Inaugurado em maio de 2010 no bairro Bom Fim, o Odessa de Isaac Babel vence na primeira eleição de bar revelação. Outro ponto boêmio da cidade, o boteco Apolinário também estreia no topo do pódio em sua categoria. Já o Bier Markt, famoso pelos chopes artesanais, consagra-se desta vez por sua criteriosa e variada carta de cervejas. Da happy hour à saideira, confira nas próximas páginas 153 lugares para beber e petiscar.
Retalhos de papel de parede, azulejos de demolição e quadros alusivos ao mundo da cerveja formam o cenário do melhor boteco da cidade, segundo a opinião do júri de VEJA PORTO ALEGRE. Instalado em um casarão centenário, o lugar conta com um extenso salão e uma agradável varanda. Além da atmosfera colhedora, chama atenção o cardápio, que privilegia uma bem-sucedida seleção etílica e de saborosos petiscos. Ampliado em 2011, o acervo de louras, morenas e ruivas soma 160 rótulos, entre artesanais e importados. Destacam-se na lista a uruguaia Mastra Roja Strong Scotch Ale (R$ 12,00 a garrafa de 330 mililitros) e a mineira Wäls, do tipo belgian tripel (R$ 27,00 a garrafa de 360 mililitros). Atrás do balcão, as novas torneiras de chope liberam quatro bebidas produzidas por cervejarias locais, caso da Coruja Weiss (R$ 6,00 o copo de 300 mililitros). Para acompanhar, os clientes costumam pedir a especialidade da cozinha, o escondidinho preparado em quatro versões: bacalhau com purê de batata-inglesa (R$ 10,00), camarão e purê de mandioquinha (R$ 12,00), charque com aipim (R$ 9,00) e cordeiro entremeado de purê de batata-doce (R$ 10,00). No menu, uma das sugestões reúne as quatro receitas em pequenas porções por R$ 14,00.
Rua José do Patrocínio, 527, Cidade Baixa,
3013-0158. 17h30/último cliente (sáb. e feriados a partir das 19h; fecha dom.). Cc: A, D, M e V. Cd: B, M, R e V.
Manobr. Ar.
www.apolinariobar.com.br.
Um ano depois de conquistar o prêmio de melhor chope da cidade, a casa leva agora o troféu por sua didática e criteriosa carta de cervejas. Focada em exemplares de produção artesanal, a seleção relaciona noventa rótulos de nove países, quase o dobro do acervo registrado em 2010. As bebidas estão organizadas principalmente pelo local de origem e são apresentadas com uma breve explicação sobre suas características de aroma e sabor, além da graduação alcoólica. Na lista, aparecem primeiro os selos de chope, que saem direto de barris resfriados para as onze torneiras disponíveis. Estrearam por ali o paulista Bamberg Helles (R$ 7,50), o porto-alegrense Season Funhouse Belgian Blond (R$ 5,50) e o irlandês Guinness (R$ 14,00 o pint, com 500 mililitros). Em seguida, o cardápio elenca garrafas nacionais separadas por cervejaria, a exemplo da gaúcha Abadessa Helles (R$ 18,00 o litro), de baixa fermentação. Entre as importadas, a holandesa La Trappe, envelhecida em barril de carvalho, é vendida por R$ 59,00 a garrafa de 750 mililitros. A dedicação à cultura da bebida ainda está explícita nos copos e canecos específicos para cada um dos estilos. Para aplacar a fome, o bar serve petiscos de influência alemã, como o que leva cubos de filé-mignon flambados na cerveja escura, gratinados com molho branco e guarnecidos de pão preto (R$ 32,00). Desde outubro, o endereço campeão passou a receber o público também em um anexo construído nos fundos do casarão, de ambiente mais intimista.
Rua Castro Alves, 442, Rio Branco,
3013-2300. 18h/0h (fecha dom.). Cc: D, M e V. Cd: M, R e V. Ar.
www.biermarkt.com.br.
Vem do Frangó, diversas vezes premiado pelo júri da edição especial “Comer & Beber” de VEJA SÃO PAULO, a inspiração para o tricampeão da categoria. Ao lado do pai e do irmão, o publicitário Vagner Piccolo participou da fundação do boteco paulistano e repetiu em Porto Alegre o êxito de servir saborosos petiscos ao lado de cervejas artesanais e importadas. Assim como no bar da capital paulista, a estrela da cozinha é a coxinha recheada de frango com catupiry (R$ 22,50 a porção de dez unidades), frita na hora. Sequinha e crocante, a receita da família do proprietário conquistou uma legião de fãs pela cidade. Neste ano, somou-se à seleção de delícias o sanduíche com 150 gramas de mortadela servido com queijo (R$ 17,50), outro clássico de São Paulo. A casa renovou também a seção de hambúrgueres. Montado no pão preto integral, o do reino leva queijo palmira, maionese, raiz-forte e cebola caramelada (R$ 17,50). Entre as comidinhas de inspiração gaúcha, destaca-se a porção de coração feito na chapa, escoltado por farofa e pão (R$ 15,50). Para acompanhar os itens da cozinha, a carta de cervejas dispõe de noventa rótulos. Rara por aqui, a australiana Coopers marca presença nas versões vintage ale (R$ 19,80) e extra stout (R$ 19,00), ambas vendidas em garrafa de 375 mililitros. O chope Eisenbahn, do tipo pilsen, sai por R$ 5,90 o copo de 300 mililitros.
Rua Dinarte Ribeiro, 17, Moinhos de Vento,
3346-2319. 17h/0h (fecha dom.). Cc: A, D, M e V. Cd: M, R e V. Ar. ![]()
Tão logo cai a noite, é possível ouvir da rua as animadas conversas e o tilintar de taças vindos deste belo casarão localizado no centro da cidade. Construído em 1923, o prédio com janelões em arco e pé-direto alto reúne jovens descolados, profissionais das redondezas e, sobretudo, mulheres em busca de uma happy hour embalada por espumantes. Acomodação mais disputada por elas, a mesa coletiva de dezessete lugares está instalada próximo à entrada. No mezanino tem-se vista privilegiada de todo o movimento do salão. Inspirado nas cavas, bares típicos espanhóis, exibe uma carta composta apenas de espumantes. São sessenta rótulos, boa parte deles trazida da Serra Gaúcha. Entre os destaques anotados em lousas espalhadas nas paredes, surge como novidade a Ovelha Negra Brut Rosé (R$ 49,00 a garrafa e R$ 14,00 a taça), elaborada pelo método champenoise, o mesmo usado nos champanhes. Também utiliza o processo o Legado Brut (R$ 55,00 a garrafa e R$ 14,00 a taça), produzido em Garibaldi, no Vale dos Vinhedos. No menu de petiscos, encontra-se o sanduíche trio de cogumelos (R$ 14,00), montado no pão francês com filé-mignon coberto por castanha, shiitake, shimeji e queijo brie.
Rua Duque de Caxias, 690, centro,
3061-7021. 18h/23h (fecha sáb. e dom.). Cc: A, M e V. Cd: M, R e V. Ar. www.champanhariaovelhanegra.com.br.
O minúsculo boteco localizado no centro encanta pela atmosfera sem frescura e por sua programação musical de primeira, eleita pelo júri a melhor de Porto Alegre pelo segundo ano consecutivo. Montado à direita da entrada, o improvisado palco abriga apenas um piano antigo. Por ali passam nomes conhecidos da cena musical da cidade, entre eles o flautista Plauto Cruz, que toca às quintas-feiras composições de choro e MPB. Na sexta, duplas como o pianista Luiz Mauro Filho e o trompetista Fernando Rocha animam com jazz o público formado por turmas de universitários, artistas e intelectuais. Os habitués mais antigos costumam também marcar presença na terça, quando o tango se torna o ritmo principal da noite. O proprietário, Celestino Paz, que trabalha de dia em um escritório de advocacia, esbanja simpatia no diminuto salão e, às vezes, se arrisca como cantor nas jam sessions. Do resumido cardápio de petiscos, fazem a fama do local o bolo de carne frito acompanhado de pão e pimenta (R$ 5,00 a unidade) e o bolinho de bacalhau (R$ 3,00 a unidade). Produzido em Capela de Santana, no interior do estado, o chope Barley sai por R$ 5,00 o copo de 300 mililitros. A casa não cobra couvert artístico e não aceita nenhum tipo de cartão.
Rua General Andrade Neves, 81, centro,
3224-5752. 12h/0h (fecha sáb. e dom.). Ar.
Em meio à efervescência boêmia da Cidade Baixa, o pacato endereço de iluminação amena acolhe casais em clima de romance. Mesas de madeira rústica, coloridos quadros e luminárias, além de peças de antiquário — todas à venda — dão ar descolado ao ambiente. O burburinho da movimentada rua à frente não atrapalha em nada o programa a dois. Quando atinge sua lotação máxima, o que ocorre com frequência, a casa fecha as portas. Nessa atmosfera intimista, embalados por uma eclética trilha sonora que passeia por jazz, bossa, rock e MPB, os pombinhos dividem sanduíches, pizzas, sopas e panquecas. O lanche com carne de panela, tomate seco e mussarela no pão francês sai por R$ 11,00. No cardápio de bebidas, é novidade a lista com cervejas artesanais, caso das gaúchas Chopp Barley e Whitehead Pale Ale (R$ 19,50 o litro, cada uma). Desde que abriu, dez anos atrás, o Mercatto D’Arte nunca saiu do pódio como o melhor lugar para ir a dois da cidade.
Rua João Alfredo, 399, Cidade Baixa,
3224-9441. 19h/1h (sáb. a partir das 20h). Cc: M e V. Cd: M, R e V. Ar.
No deque, de onde se tem uma vista privilegiada do vaivém da Rua Padre Chagas, gente bonita e turmas de amigos disputam espaço. O clima de badalação se repete na filial, inaugurada em março no bairro Tristeza. Em ambos os endereços, a carta de cervejas, no ano passado eleita a melhor pelo júri de VEJA PORTO ALEGRE, atrai um público fiel. Na seleção de 100 rótulos, figuram sugestões nacionais, como a Baden Baden Celebration (R$ 19,90 a garrafa) e a Schmitt Big Ale (R$ 22,90 a long neck). A oferta de importadas exibe exemplares de vinte países, como a francesa Saint Landelin Ambrée (R$ 49,00 a garrafa de 750 mililitros). Entre os dez tipos de chope, sobressaem os pints, com 570 mililitros, da irlandesa Guinness (R$ 14,90) e da inglesa Newcastle (R$ 16,90). A bebida da marca gaúcha Coruja sai por R$ 5,90 o copo de 300 mililitros. Para comer, faz sucesso a porção composta de batatas rústicas, que chegam com casca, cortadas em meia-lua e envoltas em crosta de temperos (R$ 11,00). Todos os anos, no dia 17 de março, o Mulligan enfeita com balões e objetos verdes seus ambientes, que fervilham com a festa de São Patrício, o padroeiro da Irlanda. É quando a azaração na casa atinge seu ápice.
Rua Padre Chagas, 25, 90570-080, Moinhos de Vento,
3029-3725. 17h/1h (fecha seg.). Cc: A, D, M e V. Cd: M, R e V. Ar.
; Avenida Wenceslau Escobar, 1468, Tristeza,
3019-8859. 18h/1h (fecha seg.). Cc: A, M e V. Cd: M, R e V.
Ar.
www.mulligan.com.br.
Na estreia da categoria, destacou-se este concorrido endereço inaugurado em maio de 2010. O lugar repete o êxito de um clássico da boemia porto-alegrense: o Ossip. Pertencente aos mesmos donos, o novato herdou do famoso boteco da Cidade Baixa a capacidade de atrair uma leva de frequentadores fiéis, que abarrotam o lugar a qualquer dia da semana. Formado por turmas de amigos, universitários, intelectuais ou casais, o público democrático costuma encher as mesas acomodadas na arborizada varanda e no salão, decorado com quadros do proprietário, Federico Olivari. O cardápio guarda referências ao Ossip. Especialidades da “matriz”, as pizzas de massa grossa podem vir cortadas em quadradinhos, para aperitivo. Entre as cinco sugestões, faz sucesso a cobertura composta de cogumelos, cebola, alecrim, shoyu e queijo mussarela (R$ 35,00 a grande e R$ 18,00 o broto). Tão popular quanto as redondas, o sanduíche de presunto cru com molho pesto, azeitona preta, queijo e tomate vem montado no pão integral (R$ 22,00). Entre os bebes, a jarra de clericot (mistura de frutas e vinho branco, R$ 32,00 o litro) divide as atenções com a cerveja, o item mais consumido (R$ 7,00 a garrafa de Heineken). O bar de nome curioso foi batizado assim em homenagem ao escritor russo Isaac Bábel e sua cidade natal, Odessa.
Rua João Telles, 542, Bom Fim,
3346-6292. 18h/0h. Cd: M, R e V. Ar.
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