Personalidade gastronômica

Beto Pimentel (Paraíso Tropical)

Azeite de dendê processado e leite de coco engarrafado passam longe de sua moqueca

O chef, símbolo da cozinha regional: ingredientes cultivados no próprio pomar

O chef, símbolo da cozinha regional: ingredientes cultivados no próprio pomar

14.mai.2014 17:42:36 | por Fábio Galib
Ele cria sabores tão surpreendentes quanto seu jeito de ser. Viúvo quatro vezes, 23 filhos e um número de netos que já desistiu de contar, Beto Pimentel é agrônomo, mas ganhou projeção na gastronomia ao reinventar clássicos da culinária baiana. No início, chegou a enfrentar a resistência dos mais tradicionalistas, mas seus pratos leves e coloridos logo o transformaram em um símbolo da cozinha regional. Azeite de dendê processado e leite de coco engarrafado, por exemplo, passam longe da sua moqueca. Em vez deles, o chef usa o fruto do dendê e a polpa do coco verde batida na própria água. Também entram em suas receitas ingredientes como ingá, biri-biri, maturi, licuri e outras frutas cultivadas num pomar de 60 000 metros quadrados, nos fundos do restaurante. Nele se esparramam mais de 6 000 espécies, algumas delas desconhecidas do grande público. Aos 70 anos, Pimentel demonstra fôlego de menino para subir em árvores e circular pelo salão, não raro às gargalhadas, para entreter os clientes com histórias e ensinamentos sobre a química dos alimentos. "Aqui tem meu pomar”, diz ele sobre o restaurante do Cabula, bairro que adotou para si há trinta anos, quando as ruas eram de barro.. “Quando não estou na cozinha, preciso estar na terra.”