Comidinhas

As delícias premiadas

Há boas surpresas na cuidadosa seleção de 149 endereços a seguir. Três casas sobem pela primeira vez ao pódio: o Café Karimã, por seu café regional; a sorveteria 40 Sabores e os gelados da marca paraense Cairu; e o Temaki Lounge, que brilha na estreia da categoria. Entre os “veteranos”, a banca Tacacá da Gisela confirma sua tradição e leva, pela terceira vez, o troféu por servir a melhor receita do tradicional caldo quente. Aproveite a leitura e renda-se a essas e outras guloseimas.

O melhor café regional

Banquete amazônico: o cardápio oferece quase 100 itens

Café Karimã

Distante 25 quilômetros do centro, o endereço aberto em 2007 tornou-se destino de casais e famílias nos fins de semana, especialmente nas manhãs de domingo, quando os dois quiosques do café ficam lotados. Por isso, muita gente acaba ocupando a parte descoberta — o que não é problema, já que uma ampla e agradável área verde garante a sombra. Se as instalações são modestas, o mesmo não se pode dizer do cardápio, que relaciona quase 100 itens. Só de tapiocas há vinte opções, todas preparadas à vista dos clientes num tacho com 1,5 metro de diâmetro. Lourdete Andrade, uma das funcionárias dedicadas a essa função, explica que o segredo do quitute está na umidade da massa, regularmente borrifada com água. Acrescida apenas de manteiga, a receita simples custa R$ 5,00 na versão pequena, para duas pessoas. Mais saborosa, a que mistura castanha-do-pará à goma e traz recheio de queijo de coalho sai por R$ 12,00. A lista de comidinhas segue apetitosa: mingau de milho-branco (R$ 3,00), omelete de pirarucu (R$ 8,00), pamonha (R$ 5,00), porção de pupunha (R$ 4,00), bolos de macaxeira e de milho (R$ 3,00) e cuscuz com leite de coco (R$ 4,00). Extraída da fermentação da macaxeira, a farinha de carimã que dá nome à casa é usada na elaboração do pé de moleque, outra especialidade regional. Servido apenas aos domingos, leva também manteiga, castanha-do-pará, erva-doce e cravo (R$ 2,00 a fatia). Para beber, há dez sabores de suco natural, entre eles caju, acerola, graviola, taperebá e cupuaçu (R$ 4,00 o copo com 300 mililitros).

Estrada da Vivenda Verde, s/nº, Tarumã, telefone 9982-6450 e 8141-3292. 6h/12h30 (sáb. e dom.). estacionamento

A melhor doceria

Torta com massa caseira de biscoito: recheio de creme de castanha-do-pará e cobertura de doce de cupuaçu (R$ 52,00 o quilo)

Fragole

Gaúcha de Santa Maria, Daniela Gerloff morou um tempo em Belém antes de chegar a Manaus, em 2004. Foi na capital paraense que aprendeu receitas e truques de confeitaria com Ana Neusa Rezende, proprietária da Nega Maluca, no bairro Umarizal. Terminada a experiência, Daniela passou a dedicar-se à cozinha de sua doceria, a Fragole — palavra que, em italiano, significa “morangos”. A escolha do nome no plural não é à toa: a fruta fresca aparece em profusão na sobremesa que é o xodó da casa. Chama-se supreme e é montada em pão de ló branco, creme de morangos e chantili (R$ 50,00 o quilo). Na vitrine, outras 32 versões de tortas e bolos recheados se alternam ao longo da semana, muitas delas feitas com produtos locais. Nesse grupo, a receita preparada com massa caseira de biscoito, creme de castanha-do-pará e cobertura de doce de cupuaçu acerta na medida do açúcar (R$ 52,00 o quilo). Dá para encomendar as tortas inteiras ou saboreá-las na própria loja, em fatias pesadas no balcão. A xícara de expresso (R$ 3,00) acompanha bem as delícias, que podem ser precedidas por um dos seis tipos de salgado de fabricação própria. Entre os preferidos estão as quiches de bacalhau e de camarão (R$ 7,00 cada uma).

Rua Acre, 164, Conjunto Vieiralves, Nossa Senhora das Graças, telefone 3584-5973. 9h/21h (dom. e feriados 11h/19h). Cc: A, D, M e V. Cd: M, R e V. Ar.

A melhor padaria

Balcão variado: sessenta receitas assadas no forno a lenha

Lindopan Casa de Pães

De manhãzinha até o início da noite, o grande movimento da casa justifica o número surpreendente de venda de pães: 11 500 unidades por dia. Para dar conta dessa produção, são necessários cinco padeiros e três forneiros, que se revezam para manter o forno a lenha aceso 100% do tempo, inclusive durante a madrugada. “Se apagasse, demoraria horas para reaquecer”, explica Paula, filha do fundador, Luiz Antonio Bignami. Desde a morte do pai, ela, os irmãos e a mãe, Vanda, tocam o negócio da família de origem mineira. São sessenta receitas criadas ao longo de mais de uma década, entre as quais a do pão português, cuja massa leva azeite em vez de manteiga (R$ 12,00 o quilo). Já a baguete, também vendida por quilo, aparece com recheios de mussarela (R$ 13,00), salame (R$ 14,00) e tucumã com queijo (R$ 17,50). Como não há balcão, o público faz fila rente à gôndola de itens fresquinhos enquanto um atendente empacota os pedidos. Prontas para levar para casa, há ainda embalagens com pão de milho, laranja, carazinho e mandioca (R$ 13,00 o quilo). Pelo mesmo preço, a linha de produtos integrais inclui versões de centeio, aveia e mix de cereais. Preferido da clientela, o tipo francês (R$ 7,00 o quilo) aparece como base dos lanches preparados na chapa, como o filé acebolado com tomate (R$ 7,50). Para saborear tudo isso, onze mesas acomodam até cinquenta pessoas, mas uma reforma prevista para este ano promete triplicar a capacidade da casa.

Rua Silva Ramos, 1014, centro, telefone 3234-7202/5591. 5h30/21h30 (dom. e feriados, 5h30/14h e 15h30/21h30). Cc: A, D, M e V. Cd: M, R e V. estacionamento Ar. internet sem fio

o melhor salgado

Hambúrguer, cheddar e tomate envoltos em massa fina (R$ 3,00): símbolo da casa e queridinho da clientela

Cats Torteria

Autodidata, a quituteira Linda Pina faz questão de ressaltar que sua especialidade são os bolos recheados e as tortas doces. Existem quarenta sabores no cardápio, e, entre encomendas e consumo no balcão, cerca de 100 unidades são vendidas diariamente. Tanto que, recentemente, a palavra “torteria” foi acrescentada ao nome da casa, aberta há doze anos. Esse reforço, no entanto, não foi capaz de sobrepujar a boa reputação dos salgados produzidos por Linda com uma equipe de oito cozinheiros. Segundo ela, muita gente, em especial estudantes, aparece por lá justamente para saborear esfihas, enroladinhos e quiches. “Funcionamos como uma espécie de cantina das escolas da região”, diz, referindo-se ao grande número de colégios e faculdades que se avizinham pelo quadrilátero onde a lanchonete está localizada, no centro. E, nessa disputa amistosa de receitas, ganham as de salgados. Trinta tipos douradinhos ficam expostos na estufa e são, na maioria, são assados. Tem pastel de forno com recheio de frango e palmito (R$ 3,00 cada um), enroladinho de salsicha e molho de tomate (R$ 3,00), envelope de presunto e catupiry (R$ 3,80), bolo de sardinha (R$ 5,50 a fatia) e quiche de caranguejo (R$ 4,50). Símbolo da casa, o hamburcats dispensa o habitual pão bola e traz hambúrguer, cheddar e tomate envoltos em massa fina, parecida com a de esfiha (R$ 3,00). Há ainda boa variedade de tortas, vendidas por pedaço. Além da de bacalhau (R$ 8,00), faz sucesso a de frango regada a um molho que mistura sete queijos (provolone, prato, mussarela, parmesão, meia cura, catupiry e minas padrão; R$ 5,50).

Avenida Joaquim Nabuco, 1180, centro, telefone 3232-5179 e 9122-1924. 9h/21h (sáb. até 13h; fecha dom.). Cc: A, D, M e V. Cd: M, R e V. Ar. internet sem fio entrega em domicílio www.catstorteria.com.

o melhor sanduíche

Trio de hambúrgueres de picanha: com batata frita e molho barbecue (R$ 16,90)

Hamburguella Sanduicheria

No salão de decoração simples, uma janela envidraçada permite aos clientes observar os sandubas sapecando na chapa. Os pães são fornecidos pela padaria Pão & Companhia, mas o preparo do hambúrguer é artesanal e de fabricação própria. Mescla picanha e alcatra moídas, temperadas com sal e pimenta e moldadas em dois tamanhos: 100 e 150 gramas. De montagem básica, no pão bola, o picanha burguella traz o hambúrguer grande coberto de queijo prato, tomate, alface, maionese e molho barbecue (R$ 14,90). A mesma receita aparece em versão míni, com três sanduíches, acompanhados de batata frita (R$ 16,90). Preparada na ciabatta, outra sugestão vem com 100 gramas de filé-mignon, rodelas de tomate, mussarela de búfala, folhas de rúcula e azeite (R$ 13,90). Feito com a mesma quantidade de mignon, o beirutella premium leva ovo, presunto, queijo prato, tomate, alface e molho rosé no pão sírio (R$ 14,90). Há, ainda, sanduíches com linguiça calabresa e outros mais leves, à base de pasta de peito de peru defumado, servidos no pão de fôrma integral (R$ 11,90). Numa atitude bastante simpática, a casa oferece um pequeno bufê de molhos para incrementar o lanche e não cobra por isso. São seis tipos: rosé, tártaro, barbecue, picante, especial (provolone, maionese, picles e requeijão) e o da casa (cebola, tomate, maionese e parmesão). Para beber, tem milk-shake crocante, com Ovomaltine e calda de chocolate (R$ 11,90), e sucos naturais, como o de laranja com morango (R$ 6,50), ambos vendidos em copos de 300 mililitros.

Rua Rio Purus, 853, Conjunto Vieiralves, Nossa Senhora das Graças, telefone 3584-3000. 16h/23h (fecha seg.). Cc: A, D, M e V. Cd: M, R e V. estacionamento Ar. atividades para crianças entrega em domicílio www.hamburguella.com.br.

o melhor sorvete

Gelados da marca Cairu: taperebá (embaixo) e pavê de cupuaçu, com castanha-do-pará triturada, gotas de chocolate e pão de ló

40 sabores

A mineira Esdras Pena Bogéa morou em Belém por catorze anos. Quando se mudou para Manaus, em 2001, passou a sentir uma falta danada dos tradicionais gelados da Cairu, marca premiada por VEJA BELÉM “Comer & Beber” e que já foi elogiada pelo jornal americano The New York Times. “Quando voltava para visitar minha família na capital paraense, sempre trazia na bagagem um isopor desse sorvete”, lembra. De simples apreciadora, Esdras tornou-se revendedora da grife, numa parceria que teve início em 2008, em um ponto no Tropical Hotel, e meses depois seguiu para a loja do Manauara Shopping. Não é nada simples a logística para que a delicada delícia chegue intacta ao freezer da casa. Por semana, três isopores de 160 litros são despachados para Manaus de avião, num trajeto que pode demorar até doze horas, entre o embarque e a liberação da encomenda. Por isso, as caixas térmicas são forradas de gelo-seco, para impedir que o produto derreta. Dos quarenta sabores alternados na vitrine, a maior parte tem como base polpa de frutas regionais — grande trunfo da Cairu. Com massa de açaí e farinha de tapioca, o paraense tem presença garantida e é campeão de vendas. Atrás dele há os de tapioca, bacuri, taperebá, muruci e pavê de cupuaçu, que mescla à fruta castanha-do-pará triturada, gotas de chocolate e pão de ló. Na casquinha ou no copinho, eles são vendidos por R$ 65,00 o quilo.

Manauara Shopping, piso Castanheiras, Adrianópolis, telefone 3236-8922. 10h/23h (dom. 12h/22h.). Cd: M, R e V. estacionamento Ar. banheiro para deficientes físicos 2009.

o melhor tacacá

Quente e azedinho: o tradicional caldo é vendido em cuias por R$ 12,00

Tacacá da Gisela

No clássico livro História da Alimentação no Brasil (1967), o folclorista Luís da Câmara Cascudo eleva a macaxeira ao posto de “rainha” da cozinha nacional, já que dela quase tudo se aproveita. Forte representante da cultura gastronômica nortista, o tacacá é um bom exemplo dessa versatilidade. Tem como base o tucupi, porção líquida resultante da moagem da mandioca-brava, e a goma, que é o amido decantado desse suco. A professora aposentada Rosa Maria Vital é especialista no preparo da receita, vendida diariamente em sua banca, cujo nome homenageia a primeira tacacazeira de que se tem notícia na cidade. Vizinha ao Teatro Amazonas, a barraca está instalada no Largo São Sebastião, região tombada pelo patrimônio histórico, e tornou-se ponto turístico graças ao cenário privilegiado e à combinação precisa dos ingredientes que compõem o caldo quente e azedinho. Vêm de moradores do Lago Janauacá, próximo ao Rio Solimões, os 400 litros de tucupi usados todas as semanas por dona Rosa. Depois de três horas de cozimento, o suco amarelo é temperado com sal, alho e condimentos — que ela prefere manter em segredo. É bonito ver a montagem das cuias, preenchidas com uma porção de tucupi saída borbulhante de um caldeirão, outra de goma, um punhado de folhas escaldadas de jambu e camarões secos, trazidos do Maranhão (R$ 12,00). Entre um gole e outro, um espetinho de madeira ajuda a “pescar” os crustáceos e as verduras. Quem visita o lugar às quartas, a partir das 18h, saboreia a especialidade ao som de música ao vivo, com direito a palco e cadeiras para acomodar a plateia.

Largo São Sebastião, s/nº, centro, telefone 8803-4901 e 3234-8856. 16h/22h.

a melhor temakeria

Cone de arroz com salmão e cebolinha (R$ 9,50): o mais popular do cardápio

Temaki Lounge

Em pouco mais de um ano, o número de temakerias praticamente triplicou na cidade. Sinal de que as casas especializadas no cone de alga recheado com arroz e peixe cru conquistaram o paladar dos manauaras — daí a estreia da categoria. Um “veterano”, no entanto, destaca-se entre os endereços. Desde 2008, o Temaki Lounge recebe público jovem em ambiente moderninho, com sofás, mesas de madeira escura e iluminação que muda ao longo da noite e confere ao lugar um clima de bar-balada. Mais de trinta opções da especialidade japonesa estão listadas no cardápio, e as mais populares são as que levam salmão no recheio. Não à toa, o consumo semanal do pescado, importado do Chile, é de cerca de 400 quilos. Na versão simples, o cone de salmão custa R$ 9,50. Acrescido de abacate, cebolinha e cream cheese, sai por R$ 12,90. Entre as novidades aparecem o toshaki, que leva salmão, tofu frito e cebolinha (R$ 12,90), e o kryspin, feito com salmão, ervilha apimentada, alho-poró, ovas de massagô e gergelim (R$ 13,50). Alternativa ao peixe, o de shiitake marinado em molho teriyaki traz ainda cebolinha e gergelim (R$ 13,70). Nas noites de terça e quinta, a atração é o rodízio. Pagam-se R$ 39,90 para experimentar os temakis disponíveis no cardápio, sem limite de quantidade. Para beber, há cervejas long neck (Bohemia, R$ 4,00; Stella Artois, R$ 5,00) e drinques de frutas com saquê (R$ 10,00).

Rua Rio Madeira, 1, Adrianópolis, telefone 3584-5606. 18h/0h (sex. e sáb. até 2h, fecha dom.). Cc: A, D, M e V. Cd: M, R e V. estacionamento Ar.