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26 de Março de 2008Lazer
Arquibaldos de botequim
Com programação paga, bares
ganham público na hora do futebolPatrick Moraes
Marcos Pinto
Parece Maracanã: no Leblon, músicas, gritos e muita comemoração para acompanhar os jogos do campeonato carioca Já não tremem como antes as arquibancadas do Maracanã. Com mais equipes pequenas no torneio e ingressos caros – entre 20 e 120 reais, dependendo do setor –, o campeonato estadual do Rio de Janeiro viu o público minguar: até agora, houve uma queda de 26% na média de espectadores em relação ao ano passado. A paixão pelo futebol, no entanto, não diminuiu. Só trocou de endereço. Os bares que oferecem a seus clientes jogos exibidos pelo sistema pay-per-view estimam o aumento da clientela em até 30% durante as partidas. "Prefiro acompanhar daqui e deixar para ir ao estádio nos jogos mais importantes", diz o administrador de empresas Rafael Gianinni, que viu a vitória do Botafogo sobre o Flamengo por 3 a 2, no domingo (16), em um dos vários bares da Rua Conde de Bernadotte, no Leblon. "E aqui ainda tem a mulherada", completa. Ao lado, o dentista Nassim Spritzer enumerava a praticidade de ir até lá quando a bola começa a rolar: "Não tenho de pagar pelo jogo, convidar os amigos, comprar cerveja, providenciar a carne do churrasco e lavar aquele monte de louça suja ao final. Quando termina, peço a conta e vou embora".
Num raio de 100 metros, mais cinco estabelecimentos transmitiam o clássico para cerca de 300 freqüentadores e para outras dezenas de bicões que esticavam o pescoço na calçada. Músicas e gritos davam um clima de estádio à galeria que concentra os botecos. "As pessoas torcem juntas e até brincam com os rivais", conta Mariano Souza Ferreira, um dos sócios do Botequim Informal. "E jamais houve caso de confusão."
Na Cobal do Humaitá, outro reduto de bares, o público é mais jovem. Numa pizzaria, alunos do Colégio Nossa Senhora de Lourdes, com idade entre 14 e 15 anos, assistiam ao jogo juntos. "Não posso ir a todas as partidas. Tenho de economizar para as finais", explicava o alvinegro Victor Soares Siqueira. "Meu pai não me deixa ir a alguns clássicos no Maracanã. Então venho sempre para cá", admitia Gabriel da Cunha Castro, torcedor do Fluminense, que aproveitou a partida para encontrar os amigos de escola e secar o rubro-negro.
Bares e restaurantes têm um pacote próprio de jogos por assinatura desde 2003. Ele custa 165 reais por mês, o dobro do cobrado das pessoas físicas, e inclui, além dos canais básicos da Net, as partidas do campeonato estadual e do brasileiro. "Mais do que no dinheiro, estamos interessados é na visibilidade que o produto tem quando está exposto nos bares", afirma Fernando Magalhães, diretor de programação da Net.