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Home » Revista » Edição nº 1505 » Jesus no Paraíso
28/10/2009Perfil
Jesus no Paraíso
Alessandra Medina
Da vida sem luxos no Rio a personagem
vip internacional, conheça a trajetória
do modelo carioca que namora
a pop star Madonna
The Grosby Group
Jesus Luz e Madonna com os filhos da cantora Mercy e David: passeio em família
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Antes e depois do namoro com Madonna
Os místicos podem atribuir o enlace a um toque divino. Afinal, os personagens envolvidos são o modelo carioca Jesus Luz, 22 anos, e a megastar Madonna, 51. Os mais céticos devem achar que o encontro foi um golpe do destino. Fato é que a vida do rapaz sofreu uma guinada radical desde dezembro do ano passado, quando conheceu a cantora em uma sessão de fotos para a revista americana W. Como em um conto de fadas com papéis invertidos entre o príncipe encantado e a Cinderela, o namoro com a estrela lhe escancarou as portas para um novo universo: o das celebridades internacionais e da fama repentina. Filho de funcionário público com uma tinturista de cabelo e criado no Rio de Janeiro sem luxo algum, Jesus trata de curtir a nova fase. Já dividiu a passarela com Gisele Bündchen, estreou na Semana de Moda de Milão, tornou-se o rosto oficial da grife Dolce & Gabbana e recentemente ingressou na carreira de DJ – hoje é o discotecário mais bem pago do Brasil. Seu cachê, seja nas passarelas, seja nas pistas de dança, anda nas alturas. Contratado da Ford Models de Nova York, ele tem cobrado em torno de 200 000 reais por desfile. E, para animar festas e boates, exige nada menos que 40 000 reais por duas horas de show, o dobro da remuneração de um DJ bem-sucedido. "Eu vinha investindo na carreira de modelo havia três anos e estava meio desanimado com a profissão", disse ele a VEJA RIO, em uma de suas raras entrevistas. "Participar daquele ensaio mudou tudo."
Fernando Lemos
O prédio do Humaitá em que ele morou com a avó: simplicidade
Não há nessa declaração nenhum exagero. Antes de se envolver com a cantora, o jovem vivia uma existência espartana, desprovida de qualquer glamour – sina que o acompanhava desde o berço. Nascido na maternidade pública Pró-Matre, na Praça Quinze, no centro da cidade, Jesus Pinto da Luz logo se acostumou a privações. Sem dinheiro para bancar um apartamento, a família se viu obrigada a morar durante dez anos na casa da avó paterna, Ana Maria. Primeiro, em Petrópolis, região serrana do Rio. Depois, no bairro do Grajaú. Mais recentemente, Jesus e sua avó moravam num prédio simples do Humaitá. Hoje, ele e a mãe, Cristiane, estão confortavelmente instalados em um apartamento em Ipanema. "Meu neto sempre foi um doce de menino. Nunca reclamou de nada", conta a avó Ana Maria. Com o orçamento apertado, sua formação escolar deu-se com sacrifício. Ainda menino, ele estudou na unidade Engenho Novo do Colégio Pedro II, uma instituição pública de prestígio. O jeito brincalhão e indisciplinado do garoto marcou a memória de muita gente. "Ele matava aula para ir jogar bola na praia", recorda, aos risos, o colega de turma Bruno Marcolino. "Tinha ótimo coração, mas falava muito e tumultuava as aulas", lembra o diretor da escola, Jorge Dimuro. Dono de um boletim repleto de notas vermelhas, o mau aluno foi reprovado duas vezes e acabou expulso, em 2003. Na época, os pais já estavam separados e ele, resignado, mudou-se com a mãe para Laranjeiras. Terminou o ensino médio no colégio particular Pinheiro Guimarães, estabelecimento conhecido por abrigar estudantes que fracassaram em outros lugares e pelas mensalidades mais baratas.
As adversidades não despertaram no modelo o sentimento de querer vencer pelo trabalho duro. Ao contrário. Jesus sempre pareceu pouco preocupado em perseguir objetivos de longo prazo. Antes da fama, chegou a cursar teatro no Centro de Artes de Laranjeiras e iniciou a faculdade de hotelaria, mas desistiu de ambos. Seu perfil era mais relaxado, seguidor da linha "lei do menor esforço". Quando começou a circular sozinho pela cidade, o passatempo preferido – até porque nada dispendioso – era ir à Praia de Ipanema. Foi lá que conheceu Danilo Calmon, 20 anos, e Bruno Carvalho, 23, grandes amigos até hoje. Nos tempos de vacas magras, o trio malhava junto nos aparelhos de ginástica da Praia do Arpoador, corria na areia e saía para dançar funk na Lapa. "Quando ele não tinha dinheiro para curtir a balada, eu pagava", revela Danilo. Como o jogo virou, o amigo famoso trata agora de retribuir a benevolência do parceiro de balada. "Não meto mais a mão no bolso", diverte-se Danilo.
Generoso, hoje Jesus banca, também, os cursos de música e inglês de seus dois meio-irmãos, Douglas, 14 anos, por parte de mãe, e Frederico, 10, pelo lado do pai. Mesmo sem grana, ele nunca precisou se esforçar muito para ganhar a simpatia feminina. "Na maioria das vezes, não precisava falar nada. Elas viam sua tatuagem nas costas (detalhe: andava sempre sem camisa) e logo puxavam papo", entrega Danilo. Antes da cantora, porém, ele afirma ter namorado firme apenas três vezes: com as atrizes Catharina França e Krishna Siqueira e com a estudante Mariana Carvalho.
A carreira de modelo aconteceu por obra, graça e esforço de sua mãe. Zelosa e confiante em que o caminho de Jesus era o estrelato, Cristiane descobriu que uma das clientes do salão trabalhava numa agência. Na cara de pau, pediu uma chance para o filho. No dia seguinte, meio contrariado, ele foi ao escritório da 40 Graus. "Eu sabia que Jesus ia fazer sucesso", diz seu primeiro booker, Sergio Mattos. Olhada em retrospecto, foi uma previsão bastante otimista. Seu primeiro trabalho, um editorial para o site do cabeleireiro Neandro Ferreira, não lhe rendeu um centavo sequer. "Era bonito, mas não levava a profissão a sério", entrega uma pessoa do ramo. "Nem sequer possuía um composite (ficha de apresentação). Deixava fotos sem qualidade em todas as agências e estava interessado mesmo na badalação." De fato, são poucos os trabalhos de relevância naquele período. Em 2007, chegou a desfilar para a grife Reserva no Fashion Rio. Mas foi só. Como a carreira não decolava, Jesus mantinha em paralelo bicos dos mais variados. Foi vendedor de loja, promotor de eventos e figurante de novelas, função na qual faturava 60 reais por doze horas de jornada. "Aqui ele era carinhosamente chamado de embelezador de salão", lembra Ana Paula Azeredo, gerente da loja Osklen da Praça Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, onde o rapaz trabalhou por um breve período em 2007. "Quando os vendedores estavam ocupados, pedia a ele para ficar lá enfeitando o ambiente."
A redenção para esse moreno de cabelos crespos, olhos azuis, 1,82 metro e uma autopropaganda tatuada nas costas – "Jesus Luz" – veio como fruto do acaso. E o momento-chave foi o ensaio fotográfico realizado em dezembro de 2008 no Hotel Glória. Na ocasião, ele não figurava no primeiro escalão de modelos pré-selecionados, entre os quais Rodrigo Hilbert e Cauã Reymond, todos recusados pelo pessoal da produção após um teste. No desespero, a agência 40 Graus despejou, então, todo o seu elenco de contratados, e adivinha justamente quem caiu nas graças do fotógrafo americano Steven Klein e sua equipe? Enquanto aguardava o começo da sessão que iria mudar sua vida, Jesus ficou deslocado em meio aos outros escolhidos, todos bem mais rodados. Rômulo Pires, Felipe Aníbal e Miro Moreira conversavam sobre viagens internacionais, festas e restaurantes descolados. Na hora dos cliques, o panorama mudou. Steven Klein solicitou ao quarteto que seduzisse a estrela. Por instinto, o mais inexperiente da turma se retraiu, mas sua timidez acabou chamando a atenção da cantora. Não demorou e os dois engataram uma conversa de pé do ouvido. O rapaz, que nos bancos escolares sempre ficou devendo, por sorte (ou será um milagre?) falava um bom inglês, fruto de seis meses que passou com uma tia nos Estados Unidos, em 2006. No dia seguinte, depois de outra rodada de fotos, Madonna o convidou para jantar. Foi o divisor de águas entre uma vida de moderação e uma encarnação no paraíso.
A partir daí, tudo mudou. As viagens internacionais tornaram-se frequentes, o dinheiro se multiplicou e uma legião de fotógrafos passou a persegui-lo. Jesus Luz vive hoje na ponte aérea Rio-Nova York, entre a residência da cara-metade em Manhattan e o apartamento da mãe, em Ipanema. Por onde passa, atrai atenção e, ultimamente, desenvolveu o hábito de contar fatos e episódios de sua vida em terceira pessoa: "Na hora de tocar para as multidões, eu não penso no Jesus nervoso". Tem insistido também em um discurso repleto de frases pseudoespirituais como "procuro não alimentar negatividade" e "quero manter o meu coração no lugar". Tal comportamento deve ser fruto da rotina incomum. O dia a dia ao lado de Madonna proporciona experiências que o carioca jamais pensou em experimentar. São jantares com personalidades mundiais, visitas a centros de cabala e... muitos sapos para engolir. Recentemente, para responder aos boatos de que estaria pensando em oficializar sua união com o novo namorado, a cantora deu uma declaração taxativa ao apresentador americano David Letterman: ela dizia preferir ser atropelada por um trem a ter de se casar novamente. "Adorei essa entrevista, não fiquei nem um pouco chateado", jura Jesus. "Afinal, também não tenho vontade de me casar. Sou muito novo."
Tirar proveito do namoro com uma personalidade mundial é uma estratégia muito utilizada por modelos em busca da fama – e a indústria de celebridades está repleta de trajetórias desse tipo, algumas bem-sucedidas (veja o quadro abaixo). Como a notoriedade pode ser passageira, os consortes tentam aproveitar a exposição meteórica aos holofotes para se promover. Após um grande período sem rumo, parece que Jesus finalmente acordou e encontrou um objetivo. Com o aval da superestrela, ele tem apostado firme na carreira de DJ. Durante três meses, foi presença constante no curso Dubspot, uma referência de música eletrônica nos Estados Unidos. Apesar da rala experiência com os pick-ups, sua agenda de apresentações está concorrida. Depois de uma estreia de gala, comandando o som na festa do publicitário Lorenzo Martone, noivo do estilista Marc Jacobs, ele tocou na boate Pachá, em Búzios, e, mais recentemente, no Ceará Music. Na semana passada, pela primeira vez no Rio, foi DJ na boate Boox, em Ipanema. Além de atuar em festas e passarelas, ele tem pensado em retomar algum curso de interpretação e andou pesquisando opções em Nova York. Esperto, sabe que o sucesso, cedo ou tarde, vai depender de seus próprios passos. E aí, então, as pessoas poderão descobrir se nosso milagroso Jesus tem luz própria ou não.
De aluno travesso a DJ famoso
Arquivo pessoal
Turma da bagunça: no colégio, Jesus (assinalado) incomodava
os professores. Acabou expulso
Fotos Jorge Bispo e Divulgação
Paixões de outrora: apesar do imenso sucesso que fazia
com o eleitorado feminino, o modelo carioca diz que só
teve três namoradas, entre elas Krishna Siqueira (à esq.)
e Catharina França (à dir.)
Fred Pontes
Ao lado da mãe, Cristiane, durante a festa na boate
Boox, em Ipanema: estreia como DJ no Rio
Rafael Campos
Agenda cheia: fazendo estilo com taça de champanhe
na mão durante exibição no Ceará Music
Steve Klein
O milagre: escolhido na última hora, fez fotos provocantes com Madonna para a revista W
Divulgação
Em setembro, acompanhou Madonna numa viagem
a Tel-Aviv: misticismo
André Batista/Divulgação
Bem penteado e barbeado em seu primeiro trabalho: foto para site de cabeleireiro
Elas aproveitaram os holofotes
O relacionamento com uma celebridade de fama planetária tem tudo para desencadear uma reviravolta profissional na metade mais obscura do casal. Que o digam as modelos Luciana Gimenez, Adriane Galisteu e Raica Oliveira. Elas souberam aproveitar a visibilidade instantânea e se reinventaram. Em abril de 1998, quando os Rolling Stones estiveram no Brasil pela primeira vez, Luciana era uma modelo sem grandes feitos no currículo. Conheceu o cantor Mick Jagger em uma festa no Rio e um ano e um mês depois nascia Lucas Jagger, fruto desse envolvimento. A moça virou alvo da imprensa internacional, soube capitalizar o assédio e tornou-se uma bem-sucedida apresentadora de TV. Mesmo ofício em que se destaca a modelo Adriane Galisteu. Em 1993, ela engatou namoro com o piloto Ayrton Senna, e desde então só viu crescer sua popularidade. A beldade niteroiense Raica Oliveira, ex-Ronaldo Fenômeno, tem história parecida. Ela namorou o jogador em 2006, período em que o craque disputou a Copa da Alemanha. À época, Raica trocou de agência em Nova York e definiu a temporada profissional como "excelente". Por motivos variados, os relacionamentos não prosperaram. Mas as carreiras, sim.
Fotos Thiago Bernardes, Chico Audi e Andre Schiliro
Luciana (à esq.), Raica (deitada) e Adriane: impulso
profissional após namorarem celebridades esportivas e do showbiz