seu filho, Joaquim. “Um novo ciclo sempre se inicia”, diz.