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29/04/2009
Perfil

Menino Veneno

Bruno Astuto vai às melhores festas, sabe quem está namorando quem, descobre os segredos mais bem guardados e conta tudo em sua coluna social no jornal O Dia

Cristina Grillo e Letícia Pimenta

O colunista, na varanda do restaurante Fasano Al Mare: "Não estou sempre no lugar certo na hora certa. Também estou em muito lugar errado na hora errada, mas isso não sai na coluna"

Ao pegar um táxi na saída de uma das muitas festas que frequenta todas as semanas, o colunista social Bruno Astuto levou um susto. O motorista pediu para tirar fotos ao seu lado e confessou ser leitor assíduo de Página 3, a coluna que ele assina no jornal O Dia desde agosto de 2006. "Ele disse que meu trabalho era seu ganha-pão", conta Bruno, que detesta dirigir e só anda de táxi. "Explicou que vai às festas que menciono e fica estacionado esperando passageiros, porque sabe que ali vai estar lotado." Com desenvoltura para circular e ficar amigo de celebridades e grã-finos do Rio e de São Paulo, ele tornou-se um grande colecionador de furos, como são chamadas as notícias dadas com exclusividade. Suas notas bem-humoradas, com doses de veneno, chegaram a repercutir no exterior – como, por exemplo, quando noticiou que a modelo Naomi Campbell estava namorando o multimilionário russo Vladimir Doronin; que a modelo Brenda Costa esperava um bebê de Karim Al-Fayed, herdeiro da Harrods; ou que Madonna havia encontrado Jesus, o modelo. Criou ainda bordões que caíram no gosto de seus leitores: "Beijo, me liga", no fim da coluna; "é dura a vida da bailarina", quando relata os eventos de uma noitada; ou ainda "não sou pastor, mas agradeço àqueles que me seguem", usado ao divulgar uma informação em primeira mão que, depois, poderá ser publicada por outros veículos.

Estiloso: de terno e com uma clássica bolsa Dior

Mas nada vem fácil. Bruno Astuto Amendola sai todas as noites, viaja muito, jamais desliga o celular e não tira férias há três anos. "Google e telefone não resolvem minha vida", diz. "Tenho de estar na rua para arrumar notícias." Isso significa muitas vezes voltar para casa quando o dia está clareando. Postou às 5h30 da manhã em seu blog que havia acabado de testemunhar a troca de tórridos beijos entre Madonna e Jesus Luz na festa organizada para a artista em São Paulo. "Era o único jornalista lá. Fiquei sentadinho em frente a eles, ela no colo dele o tempo todo, e eu fingindo que aquilo tudo era normal." Tomou um susto quando, ao se mexer para atender o celular, os seguranças da cantora levaram as mãos ao peito, como se fossem sacar armas. "Eles pensaram que era uma câmera. Imagina, levar um tiro por causa da Madonna!"

"Bruno é uma máquina de trabalhar. Daí a explicação para o seu sucesso", afirma o publicitário e amigo Nizan Guanaes. "É o colunista ponte-aérea, porque tem um trânsito inquestionável entre Rio e São Paulo." Nizan é padrasto de uma das personagens favoritas do colunista: a jovem e linda Helena Bordon, filha de Donata Meirelles e namorada do ator Bruno Gagliasso – outra notícia exclusiva dada na Página 3. A bela paulistana levou o jornalista a criar mais um termo: as heleninhas. "Elas são diferentes das patricinhas", explica. "As patricinhas vão ao shopping passear e comprar; as heleninhas vão porque são donas das lojas."

Escândalos envolvendo famílias ricas e bem-sucedidas também têm lugar cativo nas suas notinhas. Em outubro de 2006, ele divulgou o relacionamento extraconjugal entre a socialite Cláudia Faissol e o cantor João Gilberto, que tiveram uma filha em 2004. No começo deste mês, a família Faissol voltou às páginas: Bruno noticiou que Heloísa, irmã de Cláudia, havia trocado os salões da alta-roda pela carreira de cantora de funk. O único processo que sofreu veio de uma jovem atriz, cujo nome ele não diz ("Não vou começar tudo de novo, não é?"). Ela havia sido fotografada pelo americano Terry Richardson em 2007 para o livro Rio Cidade Maravilhosa, com imagens picantes de celebridades brasileiras. O colunista, sempre ele, acompanhou os bastidores do ensaio e contou tudo em O Dia. "Eu disse que ela tinha feito fotos sensuais e ela não gostou", relembra. "Quando saiu o livro, a foto sensual estava lá!" A moça perdeu a ação.

Aos 30 anos, Bruno é bem mais discreto do que já foi. Seu figurino incluía longos caftãs, colares, turbantes e uma coleção de 200 bolsas grifadas – Dior, Hermès, Corto Moltedo –, que se tornaram sua marca registrada. "Já consegui notas maravilhosas por causa delas", garante. "As pessoas chegam perto, dizem ‘que gracinha sua bolsinha’, e pronto, viram amigas e contam tudo." A mudança veio, segundo ele, naturalmente. "Nunca houve pressão, só acho que não preciso mais disso."

No mundo do high society internacional, Bruno também circula. Em julho de 2008, arrastou uma leva de brasileiros para a hiperbadalada festa do hotel Royal Monceau, em Paris, que, antes de ser reformado pelo designer Philippe Starck, foi totalmente destruído, a marretadas, pelos convidados – uma seleção que ia do príncipe Andrea Casiraghi, de Mônaco, ao ator Jude Law, passando pela princesa alemã Gloria von Thurn und Taxis e pelo rapper americano Kanye West. "Foi a festa mais louca que já vi", confessa. O hotel pertence ao empresário francês Alexandre Allard, que há três anos assumiu o controle da tradicional grife Balmain. Allard, vejam só, é compadre de Bruno, e o fez membro do conselho da marca. Os dois se conheceram em 1993, na festa de réveillon organizada pela socialite Madeleine Saade em seu apartamento no Edifício Chopin, em Copacabana. Ficaram tão amigos que, tempos depois, o francês convidou o brasileiro para ser o padrinho de seu filho, Sacha, hoje com 7 anos. "Ele é como se fosse da minha família", afirma Allard. "Mas às vezes acho que meu filho é quem é o padrinho dele."

Na festa parisiense, diante de tantas celebridades e figurões da alta sociedade, baixou pela primeira vez um momento como-vim-parar-aqui?. "Nasci no Grajaú (Zona Norte). Não era para eu ser colunista social e frequentar o high society", brinca. "Mas não me deslumbro. Sei que é efêmero." Amiga íntima do colunista, Glória Maria é uma das poucas que o acompanham em suas viagens mundo afora. "Somos tão irmãos que, quando viajamos, dormimos no mesmo quarto", revela Glória, a quem ele – que se recusa a falar de seus relacionamentos amorosos – jura ter pedido em casamento. Outra amiga próxima é a artista plástica Christina Oiticica, mulher do escritor Paulo Coelho. Em 13 de maio, dia de Nossa Senhora de Fátima, os dois têm um compromisso. "Vamos fazer parte do Caminho de Santiago de Compostela a pé, para agradecer a nosso guia e protetor", conta Christina. Glória e Christina estão entre as poucas que conhecem outra faceta da vida de Bruno. Duas vezes por semana ele passa as manhãs na escola Nosso Mundo, na Tijuca, fundada por sua madrasta, Angélica Wantuil, há 35 anos. Lá são atendidos 57 alunos excepcionais, com síndromes variadas e idades que vão de 1 a 75 anos. Emi, 52 anos, filha de Angélica e portadora da síndrome de Down, motivou a abertura da instituição. "A escola me deixa com os pés no chão e preenche meu coração", diz ele. Não é jogo de cena. Quando chega lá, é evidente a alegria dos alunos. Ele é abraçado, beijado, agarrado...

Filho de professores, Bruno tem uma história familiar complicada. Aos 4 anos, perdeu a mãe, Vera, vítima de câncer. Aos 10, seu pai, Ettore, morreu de infarto. Durante dois anos sua guarda foi disputada pelo irmão por parte de pai, Alexandre, e pela tia, Iva Amendola Maia, 79 anos, com quem vive até hoje em um apartamento na Lagoa. "Já falei para ele sair de casa, ter o canto dele, mas ele não quer", diz a tia. Aluno aplicado do tradicional Colégio São Bento, ele dava aulas particulares aos colegas e, com o dinheiro, comprava livros em francês, seu idioma preferido – também fala inglês, alemão, espanhol e italiano. A vida de festeiro começou cedo: aos 12 anos já entrava nas matinês do Resumo da Ópera, boate badalada nos anos 90. Na famosa Hippopotamus, reduto dos ricos e bem-nascidos cariocas, conheceu Narcisa Tamborindeguy. Viraram unha e carne. Bruno passou a dar aulas para as duas filhas da socialite: Marianna, de seu casamento com o diretor da TV Globo Boninho, e Catharina, com o empresário Caco Johannpeter, um dos herdeiros do grupo Gerdau. Em pouco tempo, ganhou mais alunas nascidas em berço de ouro, passou a ir às melhores festas da cidade e abastecer colunas sociais com informações sobre o que via. Em 2004, virou assistente de Narcisa na coluna semanal Ai, que loucura!, do jornal O Dia. Dois anos depois a socialite foi demitida e Bruno passou a titular. A amizade de treze anos acabou, com a ex-chefe acusando o ex-subordinado de tê-la derrubado. Passados quase três anos, nenhum dos dois gosta de tocar no assunto. Procurada por Veja Rio, Narcisa não quis fazer comentários. Bruno, que passou algum tempo temendo encontrá-la nas festas, com receio de escândalos públicos, esquiva-se de polêmicas. "Só guardo as boas lembranças. Não tenho mágoas. Foi bom enquanto durou."

A colunista Hildegard Angel, do Jornal do Brasil, é outra que se queixa do concorrente. "Antes de ser colunista, Bruno foi minha fonte", diz a jornalista. "Mas uma amiga me ligou contando que ele recebeu dinheiro para emplacar uma notícia na minha coluna e eu fiquei decepcionada." Bruno irritou-se com a declaração. "Fiz alguns trabalhos como assessor de imprensa e produtor de eventos antes de trabalhar em jornal. Hilde chegou a sugerir que eu abrisse um escritório", conta. "Acho que ela ficou triste com meu sucesso, mas desejo a ela o melhor."

Se alguns o criticam e até levantam tais suspeitas contra ele, não lhe faltam defensores. "Ele tem mil qualidades e ainda é muito novo", diz a socialite Andréa Dellal. A estilista Lenny Niemeyer é outra fã. "Viajamos juntos em setembro do ano passado. Foram os melhores dias que já tive em Paris", afirma. Até a arredia modelo inglesa Naomi Campbell derrama-se: "A preocupação dele com o Rio é emocionante. Foi ele quem me convenceu a participar, no ano passado, da campanha contra a dengue". Bruno, de fato, quer ver a cidade no topo das manchetes – com boas notícias, é claro. "Tem gente que faz patrulha ideológica porque eu vivo no mundo dos ricos", queixa-se. "Mas eu quero que essa cidade seja muito rica, quero que todos apostem nela. Os cariocas não podem ficar ranzinzas!"

 

Entre festas e tititis

Durante o Rio Summer, em novembro de 2008, com o estilista Valentino: "Já me aboletei várias vezes, no frio em Paris, pedindo por favor para entrar nos desfiles dele. Algumas vezes conseguia, outras não. Agora sou convidado"
Tempos idos: com a ex-chefe e ex-amiga Narcisa Tamborindeguy, quando ela ainda era a titular da coluna e ele usava pérolas e maquiagem
Em primeira mão: Bruno revelou o namoro, o casamento e a gravidez do casal Karim Al-Fayed, herdeiro da loja Harrods, e Brenda Costa, modelo brasileira
Toda noite, uma festa: o colunista em jantar na casa da socialite Fátima Otero com as amigas Andréa Dellal, Diane von Furstenberg e Marcela Virzi
Com o designer de sapatos Christian Louboutin, no Rio:
"Já havia conversado com ele uma vez em Paris, mas aqui ficamos amigos"


Aventuras e devoções

Peregrinação: em frente à igreja de Nossa Senhora de Eunates, no Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha, aonde costuma ir com a artista plástica Christina Oiticica
No Marrocos, de caftã: "Escrevi minha coluna de lá, numa tenda no meio do deserto"
Ao lado da tia Iva, que o cria desde os 10 anos: "Ela me fez estudar direito e eu me formei. Mas tenho pavor, não posso ver um processo que desmaio"
Na piscina da casa da milionária Ana Paula Junqueira, em Saint-Tropez, com a amiga

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