SOLIDARIEDADE

Cidadãos nota 10: Bruno Rocha

Bruno Rocha: o instrutor de mergulho já retirou 14 toneladas de lixo do fundo do mar da Barra (Foto: Ligia Skowronski)

Bruno Rocha: o instrutor de mergulho já retirou 14 toneladas de lixo do fundo do mar da Barra (Foto: Ligia Skowronski)

09.dez.2014 18:06:40 | por Lívia Cabral

Profissão: instrutor de mergulho

Atitude transformadora: ao longo de duas décadas, já retirou 14 toneladas de lixo do fundo do mar da Barra

 

Estima-se que existam na Baía-de-Todosos- Santos mais de 150 embarcações naufragadas, datadas desde o século XVII. Ao longo do tempo, as carcaças se tornaram habitat para a fauna e a flora marinhas e, hoje, são verdadeiros santuários para os destemidos que mergulham por ali. O panorama debaixo d’água só não é mais bonito porque todo esse tesouro está submerso em meio a muito lixo, o que prejudica, principalmente, o ecossistema da região. “Além de a maré carregar os descartes deixados na areia da orla pelos banhistas, muita gente joga detritos diretamente no mar”, lamenta o instrutor de mergulho Bruno Rocha, de 37 anos. Inconformado com a poluição, ele decidiu limpar a água das praias da Barra, seu principal local de trabalho e ponto de partida para as expedições que coordena à frente de sua escola de mergulho. A primeira faxina se deu em 1994, quando Rocha mobilizou alguns colegas para a missão submarina. Eles retiraram sacolas plásticas, latinhas, garrafas, pneus e até eletrodomésticos. Mais tarde, o projeto se consolidou e, em 2010, passou a se chamar Fundo Limpo. Nele, Rocha conduz uma equipe de cerca de oitenta mergulhadores voluntários, em quatro ações pontuais durante o ano. O instrutor calcula que, em duas décadas de trabalho, foram recolhidas em torno de 14 toneladas de lixo — os volumes maiores são coletados no fim do Carnaval. Em terra, outro grupo de pessoas ajuda a fazer a triagem do material. A parte reciclável vai para uma cooperativa e a orgânica fica a cargo da prefeitura. “Dentro d’água temos uma limitação de visão e de tempo. Com equipes maiores, a limpeza poderia ser mais ampla”, explica. Atualmente, Rocha espera um patrocínio para expandir o projeto a outras praias de Salvador e se orgulha ao notar a conscientização dos frequentadores da orla que recolhem o próprio lixo. “Estamos no caminho certo. Mesmo que demore, não vamos desistir de deixar limpo o mar da nossa cidade.”