Aperitivos

Novidades e curiosidades de Salvador e lugares para comer e beber durante a Copa

Tânia em frente ao estádio: novo local de trabalho durante o torneio. Foto: Ligia Skowronski

Tânia em frente ao estádio: novo local de trabalho durante o torneio. Foto: Ligia Skowronski

10.jun.2014 15:41:17 | por Redação
Vai ter acarajé, sim!
O tradicional bolinho de feijão-fradinho quase teve sua venda proibida dentro da Arena Fonte Nova durante a Copa — ao menos, era essa a orientação inicial da Fifa. Depois de muitos protestos e abaixo-assinados promovidos pela Associação das Baianas de Acarajé e Mingau (Abam), a liberação saiu em setembro de 2013 e o salgado conquistou acesso livre ao estádio. “A receita é um patrimônio nacional, não poderíamos ficar de fora. Quem ganhou com tudo isso foi nossa cultura”, diz Rita Santos, presidente da Abam e uma das seis quituteiras selecionadas para trabalhar em dias de jogo. Tânia Nery, que mantém um concorrido ponto no Farol da Barra (pág. 28), também estará lá. “A única diferença é que vou usar uma fritadeira elétrica no lugar do botijão de gás”, avisa. A especialidade, que geralmente custa R$ 6,00 na rua, será servida ao preço único de R$ 8,00, com ou sem camarão. Além dela, os tabuleiros terão abará (R$ 8,00), passarinha, cocada e bolinho de estudante (R$ 5,00 cada um).
 
Perto do estádio
Especialidade: receitas sertanejas à base de carne de sol
Distância da arena: 600 metros
 
 
Especialidade: 52 tipos de sanduíche vendidos 24 horas por dia
Distância da arena: 650 metros
 
Especialidade: lambreta
Distância da Arena: 700 metros
 
Especialidade: feijoada carioca e moquecas
Distância da arena: 1,7 quilômetro
 
Campeões históricos
Em dezesseis anos de disputa, três estabelecimentos ainda em atividade em Salvador se mantêm como os maiores vencedores da história de VEJA COMER & BEBER:
 
A quituteira Jaciara de Jesus Santos, a Cira, subiu treze vezes ao pódio por seu afamado acarajé. Ela também já conquistou quatro títulos pelo abará e outros nove pela cocada.
 
O badalado restaurante japonês levou a melhor em sua especialidade quinze vezes. Voltado para a Baía de Todos-os-Santos, o bonito ambiente da sua
matriz foi laureado em 2005.
 
Ícone da cidade, o empório gourmet não foi eleito apenas em sua categoria: também venceu nos quesitos delicatessen, doceria,salgado e pão. Em 2007, aindaabocanhou o prêmio tradição.
 
Futebol o ano inteiro
Não precisa ser época de Copa: em qualquer quarta ou domingo, os vinte bares instalados nos quiosques do Canal do Imbuí, no tranquilo bairro do Imbuí, se transformam em fervilhantes pontos de encontro de torcedores. A maioria dos locais tem TVs para exibir as partidas em dias de campeonato — durante o torneio mundial, os aparelhos estarão sintonizados nos jogos o tempo todo. A seguir, indicamos cinco endereços e suas especialidades além do futebol.
 
Boteco Barzil 
Inaugurado em 1983, é um dos mais antigos do local. Serve petiscos incrementados, como o filé-mignon ao molho de mel, gengibre e
mostarda (R$ 23,00).
 
A rosca de umbu (R$ 8,80) costuma entreter a clientela. Quando não está ligada em jogos, a TV transmite shows de MPB, forró e pagode.
 
Porções triviais, a exemplo do camarão ao alho e óleo (R$ 22,70), vão à mesa junto de cervejas em garrafa.
 
Em atividade há exatos trinta anos, está entre os mais lotados — aos domingos, é difícil arranjar uma mesa. O bolinho de bacalhau (R$ 11,90, oito unidades) faz sucesso.
 
Tem três aparelhos de TV e aparece entre os indicados desta edição aosprêmios de melhor happy hour e bar para paquerar. No menu, as sugestões são fartas: a picanha na chapa pesa meio quilo (R$ 68,00).
 
 
Fome de craque
Torcedor fanático do Bahia, o zagueiro soteropolitano Dante foi escalado para vestir a camisa verde e amarela na Copa. Aos 31 anos, o jogador criado no bairro da Federação mora na Alemanha, onde atua no Bayern de Munique, e talvez tenha a chance de defender o Brasil na Arena Fonte Nova — o time poderá pisar no estádio se passar para as quartas de final. Nesse caso, aliás, uma coisa é certa: fora do campo, Dante vai querer dar um jeito de visitar a mãe, os irmãos e três de seus restaurantes preferidos. Além do rodízio de carnes do Boi Preto, ele curte os pratos brasileiros do Casa de Palha e os sushis do Soho.
 
Ela está de volta
Depois de passar mais de dois anos em obras, a nova Ceasa do Rio Vermelho abriu as portas na segunda semana de maio. A estrutura, inaugurada pela primeira vez em 1979, foi demolida por causa de problemas de higiene e, agora, retorna em uma área de quase 9 000 metros quadrados — praticamente o dobro da anterior. Maior e mais moderno, o local vai abrigar 183 boxes de frutas e verduras, além de doze restaurantes e uma praça de alimentação. Os famosos empórios de ingredientes típicos, a exemplo do tradicional Casa de Noca, aberto em 1986, ficaram alocados em um galpão anexo ao longo da construção, mas já estão ocupando as novas instalações.
 
A melhor moqueca
Ela é titular em muitos cardápios da cidade. No rol de premiados de VEJA COMER & BEBER, no entanto, a moqueca tem sabor superlativo em um só restaurante, o Donana, eleito nesta edição em uma votação especial, que envolveu todo o júri de comidinhas, bares e restaurantes. Para compor a receita da casa, fundada por Ana Raimunda Silva Santos há mais de duas décadas, escala-se uma seleção de nove ingredientes: tomate, cebola, pimentão, coentro, alho, limão, cominho, leite de coco e azeite de dendê. Essa base fica completa com o acréscimo de algum fruto do mar ou peixe. O resultado é um prato vibrante, cheio de personalidade e de fãs — aos sábados, a matriz, em Brotas, expede mais de 150 pedidos, sempre acompanhados de arroz e farofa de dendê. Ganha com folga a preferência da clientela a versão de camarão (R$ 68,90, para duas pessoas). “As moquecas são cozidas em panelas de barro, compradas na Feira de São Joaquim”, enfatiza Adriana, filha da proprietária. A tradição, é claro, persiste de geração em geração.

 

Palpite amigo

“Qual é o seu destino gastronômico preferido, aquele que você recomendaria a um visitante de fora?” Fizemos essa pergunta a seis estrangeiros que têm o privilégio de viver na cidade em que a seleção de seu país vai jogar no Mundial.
 
Egbert Bloemsma, Holanda
Empresário e cônsul
Tempo na capital: seis anos
“Para conhecer a cozinha típica da Bahia, sugiro ir ao Paraíso Tropical. Além do ambiente agradável, os pratos são excelentes.”
 
Antonio Varela, Portugal
Representante comercial
Tempo na capital: 36 anos
“Gosto muito do Porto do Moreira, no Dois de Julho. O dono é simpático e o preço, justo. Serve pratos deliciosos e pouco convencionais, como a moqueca de carne.”
 
Jérôme Vincienne, França
Professor e consultor de carreira (coaching)
Tempo na capital: dois anos e seis meses
“Para experimentar as delícias da minha terra, indico o La Provence. O proprietário recebe os clientes com simpatia, a decoração lembra um bistrô e a comida é excelente.”
 
Marcos Gonzalez Gomez, Espanha
Empresário
Tempo na capital: três anos
“O La Taperia, no Rio Vermelho, serve a melhor paella que já comi na cidade.”
 
Mario Fischer, Alemanha
Dentista
Tempo na capital: seis meses
“Gosto muito do Takê, no Rio Vermelho. Eles fazem um ótimo sushi com um toque brasileiro. O salmão é fresco e os hot rolls são incríveis.”