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Destaque de filmes
Por uma vida menos ordinária
Vem do Uruguai uma história tocante e marcada pela esperança
Fotos Divulgação
Valvulina e Beto em ação: contrabando na fronteira do Brasil
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Uruguaio radicado em São Paulo, o diretor de fotografia César Charlone tem larga experiência no cinema publicitário. No longa-metragem, trabalhou com Fernando Meirelles em O Jardineiro Fiel e Cidade de Deus, pelo qual foi indicado ao Oscar. Sua estréia como cineasta se dá no drama O Banheiro do Papa, realizado em parceria com seu conterrâneo Enrique Fernández. A fita - da qual ambos também são roteiristas - ganhou seis troféus no Festival de Gramado 2007, entre eles os prêmios da crítica e do público. Essa boa resposta atesta a empatia junto à platéia, que não resistiu aos encantos de uma história tão singela e humana.
A trama ficcional parte de um fato verídico, ocorrido em 1988. Interpretado por César Troncoso, o bigodudo Beto vive numa modesta casinha da cidade uruguaia de Melo, fronteiriça com o Brasil. O trabalho dele é contrabandear bebidas e alimentos, sempre acompanhado do amigo Valvulina (Mario Silva). Para tanto, precisam percorrer 60 quilômetros de bicicleta e, pior, driblar a fiscalização. A promessa de dias melhores aparece com a iminente visita do papa João Paulo II. Munido de muita esperança, Beto decide construir um banheiro público e faturar uma grana dos fiéis. Da mistura de atores tarimbados com não profissionais emerge uma comovente crônica de acento cômico e popular, enriquecida por uma estética capaz de extrair poesia de um ambiente marcado pela pobreza.
O Banheiro do Papa, de César Charlone e Enrique Fernández (El Baño del Papa, Uruguai/Brasil/França, 97min). Censura e circuito a conferir. Estréia prometida para sexta (14).
Folhetim à moda antiga
As paixões de uma escritora inglesa no início do século XX
Angel (Romola Garai): atrevida, afetada e perseverante
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Quem já se habituou às tramas modernas do diretor francês François Ozon pode estranhar o tom melodramático de Angel. Sua primeira fita falada em inglês está mais próxima da exuberância por vezes histérica da comédia musical 8 Mulheres do que dos intimistas O Tempo que Resta e O Amor em 5 Tempos. Ozon adapta aqui o romance homônimo da escritora inglesa Elizabeth Taylor (1912-1975) como manda o figurino à moda antiga. Atuações impostadas, direção de arte barroca e figurinos faustosos recheiam uma correta narrativa folhetinesca. Tudo, claro, é proposital.
O realizador marca sua estréia num enredo de época. Na Inglaterra do início do século XX, a jovem Angel (Romola Garai) refugia-se em devaneios e tem o firme propósito de torná-los realidade. Filha de uma humilde comerciante, quer ser escritora. Alcança seu objetivo após um editor de Londres (papel de Sam Neill) se interessar por seus joviais textos. Não demora muito para ela virar celebridade no mundo dos livros. Perseverante, atrevida e afetada, Angel conquista fama e fortuna. Mas, ao contrário das heroínas de suas ficções, vai atravessar turbulências afetivas ao se apaixonar pelo dissimulado pintor Esmé (Michael Fassbender).
Angel,de François Ozon (Angel, França/Inglaterra/Bélgica, 2007, 119min). 14 anos. Estreou em 7/3/2008. Estação Ipanema 1, Kinoplex Fashion Mall 3.