No clássico livro História da Alimentação no Brasil (1967), o folclorista Luís da Câmara Cascudo eleva a macaxeira ao posto de "rainha" da cozinha nacional, já que dela quase tudo se aproveita. Forte representante da cultura gastronômica nortista, o tacacá é um bom exemplo dessa versatilidade. Tem como base o tucupi, porção líquida resultante da moagem da mandioca-brava, e a goma, que é o amido decantado deste suco. A professora aposentada Rosa Maria Vital é especialista no preparo da receita, vendida diariamente em sua banca, cujo nome homenageia a primeira tacacazeira de que se tem notícia na cidade. Vizinha ao Teatro Amazonas, a barraca está instalada no Largo São Sebastião, região tombada pelo patrimônio histórico, e tornou-se ponto turístico graças ao cenário privilegiado e à combinação precisa dos ingredientes que compõem o caldo quente e azedinho. Vêm de moradores do Lago Janauacá, próximo ao Rio Solimões, os 400 litros de tucupi usados todas as semanas por dona Rosa. Depois de três horas de cozimento, o suco amarelo é temperado com sal, alho e condimentos - que ela prefere guardar em segredo. É bonito ver a montagem das cuias, preenchidas com uma porção de tucupi saída borbulhante de um caldeirão, outra de goma, um punhado de folhas escaldadas de jambu e camarões secos, trazidos do Maranhão (R$ 12,00). Entre um gole e outro, um espetinho de madeira ajuda a "pescar" os crustáceos e as verduras. Quem visita o lugar às quartas, a partir das 18h, saboreia a especialidade ao som de música ao vivo, com direito a palco e cadeiras para acomodar a plateia.
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