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16 de Maio de 2008Cultura
Sinfonias na Barra
Em obras há cinco anos, a Cidade da Música
deve ficar pronta antes da eleiçãoPatrick Moraes
Fotos Divulgação
O projeto: as curvas criadas pelo arquiteto francês Portzamparc encareceram o custo Alvo de controvérsias, a Cidade da Música delineia suas formas e começa a ganhar contornos definitivos, cinco anos após o início das obras. A inauguração do complexo cultural, que vai abrigar as salas de ensaio e recitais da Orquestra Sinfônica Brasileira, está marcada para outubro, às vésperas das eleições para prefeito e vereador. Para que não haja novos adiamentos – o cronograma original previa sua abertura no fim de 2004 –, 3 000 operários trabalham contra o tempo numa estrutura monumental na Avenida das Américas, na Barra da Tijuca. "Trata-se de um desafio arquitetônico", diz o secretário municipal de Obras, Rodrigo Dantas. "Na hora de desenhar, não pensaram no trabalho que isso daria."
Com as paredes em curva e pilastras inclinadas, o projeto assinado por Christian de Portzamparc, responsável por mais de trinta halls sinfônicos no mundo, entre eles a Cité de la Musique, em Paris, exigiu que o corpo técnico de engenheiros utilizasse barras de ferro curvadas. A dificuldade é usada para justificar, em parte, o orçamento inflacionado. Estimados inicialmente em 80 milhões de reais, os gastos já atingiram 465 milhões de reais. "E seria ainda mais caro se cumpríssemos à risca o projeto original, que previa o uso de um cimento mais claro e liso em todo o prédio", diz o secretário. "Esse tipo será utilizado apenas na parte aparente." Os atrasos são postos por Dantas na conta dos Jogos Pan-Americanos, que concentraram as atenções da cidade até o ano passado.
A Cidade da Música terá dois espaços para concertos: um, a Grande Sala, com capacidade para até 1 800 pessoas, servirá para os concertos da Orquestra Sinfônica e para óperas; o outro, para 800 espectadores, abrigará recitais de música de câmara. O complexo cultural contará, ainda, com sete salas de ensaio para músicos, dez salas de aula, midiateca, três cinemas de arte e estacionamento com mais de 800 vagas. "Queremos que seja um centro formador de músicos e de platéia", afirma o secretário municipal das Culturas, Ricardo Macieira.
Na semana que vem, começam a ser construídos os acessos para carros e um túnel subterrâneo para pedestres. Com isso, haverá interdição de pistas da Avenida das Américas e durante dois meses os carros vão trafegar em via dupla no viaduto em frente à Cidade da Música. As reclamações dos moradores da região, aposta Dantas, serão deixadas de lado quando a obra estiver pronta. "O carioca é contestador", ele comenta. "Projetos como o Rio Cidade e a Linha Amarela foram muito criticados, mas hoje em dia ninguém consegue imaginar a cidade sem eles."