Sexta-feira, 7 de Março de 2008

A princesa do crioulo doido


O escritor e historiador Clóvis Bulcão lançou o livro Leopoldina, Princesa do Brasil em 2006, uma biografia romanceada voltada para o público infanto-juvenil. Amanhã, dia em que se comemoram os 200 anos da chegada da família real ao país, ele vai contar histórias sobre a imperatriz (1797-1826), mulher de dom Pedro I, na livraria Saraiva do New York City Center, na Barra, a partir das 17h, com entrada franca. Sua irmã, Márcia Bulcão, vocalista da banda Blitz, vai animar o encontro desfiando um repertório que vai do Samba do Crioulo Doido a Edelweiss, essa última da trilha sonora do filme A Noviça Rebelde. O autor conversou com o Blog da Redação sobre esse programa indicado para todas as idades. A propósito: a imagem acima traz Leopoldina e dom Pedro I em imagem da capa da revista Illustração do Brazil, de 29 de julho de 1876, publicada no livro O Design Brasileiro Antes do Design, de Rafael Cardoso.

BR Quais são as maiores curiosidades que o público tem em relação à Leopoldina?

Clóvis A primeira coisa que costumam me perguntar é se era verdade que ela amava o Pedro. Não tem problema. Em cena, faço uma espécie de revista Caras da história, contando detalhes da vida hiperprivada e usando as canções como contraponto. Começamos pelo Samba do Crioulo Doido porque, na verdade, Leopoldina ainda é um personagem pouco conhecido, e as pessoas tendem a fazer uma tremenda confusão com a linhagem do império brasileiro.

BR Qual é a confusão?

Clóvis O público em geral não reconhece Leopoldina como mãe de dom Pedro II e avó da Princesa Isabel. E ainda foi mãe de uma rainha de Portugal, dona Maria da Glória. Isso acontece porque em seu próprio tempo a opinião pública não simpatizava muito com a alemoa, como era chamada. A marquesa de Santos (amante mais famosa de dom Pedro I), morena e brasileira, tem muito mais destaque na imaginação das pessoas.

BR E Leopoldina amava Pedro mesmo?

Clóvis Tudo indica que sim, mas o relacionamento foi tumultuado. Pouco antes de morrer, ela chegou a mandar tirar do palácio as coisas do marido, depois de um período de longa ausência dele. Existem indícios de que houve até uma briga física quando Leopoldina se recusou a participar de uma cerimônia na presença da amante do marido. Chegou a escrever para a família na Áustria sobre um incidente que qualificou de gravíssimo. Ela estava grávida e morreu pouco depois.

BR Você está terminando uma biografia sobre o padre Antônio Vieira, autor dos famosos Sermões, que nasceu há 400 anos. Como se comporta o escritor ao esbarrar nas lacunas da vida do personagem estudado? Você romanceia?

Clóvis Leopoldina é uma biografia romanceada, O livro sobre o Padre Antônio Vieira, que vai ser publicado pela editora José Olympio, é uma biografia mesmo. Quando as fontes não falam nada, eu digo isso claramente, explico que não sabemos o que aconteceu ou então que as informações são desencontradas. Eu também indico a qualidade da fonte. Algumas vezes, um autor tem um compromisso óbvio contra ou a favor do personagem. Felizmente, no caso do padre, nós temos 400 cartas publicadas, além dos Sermões, que ele mesmo redigiu, pois por incrível que pareça, as primeiras edições que apareceram foram piratas.

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Quarta-feira, 5 de Março de 2008

Quanto vale um parlamentar

A ONG Transparência Brasil, que acompanha bem de perto o funcionamento das casas legislativas do país, acaba de publicar a pesquisa Orçamentos do Poder Legislativo. No Rio, a Câmara Municipal vai custar, em 2008, o equivalente a R$ 48,97 por cada habitante da cidade. Na Assembléia Legislativa, o orçamento da casa daria a quantia de R$ 32,73 por cada morador do estado. Na Alerj, o naco do orçamento para cada mandato é da ordem, este ano, de R$ 7.210.451,79, mais do que o previsto para o mandato de um deputado federal (R$ 6.906.455,82). Na mesma Alerj, 43% dos nobres colegas andam às voltas com processos criminais ou foram punidos pelo Tribunal de Contas. Essas e muitas outras curiosidades, que ganham importância em ano de eleição, você encontra no site Excelências, mantido pela ONG.

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