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25/11/2009
Negócios

Racha no mundo do luxo

Mariana Amaro

A discreta disputa entre os shoppings Leblon
e Fashion Mall para conquistar a clientela
de alto padrão da cidade

Fotos Fernando Lemos

Shopping Leblon: grande afluência
de público fez a Chanel escolhê-lo


Uma guerra aberta, espalhafatosa, não seria nem um pouco adequada. No mercado destinado à clientela de luxo, em que as aparências são determinantes, brigar aos olhos de todos é tão condenável quanto servir vinho ordinário. Como ensinava uma embaixatriz dos tempos de ouro da diplomacia brasileira no circuito Elizabeth Arden — Roma, Paris, Londres e Nova York: "Corta-se a cabeça do adversário, mas ele só perceberá isso quando for ajeitar o travesseiro para dormir". Nesses termos está sendo travada a batalha de bastidores entre dois dos maiores shoppings do Rio: o Shopping Leblon e o São Conrado Fashion Mall. O mais recente capítulo foi a disputa pela primeira loja da grife Chanel no Rio. Ao longo dos últimos meses, os dois estabelecimentos esgrimiram propostas e contrapropostas. A decisão final veio recentemente. A marca francesa, sinônimo do bom gosto clássico, preferiu o local com maior afluência de público. Com obras em andamento, a Chanel do Shopping Leblon vai abrir suas portas no primeiro semestre de 2010. No início, serão vendidos apenas cosméticos e perfumes, mas em seguida virão os acessórios.

A existência de dois grandes shoppings de luxo na cidade é uma clara demonstração de uma economia em expansão, na qual os pobres ficam menos pobres e os ricos mais ricos. Desde 2003, o mercado de alto padrão carioca cresce consistentemente, tendo se consolidado no plano nacional como o segundo maior do país, atrás apenas de São Paulo. Não é pouca coisa. Em números atualizados, a indústria do setor movimenta por aqui cerca de 1,2 bilhão de dólares ao ano. Boa parte dessa pujança coincide exatamente com a inauguração do Shopping Leblon, em dezembro de 2006. Posicionado como um centro comercial sofisticado, o empreendimento entrou em confronto com o Fashion Mall e ambos passaram a reduzir aluguéis, oferecendo vantagens para que grifes nacionais e estrangeiras se instalassem em seus domínios. Nos últimos tempos, o rival mais novo tem levado certa vantagem. A italiana Ermenegildo Zegna, que desde 2002 funcionava no São Conrado, mudou-se para o concorrente, logo após sua abertura. Aparentemente, a mudança teve efeitos positivos. "As vendas aumentaram 15%", afirma Alberto Candelloro, diretor da grife na América Latina.

Embora desejem o mesmo público, os dois shoppings são bastante distintos (veja o quadro abaixo). Com quase o dobro do tamanho do concorrente e localizado em área mais nobre, o Shopping Leblon é, digamos, o representante de um luxo bem carioca. Apesar de ser o ponto de marcas como a própria Zegna e Salvatore Ferragamo, as pessoas andam pelos corredores de maneira informal, de bermuda e chinelos, muitas vindas diretamente da praia. No São Conrado, o clima é outro. A maioria dos frequentadores vem de carro e se veste de maneira bem mais sóbria. Para se ter uma ideia do poder de compra da clientela do lugar, 30% dos inscritos em seu programa de fidelidade gastam ali mais de 1 200 reais por mês. Uma segunda diferença marcante são as duas "praças de alimentação". No Leblon funcionam restaurantes e bares como Ráscal e Botequim Informal, de cozinha saborosa, porém menos requintada. No shopping de São Conrado, as atrações são a CT Brasserie, de Claude Troisgros (eleito o chef do ano pela edição especial "Comer & Beber" 2009 de VEJA RIO), o restaurante tailandês Sawasdee (o melhor asiático da cidade, na mesma edição) e a Enoteca Fasano.

Desde sua abertura em outubro de 1982, o São Conrado Fashion Mall reinou absoluto como único templo do luxo no Rio. E até hoje marcas importantes como Armani, Diesel e Bang & Olufsen estão instaladas por lá. A situação de predomínio absoluto mudou bastante com a chegada de um novo competidor, mas o shopping não está parado. Nos próximos meses, a administração do lugar pretende contra-atacar trazendo gigantes como a Porsche Design, conhecida por vender produtos como canetas e óculos, e a Ed Hardy, famosa por suas camisetas com estampas, muito usadas por celebridades. Na discreta rivalidade, ainda é cedo para dizer se algum dos dois vai prevalecer, mas um dado parece certo. Na concorrência pela clientela de alto padrão, o consumidor carioca sairá beneficiado. "A rivalidade só é ruim para os shoppings. Eles precisam se esforçar em dobro para conseguir uma loja exclusiva", diz Carlos Ferreirinha, da MCF, consultoria especializada no assunto. "Para o cliente, é ótimo." Em tempo: como "disputar" não é chique, os shoppings preferiram não dar entrevista para esta reportagem.


Fashion Mall: 30% de seus clientes gastam mais de 1 200 reais em compras por mês

 


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