Carnaval

Quatro blocos que fazem história

Mesmo com a volumosa e intimidadora presença dos trios de axé, os blocos Filhos de Gandhy, Ilê Aiyê, Olodum e Cortejo Afro não arredam pé do Carnaval de Salvador. A seguir, um breve histórico e a agenda de cada um para esta temporada

Cortejo Afro: criada em 1998, a banda mescla ritmos africanos ao pop (Foto: Edgar de Souza/Divulgação)

Cortejo Afro: criada em 1998, a banda mescla ritmos africanos ao pop (Foto: Edgar de Souza/Divulgação)

02.fev.2015 18:30:03 | por Marcela Besson

Filhos de Ghandy
Fundado em 1949 exclusivamente por homens ligados ao candomblé e ao Sindicato dos Estivadores, o Filhos de Gandhy encontrou na figura do líder indiano, assassinado no ano anterior, uma maneira de demostrar seu apoio às lutas libertárias. Para driblar a repressão, trocou o "i" de Gandhi pelo "y" e firmou seu discurso pacifista. O grupo preserva até hoje uma identidade na misturada folia carnavalesca: os integrantes, todos homens vestindo turbantes e colares para Oxalá e Ogum, fazem lembrar um grande tapete branco.
- Circuito Osmar (Campo Grande): terça (17), 16h

 

+ Carnaval 2015: um guia para curtir a festa em Salvador

Ilê Aiyê

Nasceu em 1974 como o primeiro bloco afro criado na Bahia. Conhecido como “o mais belo dos belos” ou “a pérola negra do Curuzu”, o Ilê Aiyê buscou inspiração nos movimentos negros americanos. Com suas belas mulheres de cabelos trançados e matriz percussiva, virou cult – o grupo chegou a participar de gravações de artistas como Björk e Arto Lindsay. Neste Carnaval, o bloco tem como tema A Diáspora Africana – Jamaica. Para tanto, adicionou a cor verde às suas tradicionais matizes vermelha, branca, preta e amarela.
- Curuzu/ Liberdade: sábado (14), 21h
- Circuito Osmar (Campo Grande): sábado (14), 1h30; segunda (16), 18h; terça (17), 19h 


Ensaio do bloco Ylê Aiyê: a pérola negra do Curuzu (Foto: André Frutuoso/Divulgação)


Olodum
Criado em 1979, tornou-se um dos principais grupos percussivos do país. A batida marcada, a coreografia ensaiada, as roupas que evocam as cores da África e os cabelos trançados compõem um conjunto inconfundível. Nos anos 90, a restauração do Pelourinho, onde fica a sede do grupo, ajudou a torná-lo cada vez mais conhecido do grande público. A projeção internacional ganhou força, principalmente, após a gravação do clipe They Don’t Care About Us, do popstar Michael Jackson, em 1996. A organização mantém ainda oficinas, uma escola, um centro de informática e uma loja, todos no Pelourinho.
- Pelourinho: sexta, 13 (16h)
- Circuito Osmar (Campo Grande): sexta (13), 19h; terça (17), 16h
- Circuito Dodô (Barra Ondina): domingo (15), 14h

 

+ Endereços para aplacar o calor com sucos e sorvetes 


Cortejo Afro
Ritmos africanos mesclados ao pop e às batidas eletrônicas e latinas são a marca do repertório do grupo, criado em 1998, em um terreiro de candomblé do bairro do Pirajá. É conhecido por seu figurino extravagante e por suas coreografias inspiradas em movimentos da dança africana. Neste carnaval, sua bateria será composta por 200 percussionistas e uma ala com cinquenta baianas tradicionais.
- Circuito Osmar (Campo Grande): sexta (13), 20h; terça (17), 18h
- Circuito Dodô (Barra-Ondina): domingo (15), 21h