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09/11/2007
Marketing

Para vender, vale até vôo de balão

Em busca do comprador, construtoras
investem em lançamentos inusitados

Ricardo Linhares


Visto assim do alto: no Recreio, clientes em potencial eram convidados a voar de balão para conhecer a paisagem
Moças uniformizadas distribuindo folhetos de propaganda são apenas uma das faces – provavelmente a menos inventiva – de campanhas publicitárias que fazem de tudo para chamar a atenção de potenciais clientes. Atualmente, para vender apartamentos, o céu pode ser o limite. Literalmente. No lançamento de dois empreendimentos no Recreio, o grupo Carmo & Calçada ofereceu vôos de helicóptero e balão aos visitantes, para que eles pudessem comprovar, lá de cima, a vista que terão dos apartamentos, ainda em construção. Outra empresa, a Delta Incorporações, criou um clima de pré-estréia cinematográfica para apresentar um novo condomínio no Méier. Atores caracterizados como Marilyn Monroe, Charles Chaplin e o personagem Sombra recebiam a clientela sobre tapete vermelho, ao som de trilhas clássicas das telas. Enquanto os pais se informavam sobre as condições de compra, as crianças brincavam com Chapeuzinho Vermelho e saboreavam balas, pipocas e algodão-doce. "Quanto mais se acirra o mercado, maior é a agressividade no marketing", diz José Conde Caldas, presidente da Concal. "E cada vez se gasta mais nos lançamentos."

 

As atrações têm seu preço. E alto. A estimativa é que os gastos com marketing saltaram nos últimos quinze anos de algo em torno de 2,5% para até 7% do valor total do empreendimento. Megaestandes de venda viraram regra. O showroom do Riserva Uno, na Barra, tem 2.000 metros quadrados de área e dois apartamentos luxuosamente decorados – um com 550 e outro com 290 metros quadrados. Ali foi montada a réplica de uma loja da grife Louis Vuitton, que durante três dias exibiu a coleção primavera-verão, que ainda nem havia chegado à loja de Ipanema, a única da marca no Rio. Os possíveis compradores eram recebidos com iguarias de um bufê assinado pelo chef Danio Braga.

 

Fotos Divulgação
Showroom de luxo: no condomínio Riserva Uno foi montada réplica de loja da Louis Vuitton, com produtos da coleção primavera-verão, que ainda nem havia chegado à loja de Ipanema

Para vender os apartamentos dos condomínios Saint Barth e Saint Martin, na Península, Barra da Tijuca, as construtoras RJZ/Cyrela e Carvalho Hosken gastaram 12 milhões de reais na montagem do showroom Barra Experience. Ali estão seis apartamentos decorados por profissionais como Cristina Bezamat, Fernanda Marques e Débora Aguiar, além de versões reduzidas de áreas de lazer que farão parte do empreendimento – espaço gourmet, biblioteca, spa, sala de cinema e adega.

Em 2003, no lançamento dos primeiros condomínios da Península, um gigantesco complexo de entretenimento foi montado no local. A programação reunia espetáculos musicais, rali automobilístico e exposição de motos, entre várias outras atividades de lazer. "Grandes empreendimentos não podem mais ser vendidos em estandes pequenos, sem charme", explica Ricardo Corrêa, diretor de marketing da Carvalho Hosken. "Os showrooms precisam reproduzir ao máximo os atrativos que existirão no produto final." O empresário Rogerio Chor, presidente da construtora CHL e da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi), prevê que os interessados em adquirir imóveis ainda vão deparar com muitas iniciativas inusitadas, mas haverá ajustes. "O exagero será retirado", diz. "E daqui a dez anos vamos achar engraçado o que se faz hoje."

 

Clima de pré-estréia: em um empreendimento no Méier, clientes eram recebidos por atores vestidos como astros de cinema; na entrada, tapete vermelho estendido e trilha sonora com clássicos das telas

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