Da criteriosa lista de 196 mesas da cidade, quatro aparecem pela primeira vez no rol dos premiados. Entre eles estão o Moranga, eleito na categoria variado, e o Rei dos Mares, que numa disputa acirrada se sagra o melhor bom e barato. A Cabaña del Primo volta ao topo entre as casas de carne, repetindo o feito de 2009. À frente do Sah Restaurante, o português Marco Gil assume o posto de chef do ano. Boa leitura e bom apetite.
Dono de uma polidez irretocável, Marco Gil é daqueles cozinheiros que trabalham arduamente nos bastidores, mas que também fazem questão de dar atenção aos clientes no salão. Vestido com seu dólmã preto, ele visita mesa por mesa, procura saber como está o serviço e, não raro, oferece uma entradinha de cortesia. Trata-se de uma herança dos tempos em que este português de Lisboa trabalhou como operador de turismo. Nessa época, aliás, conheceu sua mulher, uma cearense que o convenceu a se mudar para cá. E assim foi: em 2007, desembarcou em Fortaleza para, três anos depois, abrir o Sah, sua primeira incursão na gastronomia. “Era um sonho antigo, da adolescência”, conta. Autodidata, Marco foge do clichê e propõe uma cozinha autoral de frutos do mar que vai além do bacalhau. Para a composição de seus pratos, busca diretamente com pescadores matéria-prima fresquíssima, como sirigado, atum, camarão e polvo. O mesmo cuidado dispensado à cozinha Marco exibe no salão. É dele a elegante ambientação do espaço, que inclui paredes bordô e uma grande mesa central sobre a qual repousam livros de gastronomia — que, muitas vezes, servem de fonte de consulta para seu premiado trabalho de chef.
Para chegar ao restaurante, atravessam-se uma porteira de madeira e um grande estacionamento repleto de mangueiras e coqueiros. Lá dentro, o ambiente típico sertanejo inclui piso de cimento queimado, mesas de madeira rústica e luminárias de palha. No melhor restaurante brasileiro da cidade, de acordo com o júri de VEJA FORTALEZA “Comer & Beber”, os clientes serpenteiam pelo vistoso bufê de receitas típicas com o prato a tiracolo. Marcam presença mais de quarenta itens, entre buchada, galinha à cabidela, escondidinho de carne de sol, baião de dois, paçoca e feijão-verde com maxixe. Tudo passa pela balança, a R$ 34,50 o quilo durante a semana e R$ 38,90 aos sábados e domingos. As sobremesas, como doce de leite, rapadura e cocada, saem por R$ 39,50 o quilo. Há sucos de caju, cajá e mangaba (R$ 3,70 o copo e R$ 11,20 a jarra de 1 litro). Em volta do salão, vinte redes garantem um providencial repouso após a refeição.
Avenida Eusébio de Queiroz, 4425, Eusébio,
3260-2464 (200 lugares). 8h/15h30 (dom. até 16h; fecha seg.). Cc: M e V. Cd: M, R e V.
www.lanaroca.com.br. Aberto em 1999. $
No portentoso restaurante de pé-direito alto e grandes janelões, mesas de madeira escura recebem quem está atrás de carnes altas, em estilo argentino. Foram elas que garantiram à casa o troféu de melhor de sua categoria pela primeira vez em VEJA FORTALEZA “Comer & Beber”. Temperados apenas com sal, os cortes são preparados no ponto escolhido pelo cliente em uma parrilla, separada do salão por um vidro. A lista inclui ojo de bife (R$ 45,00), t-bone (R$ 46,00) e bife de chorizo (R$ 36,00). Ganham como companhia uma das vinte opções de guarnição, entre elas farofa de ovos e batata dourada com bacon. Há também sempre à disposição um molho, que pode ser chimichurri, picante ou de ervas. Carnes brilham inclusive no capítulo de entradas, caso do mini- hambúrguer de picanha ao molho barbecue (R$ 16,00, com quatro unidades). À cozinha, cabe ainda preparar o chocólatra, sobremesa que reúne brownie, brigadeiro, búlgaro e sorvete de creme em pequenas porções (R$ 16,00). O serviço de vinhos privilegia rótulos do novo mundo, entre os quais o chileno Ventisquero Reserva Carménère (R$ 85,00) e o argentino Catena Malbec (R$ 99,00).
Rua Maria Tomásia, 503, Jardins Open Mall, Aldeota,
3244-3691 (84 lugares). 11h30/16h e 18h/1h. Cc: A, D, M e V. Cd: M, R e V.
Ar.
(valor variável)
www.cabanadelprimo.com.br. Aberto em 2007. $$$
Ravióli de queijo brie, damasco e lâminas de amêndoa: feito com massas tradicional e de espinafre (R$ 29,00)
Em uma disputa acirrada, resolvida apenas com voto de Minerva, a Cantina Di Napoli se consagra como o melhor restaurante da categoria. Mérito do chef João Freire, que usa a experiência adquirida na cozinha do renomado Due Cuocchi Cucina, em São Paulo, para executar as receitas influenciadas pela moderna culinária da Itália. Figuram em seu menu ravióli de queijo brie com damasco e lâminas de amêndoa (R$ 29,00), no qual usa, além da massa tradicional, uma versão feita com espinafre, e penne à contadina, puxado em molho madeira com iscas de filé e cogumelo (R$ 42,00, para duas pessoas). No capítulo das carnes, há ossobuco com risoto à milanesa (R$ 46,00, para duas pessoas). No das entradas, crepe de camarão (R$ 19,90). A bonita adega ocupa parte de uma das paredes e acomoda a seleção de vinhos feita pelo sommelier Roberto Rufino. São 140 rótulos, entre os quais o italiano Chianti Bellosguardo 2009 (R$ 68,00). No arremate, entram em cena tiramisu (R$ 9,90) e affogato (R$ 9,90), uma combinação de brigadeiro, sorvete de creme e raspas de chocolate.
Avenida Desembargador Moreira, 125, Meireles,
3234-0770 e 3231-1123 (170 lugares). 12h/15h e 19h/0h (sex. a dom. sem intervalo). Cc: A, D, M e V. Cd: M, R e V.
Ar.
(R$ 30,00)
www.cantinadinapoli.com.br. Aberto em 2009. $$
Com uma habilidade aprimorada nos dez anos em que comandou o extinto restaurante Kingyo, Élcio Nagano reconduz o Soho ao rol de campeões. Nessa sua mais recente empreitada, o chef apresenta um menu em constante renovação, no qual privilegia a culinária tradicional japonesa com toques contemporâneos. São exemplos de seus últimos trabalhos o sushi de camarão empanado com cream cheese, que vem envolto em atum ao molho cremoso de wassabi (R$ 26,90), e o niguiri de camarão com edamame, grãos frescos de soja verde (R$ 7,90 a dupla). Entre os combinados, o soho especial traz doze fatias de atum e de salmão em molho adocicado de limão-siciliano e azeite, além de outras criações, que mudam a cada dia (R$ 69,90). Élcio exibe a mesma desenvoltura com as receitas quentes, caso do filé-mignon com foie gras ao molho teriyaki guarnecido de purê de abóbora japonesa (R$ 59,90). Precedem os pratos as robatas de vieira na manteiga (R$ 34,90, com seis unidades) ou uma trivial porção de guioza (R$ 10,90). Quem se acomoda no modernoso salão de pé-direito duplo, com televisores de LCD sob o balcão, pode bebericar uma caipirinha de saquê com lichia (R$ 17,90).
Avenida Senador Virgílio Távora, 999, Shopping Varanda Mall, Meireles,
3224-7031 (175 lugares). 12h/15h e 18h/1h (dom. e seg. até 23h). Cc: A, D, M e V. Cd: M, R e V.
Ar.
(R$ 40,00)
www.sohorestaurante.com.br. Aberto em 2009. $$$
Em Fortaleza desde 2003, o mineiro Lúcio Figueiredo fez de seu restaurante uma espécie de extensão do capixaba Guaramare, capitaneado pelo tio, o macedônio Vicente Bojovski. Até o ambiente pouco convencional, de ares medievais, ele reproduz aqui: inclui paredes de pedra e cadeiras de encosto alto, de madeira talhada. Uma vistosa vitrine refrigerada exibe peixes e frutos do mar comprados diretamente dos pescadores da região. Eles são assados na brasa sem nenhum tempero e no final recebem somente um molho de manteiga e alcaparras. A opção mais completa é o misto de pescados, com lagosta, camarão e peixe — que pode ser pargo, ariacó, guaiuba ou cioba. Acompanhado de arroz à grega e batata cozida, custa R$ 79,00, o mesmo preço da elogiada paella. De um aquário, no qual são mantidos vivos, saem os mariscos nativos, preparados em vinho branco e servidos de entrada (R$ 36,00, para duas pessoas). Segue imbatível, porém, a brochete de lagosta, em que cubos do crustáceo vão para a grelha na companhia de cebola e tomate (R$ 35,00). A adega guarda 1 500 garrafas de 200 rótulos, entre os quais o vinho espanhol Artero Rosado (R$ 68,00) e o espumante nacional Cave Geisse Brut (R$ 109,00).
Rua Frederico Borges, 409, Varjota,
3267-3081 (150 lugares). 12h/15h e 19h/0h (sáb. sem intervalo; dom. almoço até 17h; seg. só jantar). Cc: A, D, M e V. Cd: M, R e V.
Manobr. Ar.
(valor variável)
www.restaurantevojnilo.com.br. Aberto em 2006. $$$$
Foi após uma temporada na Itália que o artista plástico Cláudio Vignoli decidiu abrir a pizzaria. Optou, porém, por investir em um modelo de serviço bem diferente daquele que viu por lá — cujo êxito se comprova com o sétimo prêmio consecutivo da categoria. Nos seus três endereços em Fortaleza, assim como nas filiais de Teresina, São Luís e Salvador, come-se com as mãos, usando luvinhas de plástico, já que não há talheres. As massas, finíssimas, não contêm óleo nem ovo e recebem 24 opções de cobertura antes de ir ao forno a gás. Tem da clássica mussarela (R$ 26,80) a combinações como a de queijo brie e damasco (R$ 36,80). Em uma cozinha central instalada na Varjota, Cláudio também desenvolve sabores como o que reúne mussarela, parmesão, alho, manjericão, gergelim e orégano, batizada com o nome da casa (R$ 29,80). Até a sangria servida ali é criação do proprietário: leva vinho tinto ou branco, licor Cointreau, refrigerante de limão, maçã, abacaxi e canela (R$ 24,90, com 1 litro). No capítulo de sobremesas, a aposta recai sobre receitas tradicionais, a exemplo da panacota com calda de frutas vermelhas (R$ 11,80).
Avenida Senador Virgílio Távora, 10, Meireles,
3267-9450 (260 lugares). 18h/0h (sex. e sáb. até 1h). Cc: D, M e V. Cd: M, R e V. Ar.
(R$ 30,00)
; Rua Frederico Borges, 125, Varjota,
3267-9450 (140 lugares). 18h/0h (sex. e sáb. até 1h). Cc: D, M e V. Cd: M, R e V.
Manobr.
(R$ 30,00)
; Rua Professor Dias da Rocha, 430, Meireles,
3023-8008 (180 lugares). 18h/0h (sex. e sáb. até 1h; fecha seg.). Cc: D, M e V. Cd: M, R e V. Ar.
(R$ 30,00)
www.pizzavignoli.com.br. Aberto em 2004. $
Tudo no restaurante tem a marca de Roberto Markan, a começar pelo projeto arquitetônico. Erguido no quintal da casa onde nasceu — e vive até hoje —, tem um salão principal à meia-luz, cujas paredes lembram as de uma construção de taipa, mezanino e área externa com mesas dispostas no estreito corredor. A decoração é composta de incontáveis quadros, antiguidades e quinquilharias, muitos deles trazidos pelo dono de suas viagens à França. Contrapõe-se ao cenário esfuziante a fachada discreta, coberta por heras e sem placa aparente, em meio a uma ruazinha bucólica de apenas um quarteirão. Cozinheiro autodidata, Markan é quem assina o cardápio, no qual apresenta criações como o turnedô de filé ao molho de queijo fundido, que vai à mesa ladeado por uma massa caseira frita (R$ 42,00). Outra sugestão é o pavê de badejo (R$ 49,00). Trata-se de posta de sirigado grelhada ao molho de manteiga de ervas e amêndoa, acompanhada por legumes ao vapor. Dos crepes, o de camarão e catupiry vem envolto em uma massa fininha e crocante (R$ 28,00). Pizzas também têm o seu espaço, em quinze versões — a vegetariana combina mussarela, tomate seco, cebola, pimentão, cogumelo-de-paris e palmito (R$ 33,00). Embalados pela chanson executada ao piano, os comensais tilintam taças de pinot noir chileno Ventisquero Grand Reserva, cuja garrafa sai da adega por R$ 110,00.
Rua Xavier de Castro, 100, Praia de Iracema,
3219-7078/5211 (50 lugares). 18h/1h (fecha seg.). Cc: A, D, M e V. Cd: M, R e V. Ar.
(R$ 40,00)
www.restaurantemoranga.com.br. Aberto em 2002. $$$
Camarão barão de aracati: refogado na nata com requeijão e creme de leite mais arroz com açafrão e batata sautée (R$ 39,60)
Nos dois endereços, com decoração simples, um caderninho escrito a mão com letras caprichadas faz as vezes de cardápio. Página após página, são apresentadas receitas que têm por base pescados e frutos do mar, entregues em porções para duas, até três pessoas. À frente do negócio estão quatro irmãos da família Silveira, conhecidos como Didi, Dudu, Dedé e Dudé. Filhos de pescadores da Praia da Lagoinha, eles se dividem na tarefa de atender às mesas e preparar os pratos. Chega em uma chapa de ferro o turnedô de sirigado com batata em ervas finas ao molho de catupiry (R$ 51,15). Outra sugestão, o camarão barão de aracati vem refogado na nata com requeijão e creme de leite (R$ 39,60). Ganha a escolta de arroz com açafrão e batata sautée. De entrada, aparecem casquinha de camarão ao molho de maracujá (R$ 11,90) e caranguejo na cumbuca ladeado por farofa (R$ 6,00). A lista de sobremesas traz como opção o misto de banana e abacaxi flambados e servidos com sorvete de creme (R$ 8,00). Um cafezinho coado coroa a refeição.
Rua Barão de Aracati, 2706, Joaquim Távora,
4141-0675 (70 lugares). 11h30/0h (fecha seg.). Cd: M, R e V; Rua Visconde de Mauá, 200, Meireles,
9921-1092 (100 lugares). 11h30/0h (fecha seg.). Cd: M, R e V. Ar. Aberto em 2010. $
Camarão ao molho béarnaise guarnecido de purê de mandioquinha, creme de espinafre e ratatouille: R$ 44,00
A fórmula de sucesso deste novato alia um elegante salão, projetado pelo arquiteto Bernard Mirande, a um cardápio assinado a quatro mãos pelos festejados chefs Fernando Barroso e Bernard Twardy. Cabe ao cozinheiro Valdemir Segundo, o Pará, a execução dos pratos criados pela dupla, que mesclam influências mediterrâneas e ingredientes regionais. Assim, figuram lado a lado sugestões como as vieiras salteadas em azeite e alho ladeadas por batata e aspargo (R$ 57,00) e o rosbife de carne de sol com manteiga da terra e capim-santo mais cubos de queijo de coalho (R$ 22,00), ambas indicadas como entrada. Na relação de pratos principais, são apresentados confit de pato com arroz e amêndoa (R$ 62,00) e bife ancho ao forno ladeado por batata rústica (R$ 53,00). Outra estrela do cardápio é o camarão ao molho béarnaise, que tem por guarnição purê de mandioquinha, creme de espinafre e ratatouille (R$ 44,00). Por fim, a paradise traz musse de chocolate e avelã sobre uma fina fatia de brownie (R$ 12,00). Para fazer companhia aos pratos, a adega, instalada no subsolo, guarda 900 garrafas de 100 rótulos — destes, o espanhol Infinitus é produzido com uvas cabernet sauvignon e tempranillo (R$ 67,00).
Rua Professor Dias da Rocha, 579, Shopping Buganvília, Aldeota,
3021-3071 (90 lugares). 19h/0h30 (seg. a qua. até 23h; sex. e sáb. também almoço 12h/15h; fecha dom.). Cc: A, D, M e V. Cd: M, R e V. Ar.
(R$ 25,00)
www.meditrestaurante.com.br. Aberto em 2010. $$$
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