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Editorial

 

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Veja todas as matérias desta semana Arquivo


08 de Outubro de 2008

Os melhores restaurantes

Personalidade gastronômica

Danio Braga  

Da cozinha da seleção italiana de futebol
à alta gastronomia no Rio: trinta anos refinando o paladar dos cariocas

O então jovem chef e sommelier italiano chegou aqui por acaso. Em 1978, Danio Braga fazia parte da delegação da seleção italiana de futebol, que, voltando da Copa na Argentina, fez uma escala na cidade. Encantado, resolveu ficar. E encontrou tudo por fazer. Naquele tempo, vinho bom e macarrão no ponto certo eram raridade nas mesas cariocas. Braga começou o bom combate à frente do Enotria, em Copacabana, inspirado por receitas e costumes da Antica Osteria dell'Orologio, casa nos arredores de Parma que sua família administrava. Na carta de bebidas, apenas vinho e água. Passar da porta, só com reserva, não importava a ocupação do salão. Venceu barreiras, culturais e alfandegárias, e pode, sem dúvida, ser considerado o grande responsável pela popularização de bons rótulos, massas e risotos nos restaurantes da cidade. Em outra frente, criou a Associação dos Restaurantes da Boa Lembrança e a Associação Brasileira de Sommeliers, cujos três primeiros sócios foram ele, seu advogado e o maître do Enotria. Atualmente é a segunda maior instituição do gênero no planeta. Como consultor, transformou o setor de vinhos de uma rede de supermercados numa adega de respeito, que concilia qualidade e preços razoáveis. Desde 1992, toca a Locanda della Mimosa, lugar que combina uma pousada requintada com um restaurante de primeira. A excelência de sua cozinha foi atestada pelo guia francês Les Grands Tables du Monde: o restaurante em Petrópolis é o único brasileiro a figurar na seleta lista da publicação.

 

Chef revelação

Thomas Troisgros (66 Bistrô)  

O herdeiro dos dons da família: talento transmitido há quatro gerações

Junto com o prestígio vem a responsabilidade: Thomas Troisgros, 25 anos, representa a quarta geração de uma das famílias mais famosas do mundo da gastronomia. Bisneto de Jean Baptiste, fundador da Maison Troisgros, em Roanne, França, neto de Pierre, papa da nouvelle cuisine ao lado de Paul Bocuse, e filho de Claude, que chegou ao Rio em 1979 para fazer história nas mesas cariocas, Thomas cresceu entre fogões e caçarolas. Aos 12 anos, estreou na cozinha dando uma "força" a ninguém menos que Bocuse, em um festival realizado no restaurante do pai em Nova York. Na cidade americana, estudou durante quatro anos no Culinary Institute of America. De volta ao Brasil no fim de 2005, recebeu do pai a missão de comandar o 66 Bistrô, o endereço mais informal da família na cidade. Ousado como o jovem Claude, que, recém-chegado ao país, se notabilizou por misturar a então nova gastronomia francesa com ingredientes nacionais, Thomas criou receitas que fogem ao padrão do cardápio de um bistrô típico. Aliou a forte influência dos clássicos franceses à paixão pela cozinha asiática para oferecer pratos refrescantes, como pede o clima carioca quase o ano inteiro. Melhor do que exaltar os talentos do rapaz é provar sua comida. Dois bons exemplos de sua verve no menu do 66 Bistrô são o ceviche de pargo marinado no limão com palmito pupunha, cebola roxa e pimenta dedo-de-moça e o generoso carpaccio de shiitake fresco coberto com parmesão ralado.

 

Chef do ano  

Roland Villard (Le Pré Catelan)  

Tradição aliada à renovação: receita do chef para suas saborosas criações

Ao completar dez anos no Brasil, Roland Villard decidiu que era o momento de mudar a cara do Le Pré Catelan. Uma das portas de entrada da moderna gastronomia francesa na cidade, o ambiente do restaurante manteve até 2006 o mesmo aspecto de quando foi inaugurado, em 1980. Saíram os vidros bisotados, os ornamentos dourados, as madeiras brilhantes. Entraram em cena lustres de cristal, voluptuosas cortinas e discretos efeitos de luz, na mais perfeita tradução de como o clássico pode conviver elegantemente com o moderno. Chef executivo da rede Sofitel na América do Sul, Villard levou três anos para convencer a direção do hotel de que já estava mais do que na hora de uma reforma. Deu pitacos no projeto. Acompanhou de perto todo o quebra-quebra. Só se mostrou satisfeito quando viu a bela vista da Praia de Copacabana incorporada ao salão. De sua cozinha saem obras-primas da culinária contemporânea em sintonia com o novo cenário. São receitas autorais que refletem no paladar o pleno domínio das técnicas e a incansável pesquisa por produtos novos e pouco difundidos na alta gastronomia. Natural de Saint-Etienne, cidade próxima a Lyon, Villard não conseguiu perder o indefectível sotaque francês, mas está perfeitamente aclimatado aos hábitos dos "carrriocas". Quem mais, além de um perfeito habitante da cidade, levaria para noitadas em casas de samba da Lapa os estrelados chefs convidados para participar de festivais em seu restaurante à beira-mar?

 

O melhor asiático

Sawasdee Bistrô

 

Ocidente e oriente juntos: o curry picante
de maracujá emoldura o cherne grelhado

Os gourmets se voltam para o imenso continente asiático quando se trata de explorar aromas e sabores ainda pouco conhecidos por aqui. A exótica fusão do doce com o salgado, do ácido com o picante é a especialidade de Marcos Sodré e seu filho, o jovem chef Thiago, que se utilizam do receituário e de técnicas típicas da longínqua cozinha tailandesa para criar um laboratório de novas experiências à beira-mar. Com recursos comuns aos da cozinha contemporânea, tais como o capricho na apresentação e a valorização de produtos nacionais, eles aterrissaram no Rio com suas woks – e os mais variados tipos de curry – depois de dez anos em Búzios. Ler o cardápio é uma viagem por termos tão indecifráveis quanto krathong thong, sinônimo das crocantes cestinhas recheadas com frango, milho, cenoura, amendoim e curry (R$ 14,00), ou pla saowarot, deliciosa especialidade do chef que leva à mesa um filé de cherne grelhado com risoto de shiitake feito com arroz jasmim e curry picante de maracujá (R$ 52,00). A carta de drinques tem capricho semelhante: o mojito batido com pimenta dedo-de-moça desperta o paladar numa picante mistura (R$ 16,00).

Rua Dias Ferreira, 571, loja A, Leblon, 2511-0057 (60 lugares). 19h/0h (sex. até 2h; sáb. 13h/2h; dom. 13h/22h). Cc.: todos. Cd.: todos. Manobr. (R$ 8,00) (R$ 20,00) www.sawasdee.com.br. Aberto em 2007. $$$

 

O melhor brasileiro  

Siri Mole & Cia.

Bobó de camarão: temperos frescos e ingredientes de primeira cozidos na panela
de barro

O segredo das perfumadas moquecas que chegam à mesa fervilhando está na qualidade do tempero: a tríade tipicamente baiana formada pelo coentro sempre fresco, leite de coco retirado manualmente da fruta e azeite-de-dendê trazido diretamente da Bahia. Eles vão ao fogo durante vinte minutos na panela de barro, em doses carregadas, com belas postas de peixe (R$ 71,95), camarões graúdos (R$ 93,66) ou o próprio siri-mole, que é comprado no Recife (R$ 82,45). Não é preciso nada além de algumas gotas de pimenta-malagueta para que o bobó de camarão também atinja a perfeição (R$ 80,00). No pedaço mais baiano de Copacabana, ornamentado com fitinhas do Nosso Senhor do Bonfim ofertadas aos comensais no fim da refeição, outra receita rouba a cena: o acarajé (R$ 9,56), entrada preferida de dez entre dez clientes. O bolinho com massa de feijão-fradinho batido e frito no azeite-de-dendê é feito da mesmíssima forma há vinte anos. Chega sequinho e crocante, escoltado por camarão seco, salada e vatapá para acompanhar. O que mais tem no tabuleiro da baiana? Cocadas feitas com rapadura que se desfazem na boca e um doce de caju em pedaços de dar água na boca só de ver (R$ 16,50 cada um).

Rua Francisco Otaviano, 50, Copacabana, 2267-0894 (65 lugares). 12h/0h (seg. a partir das 19h). Cc.: todos. Cd.: M, R e V. Manobr. (R$ 8,00). Couvert: R$ 17,00 (porção). (c/restrição) www.sirimole.com.br. Aberto em 1989. $$$

 

A melhor carne  

Esplanada Grill

 

Cortes de primeira: a picanha, de maciez exemplar, é importada da Argentina

Quem conhece a casa não dispensa o farto – e caro – couvert, que muitas vezes serve como acompanhamento para os pratos principais. Começa com a cestinha de pães quentinhos, incluindo o pão de queijo feito com a mesma receita há vinte anos, e segue com a salada de alface, rúcula, palmito e tomate ao molho de mostarda, a farofinha de bacon e os molhos de cebola e à campanha. É bom ir devagar para não perder a grande atração da casa: as carnes de primeira linha, que chegam à mesa com a marca da grelha impressa em sua superfície. Da Argentina vêm os cortes preferidos da clientela, a tradicional picanha (R$ 62,00) e o bife ancho, de maciez exemplar (R$ 52,00). Em terceiro lugar está o cordeiro, importado da Nova Zelândia, que aparece de cinco formas: na lingüiça caseira feita lá mesmo e em cortes de costeleta, picanha, lombo e paleta. Essa última é grelhada apenas com sal grosso e chega com a carne macia e extremamente saborosa já fora do osso (R$ 53,00). Da cozinha saem ainda pratos dos mais variados, que vão do bacalhau à gomes de sá (R$ 92,00) à feijoada completa (R$ 63,00).

Rua Barão da Torre, 600, Ipanema, 2512-2970 e 2239-6028 (60 lugares). 12h/16h e 19h/0h (sex. e sáb. sem intervalo até 1h; dom. sem intervalo). Cc.: todos. Manobr. (R$ 8,00). Couvert: R$ 24,00 (individual). (R$ 55,00) Entrega em domicílio. Aberto em 1988. $$$

 

A melhor carne/rodízio  

Porcão  

Picanha: estrela do desfile de carnes que
leva à mesa cortes saborosos de alcatra,
filé mignon, paleta, bife ancho

A fartura impera. É só dar o sinal verde para que os garçons passem sem parar. Primeiro, a lingüicinha, de porco ou frango, faz bela companhia aos pastéis de catupiry que a essa altura já estão postos na mesa. A seguir, os espetos desfilam pelo salão com a extensa seleção de carnes, que inclui peças de alcatra, picanha, fraldinha, filé mignon, cupim, bife ancho, mais paleta, pernil, costelinha e carré de cordeiro. As variações sobre o mesmo tema são muitas: o filé mignon pode vir coberto de queijo e os bifes de picanha, assados com uma generosa camada de alho. É possível servir-se no bufê frio de queijos, antepastos e saladas e pedir na mesa os acompanhamentos preferidos, como uma polenta frita e crocante ou a farofa de ovo. Com quatro endereços na cidade, mais unidades em Niterói, Brasília, Belo Horizonte e até Miami e Nova York, o Porcão atrai não só muitos cariocas como turistas do mundo todo a fim de provar o famoso churrasco brasileiro. O preço da fartura varia entre R$ 59,00 e R$ 73,00 por pessoa, dependendo da filial.

Avenida Infante Dom Henrique, s/nº, Aterro do Flamengo, 3389-8989 (900 lugares). 12h/23h (sex. e sáb. até 1h; dom. até 22h). Cc.: todos. Cd.: todos. Estac. c/manobr. (R$ 44,00) ; Avenida Armando Lombardi, 591, Barra, 3389-8989 (450 lugares). 12h/23h (sex. e sáb. até 0h; dom. até 22h). Cc.: todos. Cd.: todos. Estac. c/manobr. a (R$ 44,00)   Mais três endereços. www.porcao.com.br. Aberto em 1975. $$$

 

 

A melhor cozinha contemporânea

Roberta Sudbrack

Tataki de atum: obra-prima cheia de frescor
e leveza  

O ex-presidente da Itália Carlo Ciampi disse, numa ocasião, que o risoto de carne-seca preparado por ela poderia fazer parte de um banquete renascentista. Fidel Castro pediu para anotar a receita do queijo brie gratinado ao vinagrete de framboesa. Fernando Henrique Cardoso exigiu que nas quartas-feiras fosse servido o picadinho. Mesmo depois de deixar a cozinha do Palácio da Alvorada, Roberta Sudbrack continua seduzindo paladares. Na contramão da moda gastronômica atual – sem usar fornos combinados, cozimentos a vácuo ou qualquer outro instrumento que não os tradicionais –, a chef produz pequenas obras-primas de frescor e leveza extraordinários, que buscam extrair o máximo dos alimentos sem lhes mascarar o sabor. São pratos da moderna cozinha brasileira que se valem de ingredientes marginalizados como o quiabo e o maxixe para alcançar grandes resultados. A opção pelo menu degustação (R$ 180,00, nas sextas e sábados) leva à mesa uma seqüência que pode ter até doze pratos, incluindo o tataki de atum com feijão-verde e açúcar de beterraba e o ravióli de filé curado com maxixe. Receitas que podem ser encontradas no almoço de quinta e sexta (R$ 85,00, com três serviços) e no jantar de terça a quinta (R$ 150,00, com cinco serviços). No jantar das terças, o menu do dia com entrada e prato principal sai por R$ 49,00.

Avenida Lineu de Paula Machado, 916, Jardim Botânico, 3874-0139 (54 lugares). 19h30/0h (qui. 12h/15h e jantar normal; sex. 12h/15h e jantar a partir das 20h30; sáb. jantar a partir das 20h30; fecha seg. e dom.). Cc.: M. Manobr. (R$ 7,00). (R$ 85,00). www.robertasudbrack.com.br. Aberto em 2005. $$$$

 

O melhor francês

Olympe

O toque do mestre Troisgros: a banana-d'água dourada com caramelo ressalta o sabor do cherne

Uma finíssima e delicada massa cobre o recheio cremoso que desliza na boca junto aos cristais de flor de sal (R$ 44,00). Pérolas de tapioca que lembram um caviar coroam o tartare de atum servido com o inusitado granité de gaspacho condimentado com gengibre (R$ 53,00). A banana-d'água dourada com caramelo funciona como uma espécie de tripé para o cherne temperado ao molho de passas (R$ 92,00). Claude Troisgros é incansável. Aos 52 anos, 29 deles dedicados a exercer a profissão à beira-mar, o chef "franco-carrrioca", que fez da combinação da gastronomia francesa com ingredientes brasileiros sua maior marca, continua a encantar paladares com as mais perfeitas execuções de clássicos perpetuados ao longo de sua brilhante e premiada carreira. Sem perder o sotaque, apaixonado por esportes radicais, simpático freqüentador dos botecos do Rio, ele está sempre em busca de novos produtos e técnicas para a seção do cardápio em que expõe sua verve mais criativa. Acaba de sair do forno o pato caramelizado com caju e sua castanha acompanhado de risoto cremoso de quinoa (R$ 93,00).

Rua Custódio Serrão, 62, Jardim Botânico, 2539-4542 (45 lugares). 19h30/0h30 (sex. 12h/16h e jantar normal; fecha dom.). Cc.: D, M e V. Cd.: M, R e V. Manobr. Couvert: R$ 8,50. (c/restrição) www.claudetroisgros.com.br. Aberto em 2003. $$$$

 

O melhor italiano  

Gero

Risoto de abóbora com camarão: receitas italianas clássicas, sem concessão a modismos

Só após o pedido descer para a cozinha é que os cozinheiros põem a mão na massa, literalmente. Feitas na hora, são doze variedades de macarrão fresco no cardápio da primeira casa do grupo Fasano no Rio, o elegante palco por onde desfilam pratos que seguem o receituário italiano clássico sem fazer nenhuma concessão a modismos de época. É o caso do ravióli de pato, que promove a harmônica combinação da carne da ave com o delicado molho de laranja (R$ 51,00). E do risoto de camarões com abóbora, que exibe a perfeita execução da receita cozida al dente (R$ 79,00). A delicada perdiz ao molho de vinho branco servida com uma polenta de cremosidade irrepreensível (R$ 66,00) é mais um exemplo do que pode proporcionar a afinada equipe da cozinha comandada pelo chef pernambucano Januário Andrade, ou Badaró, como é conhecido. Entre paredes de tijolinho aparente com pé-direito altíssimo e fotos do Rio em preto-e-branco, o serviço de maîtres, sommeliers e garçons também se faz notar pela extrema eficiência.

Rua Aníbal de Mendonça, 157, Ipanema, 2239-8158 (80 lugares). 12h/16h e 19h/1h (sex. almoço até 16h30 e jantar até 2h; sáb. sem intervalo até 2h; dom. sem intervalo até 0h). Cc.: todos. Cd.: todos. Manobr (R$ 9,00). Couvert: R$ 18,00 (individual). (R$ 60,00). www.fasano.com.br. Aberto em 2002. $$$

 

 

O melhor japonês

Shin Miura

Trouxinha de camarão com gengibre confit, tapioca e ovas de massago: a criatividade
de Nao Hara em ação

Sabe aquela conversa sobre "contraste de sabores e texturas" que você já leu em todo lugar? Pois é. Ela encontra sua mais perfeita tradução no Shin Miura, quartel-general do chef Nao Hara. Quando a família comprou o ponto, um salão sem graça com jeito de refeitório, entre uma agência dos Correios e uma infinidade de lojas de informática no edifício Avenida Central, Hara, aos 14 anos, começou a ajudar lavando pratos. No caminho da pia à cozinha, teve a idéia de desenvolver variações em torno da fusão de ingredientes orientais com preparos ocidentais, e vice-versa. O resultado ultrapassou, e muito, os limites do modesto estabelecimento – Hara já foi convidado para prestar consultoria a concorrentes como o tradicional Madame Butterfly e a rede Koni Store. Em sua própria casa, serve de usuais combinados ao esqueminha, um menu degustação com vinte opções. Pode-se optar por apenas uma delas – todas têm o mesmo preço, R$ 20,00 – ou pelos percursos por quatro (R$ 77,00), cinco (R$ 92,00) ou seis pratos (R$ 107,00). Definido o tamanho da conta, o desafio é escolher entre delícias surpreendentes como o espetinho de sushi de atum recheado de foie gras e sorvete de shoyu e mel, o tartare de atum com abacate e chips de gengibre e o salmão crocante recheado com abacaxi e shiitake ao mel de especiarias. Em tempo: até o fim de outubro, Nao Hara vai abrir uma nova casa, batizada com seu nome, no Shopping Fashion Mall.

Avenida Rio Branco, 156, 3º andar, loja 324 e 325 (Edifício Avenida Central), Centro, 2262-3043, Metrô Carioca (89 lugares). 11h/15h (fecha sáb. e dom.). Cc.: todos. Cd.: todos. Cr.: todos. T.: T. (R$ 30,00). Aberto em 1976. $$

 

A melhor cozinha de peixes e frutos do mar

Satyricon  

Marenostrum: mix de pratos crus, como carpaccios e tartares, temperados apenas
com sal, azeite e limão

Já na entrada é possível prever o que está por vir. Numa bancada coberta de gelo picado repousam viçosos exemplares de peixes e frutos do mar das mais variadas espécies. Ali se encontram cherne, olho-de-boi, pargo, robalo, vermelho, entre outros, pescados no mar aberto do litoral fluminense pelos barcos da família dos italianos Miro e Marly Leopardi. Ainda no corredor que leva aos amplos salões do restaurante, um límpido aquário é habitado por lagostas, lagostins, cavaquinhas, vieiras, ostras. A ampla gama de seres marinhos, aliada à medida certa dos temperos mediterrâneos, já seduziu até Madonna – em sua última passagem pelo Brasil, a cantora aprovou o pargo ao sal grosso (R$ 69,00). O peixe, que tem em média entre 700 e 800 gramas, é assado com uma generosa camada de sal e servido com o acompanhamento que o comensal preferir: arroz de limão, batata assada, creme de espinafre, legumes ao vapor. Condimentado apenas com azeite, limão e sal, é preparado o marenostrum (R$ 147,00, para dois), um grande combinado de pratos crus com carpaccios, tartares e bitoks (um tipo de tartare levemente grelhado) de leveza extraordinária.

Rua Barão da Torre, 192, Ipanema, 2521-0627 (120 lugares). 12h/1h (dom. até 0h). Cc.: todos. Cd.: M, R e V. Estac. c/manobr. Couvert: R$ 15,00 (individual). (R$ 50,00) www.satyricon.com.br. Aberto em 1982. $$$

 

A melhor pizza

Capricciosa

Caprese gourmet: farinha
00, molho com tomate
pelado e mussarela de búfala produzida artesanalmente

O segredo está na qualidade dos ingredientes, importados da Itália: a farinha de grão duro, moída na gramatura específica para a confecção de pizzas, o molho sem nenhum resquício de acidez, feito com tomate pelado, e a mussarela de búfala, produzida artesanalmente no interior de São Paulo por uma família de imigrantes com mais de um século de tradição no assunto. Após passarem pelo forno a lenha aquecido a exatos 400 graus, os discos de pizzas de massa fina e crocante chegam à mesa debaixo de sofisticadas coberturas. Vão da clássica margherita gourmet, a mais pedida, com mussarela de búfala, tomate-cereja, lascas de parmigiano reggiano e manjericão (R$ 44,00), à imperiale, que une a saborosa mistura da mussarela do tipo burrata com cogumelos frescos, salsa e alho (R$ 46,00). O cardápio apresenta ainda saladas, focaccias, bruschettas, massas e uma mesa de antepastos em que é possível beliscar cogumelos tenros, carnudas azeitonas, carpaccio de berinjela e outras delícias dignas das boas cozinhas da cidade.

Rua Vinicius de Moraes, 134, Ipanema, 2523-3394/1169 (80 lugares). 18h/1h (sex. e sáb. até 2h; dom. a partir das 17h). Cc.: A, D e M. Cd.: M e R. Manobr. (R$ 8,00). (R$ 30,00) Entrega em domicílio; Rua Maria Angélica, 37, Jardim Botânico, 2527-2656/3283 (150 lugares). 18h/1h (sex. e sáb. até 2h; dom. a partir das 17h). Cc.: A, D e M. Cd.: M e R. Manobr. (R$ 8,00). (R$ 30,00) Entrega em domicílio. www.capricciosa.com.br. Aberto em 1999. $$

 

 

 

O melhor português  

Antiquarius  

Lagostins com creme de espinafre: delícias que fogem ao conhecido bacalhau com batatas

Receitas fartas e calorosas, como manda a tradição da terrinha, muitas com o inconfundível sabor caseiro, outras tantas de seculares abadias e conventos, mesclam-se no balzaquiano cardápio do Antiquarius. O palco para tais aparições conjuga conforto e informalidade num ambiente que ostenta imagens sacras, prataria inglesa, porcelanas da Companhia das Índias, móveis dos séculos XVII e XVIII e a presença constante do maître Manuelzinho, uma espécie de lorde inglês com sotaque português. As sugestões narradas por ele em tom de confidência estão longe de se restringir ao bacalhau – mesmo que o pescado venha na memorável forma de uma posta alta e perfeitamente dessalgada debaixo da delicada crosta de broa de milho esfarelada com pimenta-branca e vinho branco (R$ 124,00). A perna de cordeiro à moda de Braga marinada em vinha-d'alhos é assada até o ponto em que a carne começa a se desmanchar para ganhar a companhia de feijão-branco (R$ 97,00). O arroz de frutos do mar à moda de Cascais é uma espécie de paella portuguesa, que tem seu sabor ressaltado pela qualidade dos pescados sempre frescos (R$ 100,00). Delicadamente grelhada, a cavaquinha chega na companhia de creme de espinafre e arroz de passas (R$ 130,00). Para muitos, a atração principal está reservada ao fim da refeição, quando bandejas de prata exibem o sortimento de doces deliciosamente portugueses (R$ 21,00 cada um).

Rua Aristides Espínola, 19, Leblon, 2294-1049 (76 lugares). 11h/2h. Cc.: D e M. Couvert: R$ 22,00 (individual). (R$ 75,00) Entrega em domicílio ( 4003-2665) Manobr. www.antiquarius.com.br. Aberto em 1977. $$$$

 

O melhor variado

Quinta

Frescor: do pomar da casa saem frutas como o abacaxi, que acompanha o prato de camarões

O quintal lotado de árvores frutíferas é a fonte das criações do casal Luiz Antônio e Fátima Correia. Dos pés de laranja-lima, banana-da-terra, carambola, goiaba, jabuticaba, manga e maracujá saem ingredientes fresquíssimos para que eles criem delícias de paladar requintado. Ao frescor dos ingredientes se soma a singular perícia culinária de técnicas clássicas que dispensam qualquer invencionice da chamada cozinha contemporânea. Do forno saem assados de primeira. O marreco se harmoniza perfeitamente com a geléia feita com a fruta da estação, batatas-doces caramelizadas, repolho roxo fatiado com cominho e chutney caseiro de manga e maçã. Fatias de abacaxi coradas na frigideira servem de guarnição para os camarões fritos no bacon ao molho de urucum. A galinha-d'angola ganha a companhia de creme de milho verde e arroz branco ao suco de tomates com sementes de girassol. Como se não bastassem sabores tão reconfortantes para o paladar, o cenário é mais do que bucólico. Cercada de verde por todos os cantos, com um laguinho à beira dos jardins projetados pelo paisagista Burle Marx e até micos pulando de galho em galho, a casa é o antídoto perfeito para a agitação da cidade. O menu degustação varia de R$ 65,00 (só com couvert e entrada) a R$ 98,00 (o completo, com couvert, entrada, prato principal e sobremesa).

Rua Luciano Gallet, 150, Vargem Grande, 2428-1396/2568 (70 lugares). 13h/17h (sáb. e dom. até 19h; fecha de seg. a qui.). Cc.: todos. Cd.: M, R e V. Estac. Couvert: R$ 21,00 (porção). (R$ 40,00) www.quinta.net. Aberto em 1984. $$$

 

 

Bom e barato

Amir

Fartura: quibes, esfihas, coalhada seca, tabule e outras delícias árabes no combinado para quatro pessoas

Os aromas misteriosos de especiarias que saem da cozinha invadem o salão, onde tapetes persas, candelabros e narguilés criam um universo impregnado do exotismo árabe no coração de Copacabana. Como se não bastasse a excelência dos temperos e sabores criados pelo casal Nicolas e Ingrid Habre, os pratos são fartos e têm preços acessíveis. Por R$ 100,00, quatro comensais se fartam com o combinado que reúne pasta de grão-de-bico temperada com cebolinha, coalhada seca, saladas tabule ou fatuche, miniquibe, miniesfiha, faláfel, charuto de folha de uva recheado de arroz com carne moída de carneiro, arroz com lentilha, cafta de carne ou chawarma. Esta última receita é uma das especialidades da casa. Espécie de churrasco árabe feito com cortes bovinos e de cordeiro montados num grande espeto, cozinha por horas na brasa até começar a se desmanchar. Só então é fatiado em suculentos nacos de carne. Nos sábados e domingos, o caprichado cuscuz marroquino também merece elogios. O segredo está no cozimento da semolina, feito junto com o caldo das carnes. Aparece em nove versões, uma delas com costeleta de cordeiro (R$ 50,00 para dois).

Rua Ronald de Carvalho, 55, loja C, Copacabana, 2275-5596/4488, Metrô Cardeal Arcoverde (130 lugares). 12h/0h. Cc.: todos. Cd.: todos. Cr.: todos. (R$ 25,00) Entrega em domicílio ( 4003-2665). www.amirrestaurante.com.br. Aberto em 2002. $

 

 

A melhor carta de vinhos

Terzetto

Variedade e qualidade: mais de 600 rótulos das principais capitais vinícolas e até de lugares exóticos, como Grécia e Líbano


Nos últimos seis meses, o sommelier João de Souza fez as malas seis vezes. As viagens que o levaram a países como Argentina, Chile, Itália e Portugal e também suas incursões pelo sul do Brasil tinham um único motivo: descobrir vinícolas e pesquisar rótulos com boa relação custo-benefício para a adega do Terzetto. Em Portugal, na região do Concelho do Crato, Joãozinho – como é chamado pelos clientes – encontrou uma pequena vinícola do Alentejo e ficou impressionado com a produção artesanal do viticultor Gonçalo de Sá da Bandeira. Importou de lá o Herdade do Gamito 2005 (R$ 132,00), feito com as uvas syrah, merlot, aragonês e trincadeira, que ficam por oito meses em barricas de carvalho francês. Na incursão pela Serra Gaúcha, encantou-se com a produção da vinícola Bettú, que não faz mais do que 5 000 garrafas por ano pelo milenar processo da pisa. Consta na carta o rótulo 2005 feito 100% com uvas marcelan (R$ 195,00). Desde o início do ano, Joãozinho estima que tenha incluído 150 rótulos na extensa lista, que já exibia 500 tipos de vinho divididos pelas regiões geográficas das principais capitais vinícolas, incluindo capítulos dedicados até mesmo a rótulos provenientes da Grécia, Suíça, Israel e Líbano.

 

Restaurateur do ano  

Marcelo Torres (Grupo Best Folk)

Culinárias italiana e francesa e carnes de primeira linha: diversidade gastronômica
nas sete casas de Torres

Incomodado com a mesmice que encontrava de segunda a sexta, na hora do almoço, nos arredores do escritório onde trabalhava, no Centro, Marcelo Torres decidiu abrir um restaurante. Nasceu, simples assim, o Giuseppe, em 1993, especializado na cozinha italiana regional. O emprego anterior, numa administradora de shopping centers, ficou definitivamente para trás com a inauguração do Laguiole, quatro anos depois. Desta vez a inspiração veio de outra paixão, o vinho, costume que herdou da convivência com o chef e sommelier Danio Braga e com o amigo Otávio Piva, da importadora Expand. Da adega da casa de cardápio afrancesado, hoje instalada à beira dos jardins de Burle Marx que cercam o Museu de Arte Moderna, saem rótulos históricos e sessenta opções só em taça. Mais dois anos se passaram e Torres decidiu apostar em carnes, cortes de primeira linha assados na brasa que fizeram a fama do Giuseppe Grill. Não perca a conta. Desde 2007, o restaurateur vem avançando pela Zona Sul e conquistando territórios. Já abriu três novas casas: Giuseppe Cucina e Giuseppe Grill, ambos no Leblon, e Zozô, espécie de rodízio chique de carnes aos pés do Pão de Açúcar. Todas com a mesma receita infalível: cozinha de qualidade, serviço eficiente e ambiente de bom gosto. 


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