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09 de Abril de 2008
Perfil

Loucuras de uma socialite

Narcisa Tamborindeguy prepara livro para contar histórias de sua vida, como a expulsão do colégio
na Suíça, a internação para tratar o vício das
drogas e a recuperação. "Estou limpa há dez
anos, com algumas recaídas", diz ela

Alessandra Medina

Fernando Lemos
Narcisa trabalha em seu novo laptop: "Comprei porque ele é muito sexy

Sentada ao fundo do restaurante da pérgula do Copacabana Palace, Narcisa Tamborindeguy levanta-se da cadeira e começa a balançar freneticamente os braços ao avistar a repórter. Os hóspedes estranham o comportamento. Afinal, apesar de estarem à beira da piscina, o ambiente é formal. Mas ela, que é vizinha, se sente em casa. De óculos escuros e bolsa de couro, ambos Chanel, usa uma canga para cobrir a parte de baixo do biquíni Lenny. Na mesa estão a agenda Louis Vuitton, o celular, o protetor solar e um batom Mac, que ela retoca a cada cinco minutos. "Eles não duram nada, só uma semana", queixa-se. A conversa é interrompida várias vezes pelo toque do celular. Antes de desligar, anota o número de quem ligou na agenda. Faz isso na primeira página que abre, seja lá qual for. É na letra "V", por exemplo, que estão os contatos de Hélio, Silvinha e Carlos. Narcisa confessa que organização não é o seu forte, mas que tomou algumas providências para tentar melhorar, como comprar o último lançamento da Apple, o MacBook Air, e seu segundo iPhone. "O primeiro sumiu numa festa na casa da minha irmã, mas sei quem roubou", conta ela. "Foi um espanhol. Liguei para ver se conseguia o aparelho de volta, mas ele negou tudo."

Narcisa é a caçula do deputado federal Mário Tamborindeguy, que morreu em 1980, e de Alice Saldanha, parente do jornalista e ex-técnico da Seleção Brasileira de Futebol João Saldanha. A fortuna veio das empreitadas do avô materno, pioneiro na prospecção de petróleo em Campos. A irmã, Alice como a mãe, foi deputada estadual quatro vezes. "Minha família tem mais de quinze imóveis na Zona Sul, postos de gasolina, fazenda de gado em Campos", enumera Narcisa. "Mas quero me sustentar com meu próprio dinheiro." Ela vem tentando. Na semana passada, negociava contrato para fazer um quadro no Superpop, programa apresentado por Luciana Gimenez na Rede TV!. Até o fim deste mês, pretende colocar o ponto final em seu segundo livro, Ai, que Absurdo!, no qual conta histórias que presenciou em 41 anos de vida.

Moskow
No baile do último Carnaval no Copacabana Palace: entrevista polêmica ao colunista Amaury Jr. virou hit no YouTube


Narcisa tornou-se personagem carioca e ganhou notoriedade nas páginas da coluna que Zózimo Barroso do Amaral (1941-1997) mantinha no Jornal do Brasil e depois em O Globo. Os dois se conheceram em 1984, na Clínica Solar do Rio, especializada no tratamento para dependentes químicos. Lá também ficou amiga de Vera Fischer e de outros famosos do high society carioca. "Era uma farra, só tinha milionário lá dentro", lembra ela. "A gente planejava fugir, bolava mandar a mala para fora e entrar com ela cheia de drogas, mas era tudo de brincadeira." Hoje, esforça-se para ficar longe do vício. "Estou limpa há dez anos, mas com várias recaídas", admite. A última foi no Carnaval deste ano, no baile do Copacabana Palace. Quem não foi à festa pode ter uma idéia do que ela aprontou assistindo a um vídeo que se tornou hit no site YouTube. Durante uma entrevista ao colunista eletrônico Amaury Jr., aparece para lá de alegre. Requebra, dança, saracoteia e deixa à mostra o seio direito. No dia seguinte, foi parar no consultório médico com três dedos do pé quebrados. "Tenho amigos muito loucos", diz. "Acabo perdendo a noção do que é certo e errado. E eu sou louca mesmo." Agora afirma que quer mudar. Faz terapia pelo menos duas vezes por semana, pratica natação e ioga e garante que só bebe água-de-coco.

Enquanto conversa, repara que o italiano sentado na mesa ao lado está olhando. "Roberto, piacere!", diz ele. "Narcisa, molto piacere também." Cinco minutos depois, os dois parecem amigos de infância. Primeiro, ela sugere uma viagem a Angra. De helicóptero, é claro. Depois pede a Roberto que a leve a Sardenha. "Viu só?", pergunta ela. "É assim que tudo começa!" Eles engatam um papo animado. Dessa vez em francês, idioma que ela aprendeu durante os quatro anos em que estudou em um internato na Suíça, do qual foi expulsa. "Aquilo era o inferno. Os alunos bebiam, saíam escondidos e a direção fazia vistas grossas", conta. "Agradeci a Deus quando fui embora de lá." Ela fala ainda inglês e italiano. No bate-papo com Roberto, explicou o nome de seu livro. "It’s Ai, que absurd!", tentou traduzir ela. O italiano discorre sobre seu barco, de quatro quartos, sobre a moto de mais de 30 000 dólares, a casa de frente para o mar, a amizade com Flavio Briatore, diretor da equipe de Fórmula 1 Renault. "Que cafona ele ficar falando disso, né?", comenta ela depois. "O barco nem é tão grande assim!" Quando se dá conta de que ele está atrapalhando a entrevista, ela diz: "Shut up! I am doing an interview here". Sem graça, o italiano se levanta e vai embora.

Fernando Lemos
Mais calma: no quarto, Narcisa escreve e pratica ioga, faz terapia duas vezes por semana, nada e garante que só bebe água-de-coco


Fazer amigos não é tarefa difícil para Narcisa. Pelos salões de seu apartamento de 470 metros quadrados, em frente à Praia de Copacabana, no tradicional Edifício Chopin, já circularam príncipes, artistas e playboys do mundo inteiro. Sua companhia inseparável nos últimos meses é o empresário Christopher Getty, neto de Jean Paul Getty, fundador da Getty Oil Company e um dos homens mais ricos do mundo no século passado. "Ela está sempre disposta a ajudar quem precisa", conta o empresário Helcius, filho do cirurgião plástico Ivo Pitanguy. Narcisa é madrinha do orfanato Lar de Narcisa, instituição localizada em Duque de Caxias e que atende 200 crianças pobres. Amigos há mais de vinte anos, Helcius conta que ela tem grande dificuldade para subir em barcos. "Sempre cai naquele vão entre o píer e a embarcação", revela.

Se a lista de quem a adora é imensa, a dos desafetos não é menor. A jornalista e ex-companheira de viagem Glória Maria acabou de ser transferida do primeiro para o segundo grupo. "Ela é uma chata", diz Narcisa, soltando uma de suas sonoras gargalhadas. "Ligava para minha casa mais de dez vezes por dia." Glória esquiva-se de fazer comentários. "Não quero falar sobre ela", diz. Narcisa queixa-se também do colunista Bruno Astuto, do jornal O Dia. Os dois dividiram por dois anos uma coluna social no jornal. No começo de 2006, ela foi demitida e Bruno passou a titular. "Ele é um traidor", afirma. "Não era nada quando me conheceu. Dormia na minha casa e dava aulas para as minhas filhas." Astuto diz não ter contato com ela há dois anos. "Quando me encontra em público, me desacata", conta. "Que Deus lhe dê mais serenidade e menos loucura na vida."

Retoca o batom mais uma vez e lembra que o cantor Seal iria se apresentar na cidade no dia seguinte. Telefona para uma revista de celebridades e pede convites para o camarote vip. "Puxa, vocês não me convidam para nada!", reclama. "Mas lembram sempre da minha janela para fotografar os famosos do Copa, né?" Ela desliga com a promessa de conseguir seis convites. Não conseguiu. Diz que os fotógrafos vão perder a vista privilegiada para a piscina do Copa. É da janela que ela grita, com o auxílio de um megafone, para chamar os amigos – e os nem tão amigos assim – que se hospedam no hotel. "Chamei o Mick Jagger, a Hebe e o Jô Soares", diz. "Aliás, se não grito pelo Jô, ele logo pergunta se eu o esqueci." Mais batom. Convida a amiga Isis, mulher de Carlos Monte Verde, filho da milionária brasileira Lily Safra, para acompanhar a entrevista e explica o motivo de estar solteira. "Está difícil encontrar homem legal no mercado", afirma. "Os poucos que tem estão virando gays." Sexo, diz ela, não é problema. "Tenho um amigo só para isso", confessa. "Mas ele é muito chato. Só serve para transar mesmo."

Está solteira desde 1995, quando se separou do empresário Caco Johannpeter, herdeiro do Grupo Gerdau e pai da caçula, Catharina, de 17 anos. Os dois conservam uma relação amistosa. Bem diferente da que tem com Boninho, diretor da TV Globo e pai da mais velha, Marianna, de 22. As filhas não moram com ela. A mais nova fica em São Paulo com o pai e a primogênita mora sozinha no Rio. "Caco é gente boa. Se preciso de grana, ele me ajuda", diz ela. "Já o Boninho não. Tive de entrar na Justiça para ele pagar pensão." O diretor do Big Brother Brasil recusa-se a falar sobre a ex. "Não quero participar dessa matéria", diz. Narcisa contratou um advogado, mas ela mesma, em tese, poderia ter defendido a causa. Formada em direito pela Universidade Cândido Mendes, trabalhou no Tory Tory DesLauriers & Binnington, um respeitado escritório com sede em Toronto, no Canadá. "Minha família queria que eu tivesse uma vida careta", conta. "Concordei por um tempo. Fiz concurso para juíza três vezes, mas não passei. Gosto mais de comunicação." Em 1992, matriculou-se no curso de jornalismo da Faculdade da Cidade. Alguns colegas de turma juram que ela levava uma secretária para fazer as anotações das aulas. Ela nega. Faltando três matérias para terminar, foi expulsa porque adulterou a lista de presença. "O motivo foi ridículo", explica. "Só porque mudei um F de falta para P de presença." Para afastar o mau-olhado, tem uma receita infalível: banhos de água benta. Da Catedral de Saint Patrick, em Nova York. "É mais poderosa", garante. E volta a retocar o batom.

 

 

Uma moça-família

COM OS EX
Aos 18 anos, casou-se com Boninho, atualmente diretor da TV Globo (à esq.). Da união de quatro anos nasceu Marianna. O segundo marido foi um dos herdeiros do Grupo Gerdau, Caco Johannpeter, pai da caçula, Catharina

COM AS FILHAS
Marianna (à esq.) e Catharina não moram com a mãe. A mais velha estuda psicologia no Rio e a caçula fica em São Paulo com o pai. "Ela adora montar, e os cavalos estão todos lá", explica Narcisa 

Fotos Álbum de família

COM 1 ANO DE IDADE
Narcisa nasceu rica. O pai, Mário Tamborindeguy, foi deputado federal e deixou apartamentos, postos de gasolina e fazenda de gado. O lado materno também é abastado. Seu avô foi pioneiro na prospecção de petróleo em Campos


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