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07 de Maio de 2008Cultura
A entrada à francesa do museu
Saem os tapumes e surgem em cena quadros de Nicolas-Antoine Taunay na reabertura do MNBA
Carlos Henrique Braz
Fotos Selmy Yassuda
Galeria de Moldagens, com réplicas de gesso de esculturas: livre de goteiras e rachaduras
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Fechado total ou parcialmente há um ano por causa da greve dos funcionários do Ministério da Cultura, entre maio e julho de 2007, e de obras de restauração, o Museu Nacional de Belas Artes (MNBA) anuncia que será reaberto ao público a partir de quarta (7) com a exposição Nicolas-Antoine Taunay no Brasil: uma Leitura dos Trópicos. O evento quebra um jejum de quase oito anos em que a instituição não apresenta uma mostra internacional. A última do gênero foi o megassucesso Esplendores de Espanha – De El Greco a Velázquez, no segundo semestre de 2000. Principal museu carioca de arte brasileira, com acervo de cerca de 16 000 peças, o MNBA está recebendo investimento de 15 milhões de reais para o restauro do complexo de 18 000 metros quadrados que ocupa um quarteirão inteiro na Cinelândia. Dada a grandiosidade da empreitada, os trabalhos, iniciados em 2006 e executados em etapas, só devem estar concluídos no ano que vem. A imponente fachada do edifício em estilo eclético – projeto de Adolfo Morales de los Rios inaugurado em 1908 como Escola Nacional de Belas Artes (Enba) – foi recuperada dos desgastes causados por fuligem e pichações. O hall de acesso perdeu os tons escuros e recebeu a cor amarelo-palha, idêntica à que foi aplicada em sua segunda reforma, na década de 1920. Ali também estão instalados uma espaçosa chapelaria e guarda-volumes, a bilheteria e o elevador de acesso a cadeirantes.
Filhas de dom João e Carlota Joaquina: retratos de Taunay Entre as benfeitorias está a nova biblioteca, que migrou para um salão mais amplo no 2º andar. Referência no gênero, abriga um rico acervo de 18 000 títulos, com destaque para a coleção especializada em artes plásticas dos séculos XIX e XX, além de obras raras, monografias e catálogos de exposições nacionais e estrangeiras. "Depois da recuperação das fachadas laterais e principal, trocamos as instalações elétricas, acabamos com as goteiras e implantamos novos sistemas de segurança e climatização", afirma a diretora do museu, Mônica Xexéo. A repaginada também incluiu a Galeria de Moldagens, com réplicas de gesso de esculturas compradas de museus europeus pela antiga Enba para servir de modelo aos alunos brasileiros.
Mônica: há 29 anos na casa Não é à toa que Taunay (1755-1830) foi o tema escolhido para a exposição que marca a reentrada do MNBA no circuito cultural como parte da celebração dos 200 anos da chegada da família real. Seu acervo foi iniciado com obras trazidas de Portugal por dom João, em 1808, e ampliado oito anos mais tarde com a produção de artistas da Missão Artística Francesa – Joachim Lebreton (1760-1819) e Jean-Baptiste Debret (1768-1848), além de Taunay.
Fachada principal em estilo eclético, na Cinelândia: fim de pichações e fuligem Com curadoria da historiadora Lilia Moritz Schwarcz, autora do livro O Sol do Brasil – Nicolas-Antoine Taunay e as Desventuras dos Artistas Franceses na Corte de Dom João (1816-1821), a mostra, distribuída em cinco salas, exibe 71 pinturas e desenhos do francês cedidos pelo Victoria & Albert Museum, de Londres, e pelo Museu Nacional, do Rio, por exemplo. "Além de retomarmos o repertório de exposições internacionais, a reunião desse acervo representa o reconhecimento de nossa credibilidade junto aos estabelecimentos estrangeiros", afirma a museóloga Mônica Xexéo, que ingressou na casa como estagiária há 29 anos. Cinco enormes telas vieram do francês Musée National des Châteaux de Versailles et de Trianon, entre elas Entrada de Napoleão I em Munique, à Frente do Exército Francês, em 24 de Outubro de 1805. Na sala Retratos Íntimos figura uma galeria com seis imagens das filhas de dom João e Carlota Joaquina pertencentes ao Palácio Nacional de Queluz, em Portugal. Na abertura será lançado o catálogo Nicolas-Antoine Taunay no Brasil: uma Leitura dos Trópicos (Editora Sextante; 272 págs; 98 reais), com reproduções do acervo e onze textos organizados pelas historiadoras Lilia Moritz Schwarcz e Elaine Dias.
Para o MNBA ser devolvido em sua plenitude aos visitantes fica faltando só a reabertura de duas galerias: a de Arte, Desenho e Escultura Estrangeira e a de Arte Brasileira do Século XIX, que abriga as pinturas monumentais A Primeira Missa no Brasil (1860), de Victor Meirelles, e Batalha do Avaí (1879), de Pedro Américo. A previsão de entrega é para setembro.
Mosaico recuperado: na lateral