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02 de Abril de 2008Cidade
Cinco-estrelas às escuras
A reabertura do hotel Meridien,
em Copacabana, vira uma incógnitaPatrick Moraes
André Valentim
O imóvel: fechado desde agosto de 2007, seria reaberto neste ano sob administração da rede Iberostar. Até agora... Um dos símbolos de sofisticação carioca nos anos 70 e 80 – quando viveu seu apogeu com a filial da famosa boate parisiense Regine’s e as inovações gastronômicas do Le Saint Honoré, sob a chancela do incensado chef francês Paul Bocuse –, o prédio que abrigou o célebre hotel Le Meridien, o mais alto da orla de Copacabana, está com as luzes apagadas há oito meses e não tem previsão de voltar a acendê-las. Dos 400 empregados que circulavam por seus corredores, apenas vinte continuam lá, cuidando da segurança e da manutenção do imóvel.
O edifício virou alvo de um impasse entre a proprietária Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, e a Iberostar, rede espanhola de hotéis que no início do ano passado ganhou a concorrência para explorá-lo. Há divergências sobre o orçamento para as reformas do prédio, atualmente paradas. A Previ já investiu cerca de 15 milhões de reais em obras nos elevadores de serviço, escadas rolantes e centrífugas de ar-condicionado. O grupo hoteleiro pede um adicional entre 30 milhões e 50 milhões de reais para a readequação do hotel, de 37 andares e 496 apartamentos, ao padrão da rede. "Queremos transformar um Fusca 75 num carro de colecionador", compara com algum exagero Orlando Giglio, diretor de marketing da Iberostar no Brasil. "Essas reformas farão o imóvel ganhar valor. São boas também para seus donos."
A Previ admite a negociação com a Iberostar, mas acredita que, pelo vulto da obra, o acordo ainda deve levar tempo. Com a demora para a reabertura do hotel, criou-se uma saia-justa. O contrato assinado estabelece que o fundo de pensão tenha participação nos lucros do empreendimento. Ninguém é capaz de prever uma data para a reabertura do hotel, que perde receita e vê seus clientes e as operadoras de turismo migrar para outros estabelecimentos. "É muito difícil que ele entre em funcionamento neste ano, pois a partir do momento em que for feito o acordo serão necessários mais dez meses de obras", calcula Giglio. "É claro que ver o hotel fechado cria uma ansiedade enorme. Se fosse nosso, já teríamos completado a reforma, mas temos de aguardar a Previ."
Bia Parreiras
O salão do restaurante Le Saint Honoré, no 37º andar: no cardápio, criações do chef Paul Bocuse Embora a questão seja delicada, as duas partes evitam falar em rompimento. "De nosso lado, manteremos o contrato", afirma Giglio. A Previ quer ter garantias de uma boa gestão dos investimentos. Um aporte substancial no hotel diminuiria sua rentabilidade no imóvel. Esse é um ponto-chave para os gestores, num momento em que a Previ tenta diminuir seus prejuízos com a administração do complexo de hotéis e pousadas na Costa do Sauípe, na Bahia.
No mercado hoteleiro, correm rumores de que a cadeia americana Starwood – detentora da marca Le Meridien – estaria disposta a recuperar os direitos de concessão do prédio, depois de ter sido derrotada na concorrência no fim de 2006. O hotel voltaria a funcionar sob a bandeira do grupo Sheraton, que também pertence à rede. Os representantes da Starwood no Brasil afirmam que não houve nenhuma abordagem à Previ. Enquanto o impasse não se resolve, o antigo marco da hotelaria carioca, inaugurado em 1975, espera a volta dos dias de glamour.