Quinta-feira, 15 de Maio de 2008

Será que ele é?




No dia 11 de março, em um aparentemente inocente debate sobre cinema realizado na vetusta e grandiosa sala do Odeon, no Centro, o humorista Marcelo Madureira, do grupo Casseta & Planeta, emitiu sua opinião sobre a mais luminosa estrela do cinema novo: ?Glauber é uma m...?. Pronto, instaurou-se a cizânia. A frase curta inspirou loooongos debates, eventos de desagravo dos dois lados da contenda e até ameaça de processo. E ainda dá o que falar até hoje. Para badalar o lançamento do número de maio da Bravo!, publicada pela Editora Abril, João Gabriel de Lima, editor-chefe da revista, e ele, Marcelo Madureira (na foto abaixo da de Glauber), protagonizam um bate-papo em torno de uma das matérias desta edição, ?Glauber Rocha Sob Fogo Cerrado?. Hoje, na Livraria da Travessa do Leblon, a partir das 20h. Com entrada franca e vagas limitadas.

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Sexta-feira, 25 de Abril de 2008

Passeio com música

O Parque das Ruínas, em Santa Teresa, é daqueles recantos menos óbvios da cidade com vista esplendorosa para parte do Centro, um naco da zona sul, a baía e a enseada de Botafogo. Construído entre as ruínas da antiga residência de Laurinda Santos Lobo, locomotiva da sociedade carioca na primeira metade do século passado, tornou-se um centro cultural com jeito de ponto turístico, um café honesto e, de uns tempos para cá, boa programação cultural. Neste domingo, dia 27, às 18h, por exemplo, tem show gratuito do grupo vocal Arranco de Varsóvia. Vale lembrar que, em uma das espertas soluções arquitetônicas do lugar, uma ponte metálica liga o Parque das Ruínas a outro endereço que merece a visita: a Chácara do Céu, outra antiga residência de um ricaço ligado à cultura, no caso Raymundo Ottoni de Castro Maya. Aproveite. O Centro Cultural Municipal Parque das Ruínas fica na Rua Murtinho Nobre, 169, telefone 2252-1039. Caso chova, o show será transferido para o auditório do espaço, com 120 lugares.

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Sexta-feira, 11 de Abril de 2008

Arte e patrimônio

Por 48 horas, neste sábado, dia 12, e no domingo (13), o Morro da Conceição, pedaço da cidade (ainda mais) cheio de história no Centro, vai abrigar uma baita intervenção artística. Ao lado dos morros do Castelo, de São Bento e de Santo Antônio, o lugar foi um dos quatro vértices da área original a partir do qual desenvolveu-se a cidade do Rio de Janeiro, na segunda metade do século XVI. Com curadoria do escritor e historiador Rafael da Cardoso, que mora no bairro há oito anos, dezoito artistas ocuparão as ruas com obras que prometem dialogar com os trechos de calçamento de pé-de-moleque e outros resquícios urbanísticos e arquitetônicos do Brasil colonial. Em sua maioria, os nomes escalados, Adriana Eu, Bianca Bernardo, Carlos Contente, David Cury, Ducha, Elisa Castro, Gabriela Mureb, Gabriela Noujaim, Guga Ferraz, Heleno Bernardi, João Modé, João Penoni, Lívia Flores, Marcelo Frazão, Marcos Chaves, Renato Santana, Ronald Duarte e Tatiana Grinberg, espalharão seus trabalhos ao ar livre, pelas ruas e praças da região, com concentração em quatro pontos principais: Adro de São Francisco, Pedra do Sal, Praça Major Valô e Observatório do Valongo.
Trata-se, portanto, de uma boa desculpa para se visitar um pedaço da cidade que começou a ser ocupado em 1590 e ainda preserva bastante do visual daquele tempo remoto. Um pequeno exemplo da história que o lugar carrega: a Fortaleza da Conceição, em cujas masmorras foi encarcerado o inconfidente Tomás Antônio Gonzaga, vai estar aberta ao público no fim de semana. O ponto de encontro do evento, onde podem ser conseguidas maiores informações, será a Casa da Cultura do Morro da Conceição, no Adro de São Francisco (subir a escadaria na altura da Rua Sacadura Cabral, 73, na Praça Mauá). Quem vier de carro pode subir pela Rua Major Daemon (segunda transversal à esquerda, na Rua do Acre) ou pela Ladeira do Pedro Antônio (última transversal à esquerda na Rua Senador Pompeu).

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Sexta-feira, 28 de Março de 2008

Tarde de cinema no Centro


Muita gente que anda na casa dos 40 tem lembranças carinhosas das sessões do cineclube Macunaíma, que aconteciam no auditório da Associação Brasileira de Imprensa. Com projeção ocasionalmente titubeante, eram exibidos ali desde os clássicos como o silencioso A Paixão de Joana D'Arc, de Carl Dreyer, a nouvelle vague representada por obras de Godard como Acossado e O demônio das Onze Horas até películas que nunca alcançaram o grande circuito, como o Rei da Vela de José Celso Martinez Corrêa. Eram tempos em que o videocassete estava longe de ser um item comum na maioria dos domicílios. Pois bem, o Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio criou uma sessão de cinema que tem tudo para se tornar uma atração imperdível para os cinéfilos, bem no clima do antigo Macunaíma. Amanhã (29), às 17h, acontece a primeira sessão de Sábados Clássicos no auditório João Saldanha (80 lugares), na rua Evaristo da Veiga 16, 17º andar, no Centro. O filme escolhido para inaugurar a série não poderia ser mais apropriado: Cidadão Kane (foto), de Orson Welles. Em tempos de DVD e internet, a idéia é exibir em tela grande, com som poderoso e em sala com poltronas confortáveis, aqueles filmes que muita gente só viu na telinha. Depois da exibição, vai ter bate-papo com o crítico de cinema Marcelo Janot. E a entrada é franca.
Passear no Centro aos sábados é um programão para o dia inteiro. Há exposições imperdíveis como Novas Revelações da Família Ferrez, no Centro Cultural Banco do Brasil e a obra de Debret na Casa França-Brasil. Para repor as energias, não faltam bons restaurantes como o Casual Retrô, do Chef Santos, a Brasserie Rosário, a Casa Cosmopolita (berço do filé à Oswaldo Aranha), a Adega Flor de Coimbra e o Nova Capela (com seu clássico cabrito). E para quem quiser esticar noite adentro, o auditório do Sindicato fica a dois passos da agitação da Lapa. Bom programa.

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Quarta-feira, 26 de Março de 2008

A verdade sobre Zagallo


Essa quem conta é o repórter Rogério Durst: celebridade desde que chegou ao Rio, no dia 17, depois de viajar, por 37 horas, entre os zoológicos de São Paulo e daqui, a girafa Zagallo conquistou os cariocas e a fêmea Beija-Céu sob falsa identidade. O apelido, emprestado do ex-craque e técnico da seleção, foi dado por tratadores em sua estada na capital paulista, onde viveu desde 2003. A girafa, na verdade, se chama Giba, nome de batismo escolhido num concurso entre a população de Brasília quando ele nasceu, em 2001, no zoológico da capital federal. Na foto, o galã Zagallo, ou Giba, aparece ainda na temporada paulista.

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Arte em revista


Uma cerimônia realizada ontem à noite, no Paço Imperial, marcou o lançamento do portal de internet Memória Gráfica Brasileira. Com patrocínio da Petrobras, o desenhista Cássio Loredano e a designer Julieta Sobral levam à rede um rico material sobre a história das artes gráficas no Brasil desde meados do século XIX. Filé do acervo, o hot-site J. Carlos em Revista traz um banco de dados com coleções das revistas O Malho e Para Todos. Será possível folhear, página a página, os números publicados entre 1922 e 1930. Na solenidade também foram lançados os livros O Vidente Míope e O Desenhista Invisível, editados pela Folha Seca, como parte do projeto. No primeiro encontra-se uma crônica visual de J. Carlos (autor de preciosidades como o desenho acima) nos anos 1920, com organização de Loredano, guardião da obra do mestre, e texto do historiador e professor Luiz Antonio Simas. O Desenhista Invisível é uma análise da atuação de J. Carlos como artista gráfico, com texto de Julieta Sobra. Divirta-se aqui.

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Quinta-feira, 13 de Março de 2008

Seal: mais caro que U2 e Led Zeppelin

Junto com um espaço confortável de acústica impecável, o espetáculo de Bob Dylan na RioArena ­?ex-Arena Multiuso, futura HSBC Arena ? inaugurou um novo e assustador patamar de preços para shows na cidade, confirmado com as recém-anunciadas apresentações de Seal e de Rod Stewart na casa de Jacarepaguá.

No primeiro show aberto ao público na RioArena, os ingressos para Bob Dylan variavam entre 180 e 360 reais. Nem a laureada carreira do compositor americano ? autor de dezenas de clássicos do cancioneiro pop ? foi suficiente para cumprir a modesta tarefa de lotar os 6.000 lugares da RioArena. De acordo com a produção, foram vendidos 4.600 lugares.

Cinco dias depois, os bilhetes para Dylan viraram uma pechincha, diante das novas atrações da RioArena. Vejamos a apresentação do sumido Seal, cujas últimas lembranças estão perdidas na década de 90, quando emplacou os hits Crazy e Kiss from a rose, a música-tema do filme Batman Forever. Para o show do próximo dia 29, as cadeiras nas primeiras fileiras chegam a 500 reais ? um aumento que beira os 40% em relação a Bob Dylan. Equivale a 300 dólares ou 145 libras esterlinas. É o mesmo preço do show de Rod Stewart, no dia 5 de abril.

É difícil encontrar parâmetro até para os shows do primeiríssimo time do universo pop nas cidades mais caras do mundo. Há dois anos, o U2 cobrou entre 50 e 165 dólares (85 e 280 reais, respectivamente) em suas apresentações no Madison Square Garden, em Nova York. Nem os ingressos para o concerto único do lendário Led Zeppelin na O2 Arena, em Londres, em novembro passado, custaram tanto: as 20 mil entradas foram vendidas a 125 libras (425 reais).

E olha que o dólar, há tempos, não era tão barato por aqui...

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Segunda-feira, 10 de Março de 2008

Novo palco carioca


A Rioarena, arena multiuso construída para os Jogos Panamericanos, passou no teste. No primeiro grande show realizado ali, o de Bob Dylan e sua banda, no sábado, foi tudo impecável: o som estava ótimo; o acesso ao lugar, bem sinalizado; o estacionamento, organizado; os banheiros, limpíssimos (mesmo no final do show).
Como era a primeira vez que ia lá, confesso que estava um pouco preocupada. Será que há sinalização adequada para eu não correr o risco de me perder no caminho? Será que vou conseguir estacionar o carro com segurança, sem ter que deixá-lo à mercê de flanelinhas? Saí de lá feliz da vida por ter constatado que o Rio ganhou um belo (e muito confortável) lugar para eventos.
A arena tem o tamanho certo para shows como o de sábado. A capacidade total é de 15 000 pessoas. Para o show de sábado foram colocados à venda 6 000 ingressos (4 600 foram vendidos). Mesmo do ponto mais distante do palco a visibilidade é boa. É um prazer assistir a uma banda no palco sem precisar ficar de olho no telão para saber o que está acontecendo.
Aliás, o telão da Rioarena rendeu uma história curiosa no sábado. Por exigência de Bob Dylan, ficou desligado. Como antes da entrada do artista no palco eram exibidas imagens, logo no início do show, quando ele parou de funcionar, ouviram-se alguns gritos de ?telão, telão!?.
Fim do show, na fila dos elevadores, um dos seguranças pergunta se eu tinha gostado do show. ?Muito?, respondi.
?Mas teve muita gente que saiu antes do fim?, disse ele. ?O pessoal estava reclamando que não tinha telão. Ué, se é para ver na televisão, compra o DVD e vê em casa?, concluiu. Acho que ele estava coberto de razão...
Fica como sugestão para os administradores da casa: que tal avisar ao público, num caso como esse, que o telão não vai funcionar a pedido do artista?
Outra idéia: os bares da Rioarena poderiam servir cachorro-quente com cara de cachorro-quente...Pedir o sanduíche e receber um pão de hambúrguer, coberto por gergelim e recheado por pedacinhos de salsicha cortada em rodelinhas fica meio esquisito..

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Sexta-feira, 7 de Março de 2008

A princesa do crioulo doido


O escritor e historiador Clóvis Bulcão lançou o livro Leopoldina, Princesa do Brasil em 2006, uma biografia romanceada voltada para o público infanto-juvenil. Amanhã, dia em que se comemoram os 200 anos da chegada da família real ao país, ele vai contar histórias sobre a imperatriz (1797-1826), mulher de dom Pedro I, na livraria Saraiva do New York City Center, na Barra, a partir das 17h, com entrada franca. Sua irmã, Márcia Bulcão, vocalista da banda Blitz, vai animar o encontro desfiando um repertório que vai do Samba do Crioulo Doido a Edelweiss, essa última da trilha sonora do filme A Noviça Rebelde. O autor conversou com o Blog da Redação sobre esse programa indicado para todas as idades. A propósito: a imagem acima traz Leopoldina e dom Pedro I em imagem da capa da revista Illustração do Brazil, de 29 de julho de 1876, publicada no livro O Design Brasileiro Antes do Design, de Rafael Cardoso.

BR Quais são as maiores curiosidades que o público tem em relação à Leopoldina?

Clóvis A primeira coisa que costumam me perguntar é se era verdade que ela amava o Pedro. Não tem problema. Em cena, faço uma espécie de revista Caras da história, contando detalhes da vida hiperprivada e usando as canções como contraponto. Começamos pelo Samba do Crioulo Doido porque, na verdade, Leopoldina ainda é um personagem pouco conhecido, e as pessoas tendem a fazer uma tremenda confusão com a linhagem do império brasileiro.

BR Qual é a confusão?

Clóvis O público em geral não reconhece Leopoldina como mãe de dom Pedro II e avó da Princesa Isabel. E ainda foi mãe de uma rainha de Portugal, dona Maria da Glória. Isso acontece porque em seu próprio tempo a opinião pública não simpatizava muito com a alemoa, como era chamada. A marquesa de Santos (amante mais famosa de dom Pedro I), morena e brasileira, tem muito mais destaque na imaginação das pessoas.

BR E Leopoldina amava Pedro mesmo?

Clóvis Tudo indica que sim, mas o relacionamento foi tumultuado. Pouco antes de morrer, ela chegou a mandar tirar do palácio as coisas do marido, depois de um período de longa ausência dele. Existem indícios de que houve até uma briga física quando Leopoldina se recusou a participar de uma cerimônia na presença da amante do marido. Chegou a escrever para a família na Áustria sobre um incidente que qualificou de gravíssimo. Ela estava grávida e morreu pouco depois.

BR Você está terminando uma biografia sobre o padre Antônio Vieira, autor dos famosos Sermões, que nasceu há 400 anos. Como se comporta o escritor ao esbarrar nas lacunas da vida do personagem estudado? Você romanceia?

Clóvis Leopoldina é uma biografia romanceada, O livro sobre o Padre Antônio Vieira, que vai ser publicado pela editora José Olympio, é uma biografia mesmo. Quando as fontes não falam nada, eu digo isso claramente, explico que não sabemos o que aconteceu ou então que as informações são desencontradas. Eu também indico a qualidade da fonte. Algumas vezes, um autor tem um compromisso óbvio contra ou a favor do personagem. Felizmente, no caso do padre, nós temos 400 cartas publicadas, além dos Sermões, que ele mesmo redigiu, pois por incrível que pareça, as primeiras edições que apareceram foram piratas.

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Quarta-feira, 5 de Março de 2008

Quanto vale um parlamentar

A ONG Transparência Brasil, que acompanha bem de perto o funcionamento das casas legislativas do país, acaba de publicar a pesquisa Orçamentos do Poder Legislativo. No Rio, a Câmara Municipal vai custar, em 2008, o equivalente a R$ 48,97 por cada habitante da cidade. Na Assembléia Legislativa, o orçamento da casa daria a quantia de R$ 32,73 por cada morador do estado. Na Alerj, o naco do orçamento para cada mandato é da ordem, este ano, de R$ 7.210.451,79, mais do que o previsto para o mandato de um deputado federal (R$ 6.906.455,82). Na mesma Alerj, 43% dos nobres colegas andam às voltas com processos criminais ou foram punidos pelo Tribunal de Contas. Essas e muitas outras curiosidades, que ganham importância em ano de eleição, você encontra no site Excelências, mantido pela ONG.

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