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01/07/2009
Cidade

Tomara que dê certo

Depois de décadas de promessas, a revitalização
do porto começa a se tornar realidade

Patrick Moraes

André Liatzkowski
Vida nova: seis dos dezoito armazéns serão destinados a atividades culturais e de entretenimento; os demais vão continuar com atividade portuária

Bandeira da nova gestão municipal desde a época da campanha eleitoral, a reformulação da Zona Portuária ganhou fôlego com o lançamento oficial de projetos de infraestrutura, habitação e cultura. A primeira fase, a ser concluída em dois anos e orçada em 374 milhões de reais, engloba a reurbanização da área entre a Avenida Barão de Tefé e a Praça Mauá, com a construção de uma garagem subterrânea para 1 000 carros e a criação de duas atrações no espaço: a Pinacoteca do Rio, projetada para o Palacete Dom João VI, na Praça Mauá, e o Museu do Amanhã, nos armazéns 5 e 6, ambos em parceria com a Fundação Roberto Marinho. A segunda etapa, sem previsão de início, é mais ambiciosa e tem investimento estimado em 3 bilhões de reais. De acordo com a prefeitura, os recursos viriam da iniciativa privada, com a venda de títulos de direitos construtivos, oferecidos no mercado a empreendedores. Metade do valor seria gasta para demolir parte do elevado da Perimetral, entre o Mosteiro de São Bento e a Rodoviária Novo Rio, e construir um mergulhão no local. O restante, usado em obras de infraestrutura numa área de 5 milhões de metros quadrados que inclui Saúde, Gamboa, Santo Cristo, Cidade Nova e Leopoldina, e na atividade portuária.

Divulgação
Projeto: a demolição do elevado da Perimetral e a construção de atracadouros perpendiculares devem ampliar a vista da Baía de Guanabara

"Queremos melhorar o acesso ao porto e promover a requalificação urbana e turística da região", explica o prefeito Eduardo Paes, que, no entanto, reconhece que os empresários se mostram reticentes em investir no local. "Era preciso que lançássemos o projeto para despertar o interesse das empresas." Desde os anos 80, havia promessas de revitalização da Zona Portuária, porém nunca levadas a cabo. Especula-se que companhias como a Vale, WTorre, Lojas Americanas e Oi possam ocupar prédios ali. Um aquário de grandes dimensões é outra aposta turística para a área. Paes afirma que o local pode ser uma opção para o Instituto Europeu de Design (IED), que deveria ocupar o prédio do Cassino da Urca, mas foi proibido pela Justiça. "Não quero perder o IED de jeito nenhum. Ele é um golaço para o Rio", diz o prefeito. "O porto é uma opção moderna, interessante para eles."

Em fase de restauração, os armazéns sinalizam a reestruturação da região. Os dois primeiros, já prontos, receberam há duas semanas uma elogiada edição do Fashion Rio. Em março será realizado ali o Foro Urbano Mundial, com representantes de 160 países. O projeto lançado pela prefeitura prevê que nos galpões e no Píer Mauá haverá bares, restaurantes e atividades de entretenimento. Preocupada em não atrapalhar a vista para a Baía de Guanabara, a Companhia Docas estuda a construção de três atracadouros perpendiculares ao cais nos armazéns 3 e 4, onde se realizariam o embarque e o desembarque de passageiros. O Museu do Amanhã ocuparia os galpões 5 e 6, além do prédio da Polinter, do outro lado da Avenida Rodrigues Alves. Os doze depósitos restantes permanecem voltados para a atividade portuária, por onde passam anualmente 8 milhões de toneladas de carga. Para facilitar o escoamento da produção, está em construção uma alça rodoviária que ligará o terminal de cargas à Avenida Brasil, na altura de Benfica.

A transformação do Píer Mauá, cedido pela União à prefeitura, deve ser concluída em um ano. A Pinacoteca do Rio, com conclusão prevista para o fim de 2011, exibirá algumas das maiores coleções particulares de arte da cidade. "Queremos fazer dela um espaço para exposições-diálogos entre artistas nacionais e estrangeiros", conta Hugo Barreto, secretário-geral da Fundação Roberto Marinho. "Fora isso, pretendemos criar uma exposição permanente sobre a história do Rio." Já o Museu do Amanhã, prometido para 2013, será voltado para as relações do homem com a natureza, com discussões sobre sustentabilidade, mudanças climáticas, fontes alternativas de energia e forte presença interativa. Agora é torcer para que os projetos se tornem realidade.


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