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10 motivos para curtir a Costa dos Coqueiros

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A Capela de São Francisco de Assis: entre os cartões-postais da Praia do Forte

A Capela de São Francisco de Assis: entre os cartões-postais da Praia do Forte

08.dez.2014 19:33:07 | por Mariana Ramos e João Barreto

Nos 200 quilômetros de asfalto que serpenteiam a costa norte da Bahia e ligam Salvador à divisa com Sergipe, cada curva guarda um cenário deslumbrante. Não à toa, esse trecho, chamado de Costa dos Coqueiros, que compreende a Linha Verde, recebe mais de 1,1 milhão de visitantes por ano. Para além dos opulentos resorts, a rota turística reserva espaço para albergues e restaurantes simples, mas comandados por cozinheiras de mão-cheia. Ainda dá para se deleitar em dunas, lagos, rios, praias com larga faixa de areia e boas ondas para surfar.  

 

1. Praia do Forte: o destino mais famoso da região costuma ficar um tanto concorrido nos fins de semana de verão e feriados. São 12 quilômetros de praias protegidas por recifes, de mar calmo, água morna e cristalina. Entre julho e outubro, as baleias jubarte encontram ali o clima ideal para acasalar e podem ser vistas em passeios de barco na região. A charmosa vila de pescadores tem opções boas e baratas para comer e beber. Uma delas é a Creperia do Totonho (Alameda da Lua, s/nº, 3676-1327). Ali, a versão do crepe recheado de estrogonofe de filé-mignon custa R$ 19,90. Depois do lanche, vale explorar o lugar a pé ou a bordo de uma bicicleta (Forte Bike, 3676-0309; R$ 10,00 a hora). O passeio deve contemplar a Capela de São Francisco de Assis, localizada em frente à Praia do Porto, onde estão ancorados vários barcos de pesca. Para um providencial descanso, o Albergue Praia do Forte Hostel tem quarto coletivo com ventilador e café da manhã por módicos R$ 56,00 (Rua Aurora, 3, 3676-1094). • Rodovia BA-099, quilômetro 56, Mata de São João.

 

Ruínas do castelo erguido em 1551: uma das mais antigas construções portuguesas das Américas

 

2. Castelo Garcia D'Ávila: nem só de mar vive o litoral baiano. Com história para contar, as ruínas do Castelo Garcia D’Ávila representam uma das mais antigas construções portuguesas das Américas. Erguido em 1551, com características medievais, descortina uma bela vista do litoral. Além do castelo, o parque no qual ele se situa contempla um sítio arqueológico e a Capela de Todos os Santos, antes chamada de São Pedro dos Rates. Pagam-se R$ 10,00 pelo acesso, que fica logo após a entrada da Praia do Forte, seguindo por mais 2,5 quilômetros de estrada. Pode-se fazer o trajeto em veículos chamados tuk-tuk (R$ 70,00, para até quatro pessoas). • Acesso pela estrada para a Linha Verde, 5 quilômetros (2 quilômetros de terra). 3676-1133. 9h/17h. Ingresso: R$ 10,00.

 

3. Reserva da Sapiranga: esparramada por 600 hectares de Mata Atlântica, a reserva ecológica conta com sete trilhas, com cerca de uma hora de duração cada uma. Elas levam a atrativos naturais como a nascente do Rio Sapiranga e o Rio Pojuca, com suas corredeiras que se formam entre setembro e abril. O centro de visitantes tem centenas de animais taxidermizados, viveiro de plantas locais e exposição de serpentes. Alimentação, hospedagem e serviço de guia são compatíveis com a simplicidade do lugar. • Acesso pela Rodovia BA-099, altura do quilômetro 51, 3676-1133. 8h/17h. Ingresso: R$ 10,00.

 

4. Imbassaí: uma estreita faixa de areia delimitada pelo mar de um lado e pelo rio do outro. Para chegar até lá, o visitante precisa atravessar uma ponte ou pegar carona com os jangadeiros. Imbassaí é assim: lugar de praia tranquila que se apresenta como alternativa à vizinha Praia do Forte. Doze barracas com cardápio típico de pescados, bem como baianas de acarajé e ambulantes, estão ali para servir. Quem não quer apenas lagartear sob o sol pode escolher atividades como caiaque (R$ 12,00), pedalinho (R$ 25,00, para até dois adultos e uma criança) ou stand up paddle (R$ 20,00), todos pelo período de meia hora (9606-9702). Além da praia, a vila que serve de centro comercial abriga restaurantes, lanchonetes e lojinhas. • Rodovia BA-099, quilômetro 65, Mata de São João.

 

5. Sombra da Mangueira: um dos restaurantes mais famosos da rota, o Sombra da Mangueira é como o próprio nome sugere: tem mesas de madeira rústica instaladas sob a frondosa árvore. No lugar, onde galinhas ciscam soltas, é possível sentir a brisa enquanto se compartilha uma moqueca gastando, em média, R$ 50,00 por pessoa. • Rua do Diogo, s/nº, segunda entrada logo após Imbassaí, 9133-4860 e 9943-2745. 10h/16h (sáb., dom. e feriados a partir das 9h).

 

As dunas de Massarandupió: refúgio para os naturistas
 

6. Massarandupió: dá para pegar um bronzeado completo e economizar no biquíni nesta que é uma das oito praias de naturismo do Brasil. Protegida por dunas, cujo acesso demanda vinte minutos de caminhada, a área tem pousadas exclusivas para nudistas — que, no entanto, precisam estar vestidos para circular no vilarejo. Na rua principal, a Francisco Xavier Gonçalves, a associação das artesãs expõe e vende peças feitas com palha de piaçava. Para comer, o restaurante Espaço Verde (Rua Francisco Xavier Gonçalves, s/nº, 3402-4034) serve moquecas, que custam, em média, R$ 40,00, para duas pessoas. • Rodovia BA-093, quilômetro 88, Entre Rios.

 

7. Projeto Tamar: é na Praia do Forte que fica a sede nacional do Projeto Tamar, responsável por proteger e estudar as tartarugas marinhas. A visita guiada custa R$ 18,00 e dura cerca de 1h30, período no qual também dá para ver de perto peixes, tubarões e arraias. Uma instalação batizada de Submarino Amarelo reproduz as profundezas do oceano e apresenta as espécies exóticas que vivem nesse ambiente, a exemplo das curiosas baratinhas-d’água. Entre setembro e março, época de pico da desova das tartarugas, os turistas podem, com sorte, acompanhar o nascimento dos filhotes, quando esses saem do ninho e rumam para o mar. • Avenida Farol Garcia D’Ávila, s/nº, 3676-0321. Ingresso: R$ 18,00. projetotamar.org.br.

 

8. Vila do Diogo: pouco citado nos roteiros turísticos, o povoado de jeito simples vive da pesca e do artesanato com palha. Deve-se passar pela vila, atravessar o rio pela ponte e seguir pelas dunas para chegar à Praia de Santo Antônio, esforço que leva uns vinte minutos e vale a pena. Longe do burburinho de outras praias da região, é ideal para curtir a paz e o silêncio. Barracas servem o essencial: água, cerveja, água de coco e peixe frito. Para ir a cavalo, a Pousada Roana (9159-7809) aluga o animal por R$ 50,00 a hora. • Rodovia BA-099, quilômetro 68, Mata de São João.

 

As cabanas de Arembepe: reduto hippie nos anos 60 e 70

 

9. Arembepe: antigo reduto da comunidade hippie, a praia guarda seu charme de antigamente, quando recebia figuras como Mick Jagger e Janis Joplin e tinha entre seus habitués, nos anos 60 e 70, Caetano Veloso e Gilberto Gil. Cerca de quarenta cabanas remanescentes daqueles tempos são habitadas até hoje por gente que vive de artesanato. Não custa nada dar um pulo nas praias do Piruí e do Porto, onde os barcos de pescadores repousam na maré baixa: o acesso a pé é rapidinho, passando pelo centro da vila. • Rodovia BA-099, quilômetro 23, Camaçari.

 

10. Trilhas para OFF-ROAD: o Clube de Jipeiros da Bahia (freeroad4x4.com.br) recomenda duas trilhas para quem quer se aventurar pela Linha Verde. A região de Sítio do Conde, a 202 quilômetros de Salvador, tornou-se ponto de partida para doses de adrenalina, lindas paisagens, praias desertas e banho de rio. Para a Barra de Itariri são 13 quilômetros de estrada, que podem ser percorridos em carro de passeio. Já para a Barra de Siribinha, a 18 quilômetros, somente veículos 4x4 conseguem concluir o trajeto. Outra dica é a trilha do Cajueirinho, por 36 quilômetros também saindo do Conde.

 

Extremo oeste da Praia de Ponta de Areia: águas rasas e calmas

 

Ilha de Itaparica

A beleza também está ao sul

 

No sentido oposto à Costa dos Coqueiros, Itaparica igualmente reúne atrações econômicas. Terra de João Ubaldo Ribeiro, morto em julho de 2014, ela foi palco de batalhas pela independência do Brasil entre 1821 e 1823, algumas das quais celebradas pelo escritor em Viva o Povo Brasileiro. Para acessar a ilha, o jeito mais rápido é o ferry-boat, que sai do Terminal de São Joaquim rumo ao Terminal de Bom Despacho, num percurso de cinquenta minutos (passageiros, a partir de R$ 3,95; carros, a partir de R$ 33,30). O trajeto por terra, pela Ponte João das Botas na BA-001, dura cerca de três horas. 1 A Praia de Ponta de Areia, de águas rasas e calmas, é o local ideal para uma manhã de sol. Seus 3,5 quilômetros de extensão são pontilhados de barracas, com opções de petiscos e bebidas.

 

A 7 quilômetros do Terminal de Bom Despacho pela BA-533. 2 Acredita-se que a água que jorra da Fonte da Bica possua propriedades medicinais. Construída em 1842, tem na decoração azulejos portugueses e ficou famosa pela inscrição “água fina que faz velha virar menina”. A 10 quilômetros do Terminal de Bom Despacho pela BA-533. 3 O Forte de São Lourenço foi erguido pelos holandeses entre 1600 e 1647. Situado no extremo norte da ilha, o lugar é conhecido como Ponta da Baleia e guarda o único porto natural da ilha. A 11 quilômetros do Terminal de Bom Despacho pela BA-533. 4 Terceira igreja mais antiga do país, a Matriz de Vera Cruz foi construída por jesuítas em 1560 e hoje está em ruínas, sendo sustentada por uma gameleira. A 17 quilômetros do Terminal de Bom Despacho, via BA-001 e BA-868. 5 Entre o mar e a foz do Rio Jacuípe, no sudeste da ilha, a Praia de Cacha Pregos é procurada, sobretudo, nos fins de tarde, por quem deseja assistir ao pôr do sol. A 31 quilômetros do Terminal de Bom Despacho pela BA-001.