Sexta-feira, 25 de Janeiro de 2008

Sobrevivente


Quem passa pelo edifício de cinco andares, fachada envidraçada, que abriga em seu térreo uma filial da Livraria da Travessa, na Avenida Rio Branco 46, geralmente ignora que está contemplando um dos raros sobreviventes da primeira leva de construções da antiga Avenida Central, obra-símbolo da reforma urbana realizada pelo prefeito Pereira Passos no início do século passado. O prédio em estilo eclético onde funciona a Superintendência do Iphan no Rio comemora 100 anos nesta segunda (28) com boas notícias. Para contradizer o dito popular que reza que santo de casa não faz milagre, o aniversariante vai passar por uma restauração em regra, inclusive da sua infraestrutura elétrica e hidráulica. Originalmente, a construção serviu para os escritórios da Companhia Docas de Santos e foi projetada pelo arquiteto Ramos de Azevedo, autor do Teatro Municipal de São Paulo.
A Avenida Central, a atual Rio Branco, foi inaugurada oficialmente em 15 de novembro de 1905, com trinta prédios prontos e 85 em andamento. Hoje em dia, são muito poucos os sobreviventes. Pertinho do Iphan, na esquina com a rua Visconde de Inhaúma fica o prédio do Banco Central. De resto, além do Clube Naval, na esquina com Almirante Barroso, sobraram as construções monumentais da área da Cinelândia como o Teatro Municipal, Museu Nacional de Belas Artes, Biblioteca Nacional e o atual Centro Cultural da Justiça Federal.
Quem se interessa pelo passado da Avenida encontra um texto interessantíssimo das historiadoras Beatriz Kushnir e Sandra Horta no site da Biblioteca Nacional. Lá também há um link para fotos das fachadas originais feitas por Marc Ferrez.

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Samba em Santa Teresa

Grito de Carnaval, reza a tradição, é o pontapé inicial para a folia. Na muy leal cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, os pontapés, para a alegria geral, são muitos. Já teve bloco no fim de semana passado, outros passarão neste fim de semana, e o rei Momo ainda nem recebeu do prefeito a chave da cidade. Com jeito de solenidade inaugural dos trabalhos momescos, o Bonde do Samba ganha sua quarta edição daqui a pouco. O projeto é o seguinte: a concentração começa às 16h, na estação dos bondinhos de Santa Teresa na Carioca. Às 18h, começam a subir os bondes, com entrada franca, carregados de bambas como Wilson Moreira, Delcio Carvalho, Walter Alfaiate, Noca da Portela e o mangueirense Nelson Sargento, homenageado deste ano. No Largo das Neves, em Santa Teresa, o cortejo vai encontrar os músicos da tradicional roda de samba do Candongueiro, em Niterói. Depois, todos seguem para o Largo do Guimarães, em frente ao Bar Sobrenatural, onde o grito de Carnaval será animado pela apresentação dos artistas sobre um palco-bonde. Simples assim. A farra foi criada e é coordenada pelo compositor Bandeira Brasil. Sejam bem-vindos.

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Quarta-feira, 23 de Janeiro de 2008

Carnaval para menores


O Gigantes da Lira, pioneiro bloco dedicado aos foliões mirins, faz este ano o seu décimo desfile. A farra acontece no sábado agora, dia 26, a partir das 17h, saindo da Rua General Glicério, em Laranjeiras. Para celebrar uma década de folia, os generais do bloco vão fazer um filme de curta-metragem de animação com desenhos das crianças que participam do cortejo. As instruções, para os interessados com até 12 anos de idade (?ou de espírito?, frisam os organizadores), são as seguintes:

- precisa ser em papel de formato A4 (sua mãe sabe como é);
- precisa ser bem colorido (fácil, né?);
- precisa da autorização do responsável para a gente usar seu desenho;
- precisa colocar seu nome, idade, endereço, email e telefone de contato;
- precisa mandar até o dia 28 de fevereiro.
Só isso. Mais informações no site Bairro das Laranjeiras. A propósito: a ilustração aí em cima foi um presente do mestre Ziraldo para enfeitar a versão 2008 da camisa do bloco.

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Terça-feira, 22 de Janeiro de 2008

Nossos comerciais

Sucesso na primeira edição, no ano passado, quando atraiu mais de 110 000 pessoas, o Espaço Cultural Veja Rio em Búzios segue firme até 5 de fevereiro. A programação traz sessões de cinema (gratuitas, na charmosa sala do charmoso Gran Cine Bardot), oficinas de arte, aulas de surfe, arvorismo, mostra de decoração e outras atividades, para visitantes de todas as idades. Confira a programação completa no site do Espaço.

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Segunda-feira, 21 de Janeiro de 2008

Réquiem

Lá pelo final dos anos 90, escrevi na coluna Para as Crianças, a respeito de uma peça em cartaz no Teatro Tablado, sobre a importância de se levar os filhos para assistir ao Gato de Botas, com Luiz Carlos Tourinho. Aquela remontagem do espetáculo que deu ao ator o troféu Mambembe em 1987 era uma contribuição para a educação dos pequenos. Ver Tourinho miando, dançando e jogando malícia fora com total desembaraço deveria fazer parte do currículo escolar, eu pensava. Era uma rara oportunidade de se observar um ator no auge da forma e criar parâmetros para definir a excelência das atuações no palco. Algo como ver Paulo Autran fazendo Shakespeare. O baixinho tinha carisma. Tanto que foi o primeiro ator a obter a permissão de Maria Clara Machado para encarnar Pluft, o fantasminha, papel que tradicionalmente, por sua delicadeza, era interpretado por atrizes. Na televisão, Tourinho raramente teve a oportunidade de mostrar tudo do que era capaz. Vai fazer uma falta danada no palco.

Luiz Carlos Tourinho, 43 anos, morreu hoje, às 7h, vítima de aneurisma cerebral

Paisagem carioca


Nascido em Campos, o escultor Modestino Kanto (1889-1967) estudou com Rodolfo Bernardelli na Escola Nacional de Belas Artes e, na França, com Paul Landowsky, o autor das mãos e da cabeça da estátua do Cristo Redentor. É obra de Kanto o monumento ao marechal Deodoro da Fonseca, inaugurado em 15 de novembro de 1937. Representação heróica da proclamação da República, a estátua eqüestre ergue-se a 23 metros de altura na Praça Marechal Deodoro, no Centro. E, da esquina da Rua Senador Dantas com a Rua do Passeio, protagoniza uma visão um tanto inusitada. O que faz o marechal no alto de uma árvore?

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Domingo, 20 de Janeiro de 2008

Abre-alas



Hoje é dia de São Sebastião, padroeiro do Rio de Janeiro. Nesta data, que muita gente boa confunde com o aniversário da cidade (fundada por Estácio de Sá em 1º de março de 1565, num sufoco danado, entre escaramuças com franceses e seus aliados índios tamoios), o Blog da Redação, de Veja Rio, pede passagem. Aqui, de agora em diante, aqueles nomes que aparecem assinando matérias ou encabeçando as colunas do roteiro da revista (Restaurantes, Comidinhas, Bares, Para Dançar, Exposições, Para as Crianças, Teatro, Concerto, Dança, Shows, Filmes, Especial e, ufa, Cinemas) vão aproveitar o novo front para conversar com o leitor mais de perto. Dicas quentes do roteiro, observações sobre o bom (ou mau) andamento do nosso dia-a-dia carioca, novidades de última hora e o que mais a turma da redação pensar alto vão ganhar espaço e comentários ? os nossos e os de vocês. Abraço!

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Música e literatura no Centro

Você conhece a livraria Folha Seca? Fica ali na Rua do Ouvidor, 37, num pedaço do Centro que lembra o Rio de outrora ? um cenário charmoso anterior ao furor urbanista civilizatório, mas necessário, que esmagou ruelas e cortiços com largas avenidas no começo do século passado. O original estabelecimento de Daniela Duarte e Rodrigo Ferrari oferece rica literatura sobre futebol, samba, religião e outros temas com altos teores de carioquice. E, volta e meia, abriga, em plena rua, uma adorável roda de samba. Em edição recente, a batucada atraiu até os noivos de um casamento que viria a se realizar ali do lado, na bela Igreja Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores, uma pérola construída em 1750 e reformada no século XIX. Vestidos a caráter, os pombinhos e seus padrinhos caíram no samba. Ao que interessa: a próxima roda acontece hoje, domingo, Dia de São Sebastião, a partir das 14h, com mote especial: comemora os dez anos da livraria e os quatro da mudança para a Rua do Ouvidor. Promete.

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Rio, Carnaval e Trânsito

Alô foliões, alô motoristas. Neste domingão vai ter muito bloco na rua. O Me Esquece, no Leblon, vai se concentrar a partir das 11h, em frente à boate Melt, antes de pegar a General San Martín, a Praça Atahualpa e a Delfim Moreira. Uma pororoca está prevista para Laranjeiras e adjacências, com os desfiles do Bagunça Meu Coreto, saindo da Praça São Salvador, e do Imprensa que Eu Gamo, do Mercadinho São José, ambos a partir das 15h. Paz e samba!

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