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03/06/2009
Comidinhas

Alta gastronomia de boteco

Receitas e visual caprichados inovam a culinária mais típica da cidade

Livia de Almeida

Fernando Lemos
Muçuã de botequim do Mas Será o Benedito: músculo desfiado e bem-arrumado com farofa (R$ 18,90)

O bolinho de bacalhau, é claro, continua no cardápio. Mas os tradicionais botecos da cidade descobriram que aliar inovação e apresentação caprichada pode ser uma maneira eficiente de abrir o apetite da freguesia. "A gente saboreia primeiro com o olhar", constata Kadu Thomé, sócio do Bracarense, no Leblon, que acaba de abrir na Lapa o Mas Será o Benedito, com menu que une petiscos habituais e as chamadas releituras bem transadas de comidas de boteco. Um corte como o músculo, por exemplo, não costuma empolgar a maioria das pessoas, mas na versão da chef Nadja Pimentel, do Benedito, virou sucesso: a carne refogada é cuidadosamente desfiada e arrumada, recoberta por uma camada de farofa salpicada com pedaços de castanha-do-pará, torradinhas e molho à campanha. Batizado de muçuã de botequim (R$ 18,90), o prato é lindo de ver e tentador. Outras casas apostam na adaptação de receitas internacionais como tira-gostos. Na Cobal de Botafogo, o Joaquina tem camarão oriental (R$ 18,90), em molho de gengibre e shoyu, servido com cesta de pães, e polenta frita com molho funghi (R$ 12,00) na extensa carta de porções.

Leo Martins
Bolinho de feijão-branco com rabada e agrião (R$ 20,00): uma das onze novas atrações do Aconchego

"Boteco também é lugar para ousadia e experimentação", afirma a chef Kátia Barbosa, do Aconchego Carioca, na Praça da Bandeira, escolhido como a melhor cozinha de bar pelo júri de gastronomia de VEJA RIO no ano passado. Kátia agora tem uma cozinha experimental instalada em um sobrado ao lado e passa longas horas lá dentro às voltas com os ingredientes. "Quando me afasto, chego a ficar mal-humorada", diz. Nos últimos tempos, incluiu onze receitas novas no menu, ao lado do já clássico (e imitado) bolinho de feijoada que encantou chefs como Claude Troisgros e Flávia Quaresma. Com feijão-branco, fez a massa de um bolinho leve e crocante, recheado com rabada (R$ 20,00 a porção com seis). Para a segunda edição do Festival Comida di Boteco, que acontece na cidade até o fim de junho, criou uma moquequinha de camarão com coco-verde, leite de coco e dendê, servida numa tigelinha delicada sobre uma camada de purê de batata-baroa (R$ 12,00). Um mimo. Experiências também acontecem com frequência na cozinha do Original do Brás, botequim de Brás de Pina, na Zona Norte, que venceu o Comida di Boteco no ano passado com um bife à rolê cozido na cerveja escura, empanado com massa cabelinho de anjo, para ficar crocante, e servido em barquete de fubá (R$ 14,00 a porção com quatro unidades). "Foi uma maneira de transformar em aperitivo e dar bossa ao bife à rolê, receita tradicional dos botequins", diz o dono da casa, José Carlos Garcia. Criatividade não falta.

Camarão oriental do Joaquina (R$ 18,90): petisco com shoyu e gengibre

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