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Destaque de filmes
Olhar do ator por trás da câmera
Selton Mello estréia na direção com o vigoroso e pesadão Feliz Natal
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Leonardo Medeiros e Emiliano Queiroz: diálogo desconsertante no cemitério
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Trailer do filme
Com 35 anos e mais de duas décadas na profissão de ator, Selton Mello poderia se dar ao luxo de ter um emprego fixo na Rede Globo e desfrutar os mimos de um astro. Mas não. Ambicioso, preferiu fazer sua estréia atrás das câmeras no drama Feliz Natal. Na densa trama, Caio (Leonardo Medeiros) é dono de um desmanche de carros no interior e volta ao lugar onde nasceu para as festas natalinas na casa do irmão (Paulo Guarnieri). Lá, reencontra a mãe (Darlene Glória), que abusa do álcool e dos tranqüilizantes, a cunhada (Graziella Moretto), os sobrinhos. Ele pretende reatar o convívio com o pai (Lúcio Mauro). Este, porém, recusa qualquer reaproximação. Há algo nebuloso no passado de Caio que deixou estremecidas suas relações familiares.
Para explorar as feridas afetivas dos personagens, Selton Mello encontrou apoio na câmera e na direção de fotografia de Lula Carvalho. Closes extremos, enquadramentos sufocantes e imagens granuladas, desfocadas ou borradas registram um cotidiano regado a desilusões, descompassos e dissabores. Mesmo quando emerge do drama para alcançar uma atmosfera mais leve, a fita transpira inquietação e desconcerto – vide o diálogo entre o protagonista e o coveiro interpretado por Emiliano Queiroz. Embora sejam excessivos os improvisos de Darlene Glória, os demais atores encontraram o tom certo entre a descontração e a teatralidade. Não que seja fácil, contudo, embarcar na angustiante jornada proposta pelo diretor e embalada pela melancólica trilha sonora de Plínio Profeta. Mas é, justamente, pela opção de um cinema mais autoral, sem concessões e com certo maneirismo que Feliz Natal se destaca da mesmice do cenário nacional.
Feliz Natal, de Selton Mello (Brasil, 2008, 100min). Classificação e circuito a conferir. Estréia prometida para sexta (21).
Muito prazer, Waly Salomão
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Agitador cultural, letrista e produtor musical, Waly Salomão (1943-2003) também se destacou como escritor e poeta. E é amparado na poesia que o diretor Carlos Nader traça uma delicada e carinhosa biografia desse baiano de Jequié no documentário Pan-Cinema Permanente. Com uma câmera digital, Nader registrou, a partir de 1994, as performances, o cotidiano e o artesanato com as palavras de Waly. Há momentos marcantes, caso de sua entrevista em inglês macarrônico para um talk-show em Damasco – ele estava na Síria atrás de suas origens. Adriana Calcanhotto e Antônio Cícero falam da presença sempre fervilhante do colega. E vem de Caetano Veloso a melhor tradução: "Waly era excessivo, mas de todos os meus amigos é de quem eu mais tenho saudade".
Pan-Cinema Permanente, de Carlos Nader (Brasil, 2007, 83min). Livre. Estreou em 14/11/2008. Instituto Moreira Salles, Unibanco Arteplex 3.