Neste bloco não há rapazes fortes expondo peitorais cuidadosamente trabalhados em aparelhos de musculação. Ao som da bateria da Caprichosos de Pilares, os foliões -- funcionários e usuários do Instituto Nise da Silveira, no Engenho de Dentro -- deixam os muros do hospital psiquiátrico e fazem uma festa que movimenta todo o bairro e começa a atrair gente do resto da cidade. O Loucura Suburbana saiu ontem, no meio da tarde com o samba-enredo "Arquivos Contemporâneos que contam a história da saúde mental" e há quem descreva o desfile como poema em movimento, uma espécie de encenação ao vivo do samba
Vai passar, de Chico Buarque, aquele que fala de "uma ofegante epidemia" chamada carnaval. "É um exemplo emocionante de inclusão social", diz o economista Guilherme Studart, folião de carteirinha, que costuma sair em 50 blocos por ano. "Para mim é um dos grandes momentos do carnaval do Rio e o único bloco que me faz faltar ao trabalho".
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