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Postado em 04/08/2015 por Redação | 33 comentários

20 coisas para entender o que é ser baiano

1. Sorria, você está na Bahia!

Acredite: a frase acima não é apenas um slogan para atrair turista! O sorriso faz parte do DNA do povo baiano, em geral muito hospitaleiro e que se esforça para deixar o outro sempre à vontade. Basta alguém pedir uma informação na rua e pronto: o baiano responde, o outro baiano estica a conversa e em poucos minutos eles já estão conversando como se fossem velhos conhecidos.

SALVADOR-ELEVADOR LACERDAvalter pontes

Baía de Todos-os-Santos e Elevador Lacerda: vista de cartão-postal (Foto: Valter Pontes)

2. Baianos gostam de levar “coisas” para benzer na Igreja do Bonfim

Carro, chave da casa, filho recém-nascido, objetos em gratidão à cura de uma doença… Levar de um tudo para benzer na Igreja do Nosso Senhor do Bonfim é uma tradição entre muitos soteropolitanos e também entre baianos que vivem em outras cidades.

Igreja Nosso Senhor do Bonfim (Foto: Max Haack/Prefeitura de Salvador)

Igreja Nosso Senhor do Bonfim (Foto: Max Haack/Prefeitura de Salvador)

 3. E também amarram a fitinha do Bonfim em tudo – principalmente no carro

Difícil encontrar um baiano que não carregue no braço ou em outro objeto pessoal uma fitinha do Bonfim. E se ele tiver carro, a chance da fitinha estar amarrada nele é muito grande. Em geral, as fitinhas são presas no retrovisor interno ou no câmbio do veículo como manda o ritual, com três nós e três pedidos.

Fitas do Senhor do Bonfim: três nós e três pedidos (Foto: Manu Dias/ GOVBA)

Fitas do Senhor do Bonfim: três nós e três pedidos (Foto: Manu Dias/ GOVBA)

4. Sexta-feira é dia de vestir branco

Por superstição ou crença, muitos baianos usam roupas brancas no último dia útil da semana. O costume vem do candomblé, mas faz parte da rotina de pessoas de diferentes religiões e é passado de geração a geração. É um gesto simbólico para pedir paz e agradecer a todas as bênçãos da semana.

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5. Baiano não vive na rede

Claro que se possível fosse, ninguém dispensaria a moleza. Mas aquela história de que baiano fica na rede o ano inteiro e levanta só para pular Carnaval é pura lenda. Como em todas as regiões do país, a maior parte dos baianos trabalha (e muito) o ano inteiro. E, surpresa: quando chega o Carnaval, não são poucos os soteropolitanos que deixam sua terra natal para o turista e aproveitam o feriadão para “pular” fora da cidade.

Carnaval 2015: foliões curtindo ao som da Banda Cheiro de Amor (Foto: Tatiana Azeviche/Setur)

6. A Festa de São João é praticamente outro Carnaval

Baianos aguardam ansiosamente pela época de São João, no mês de junho, quando o estado inteiro vira uma grande festa. O clima na capital é sentido na decoração, nos shows e nas comidinhas típicas da época, como cuscuz, milho, amendoim cozido, bolo de carimã, bolo de aipim e licores de todos os sabores. Porém, na semana do dia 24 de junho (o dia de São João propriamente dito) muitos moradores vão para as festas no interior, em cidades como Serrinha, Amargosa, Senhor do Bonfim, Santo Antônio de Jesus e Cruz das Almas.

Festa de São João, no Pelourinho: mês de junho animado (Foto: Amanda Oliveira/GOVBA)

Festa de São João, no Pelourinho: mês de junho animado (Foto: Amanda Oliveira/GOVBA)

 7. Que Fla-Flu, que Gre-Nal… Em Salvador, clássico mesmo é Ba-Vi

A rivalidade entre os torcedores do Bahia e do Vitória vem desde a década de 1930 e o clima de disputa e as gozações agitam toda a capital em semana de clássico. Além de ir ao estádio, os torcedores lotam os bares da cidade.

Ba-Vi na inauguração da Arena Fonte Nova, em 2013: Vitória fez a festa com o 5 x 1 (Foto: André Fofano)

Ba-Vi na inauguração da Arena Fonte Nova, em 2013: Vitória fez a festa com o 5 x 1 (Foto: André Fofano)

Quando o assunto é comida…

8. Tem atum que não é peixe

O pescado é utilizado na cozinha de Salvador, mas também se chama atum um delicioso doce de banana coberto de açúcar.

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9. Roupa velha não é só um vestuário fora de combate

É também um prato muito comum às segundas-feiras ou, em outras palavras, o famoso “restôdonté”: depois de desfiadas, as sobras de carnes da feijoada tradicionalmente servida aos domingos são refogadas na frigideira com temperos e azeite de dendê. A “roupa velha” vai à mesa com farinha ou arroz.

10. Moqueca é diferente de ensopado

Apesar do modo de preparo parecido, há diferenças: a moqueca, além do leite de coco, leva ainda azeite de dendê, o que resulta em um prato mais saboroso e também mais calórico.

Moqueca da Casa de Tereza: endereço premiado por Veja Comer & Beber (Foto: Ligia Skowronski)

11. Azeite doce nada mais é…

Do que o azeite de oliva. Fala-se assim para diferencia-lo do azeite de dendê.

12. Comer queimado

Não quer dizer que a comida passou do ponto. Na Bahia, queimado é também usado para bala ou bombom.

13. Tem chumbinho na panela

E não é de veneno que estamos falando. Na Bahia, também chama chumbinho um tipo de marisco fácil de encontrar nos manguezais do Recôncavo, muito usado nas moquecas. Ele também pode ser chamado de papa-fumo, burdigão, fuminha, fumo-de-rolo, samanguiá, vôngole, sarnambi…

14. A frigideira é de comer

Além de utensílio, a frigideira é uma receita feita a base de ovos, temperos e, eventualmente, batatas. Quando pronta, ela se parece muito com uma torta de forno e pode levar no recheio ingredientes como siri catado, camarão ou bacalhau.

15. Baiano que é baiano, ama pão delícia…

Esse pãozinho está para os baianos assim como o pão de queijo está para os mineiros. É vendido em lanchonetes, padarias e supermercados e costuma aparecer até em festas de casamento. A massa leve, fofinha e polvilhada de queijo parmesão pode ainda ser recheada de catupiry (é a versão mais comum), cheddar, atum, patê de peito de peru…

O pão delícia da Pãozinho do Céu: loja fica no Rio Vermelho (Foto: Ligia Skowornski)

16. …Não abre mão de tomar um picolé Capelinha na praia

O famoso picolé surgiu na década de 1970, na Capelinha de São Caetano, e logo virou febre nos verões da capital. Atualmente, há muitos genéricos dele pelas praias, mas o original vem com o nome carimbado no palito – ou seja, é preciso tomar o picolé para descobrir!

17. … E tem um acarajé para chamar de seu

A maioria dos baianos tem o seu acarajé preferido sim, mas eles não são necessariamente os famosos bolinhos vendidos nos tabuleiros da Dinha ou da Cira, cuja fama extrapolou os limites soteropolitanos. O melhor acarajé de um baiano pode estar ali, pertinho de sua casa ou do seu trabalho e tentar chegar a um consenso sobre o tema é pura perda de tempo.

Acarajé: o quitute mais famoso das ruas de Salvador (Foto: Leo Feltran)

Acarajé: o quitute mais famoso das ruas de Salvador (Foto: Leo Feltran)

18. Quente ou frio?

Agora se tem coisa que faz um baiano rir com vontade é ver um turista passando apuros por causa do excesso de pimenta no acarajé. Todo mundo sabe, mas não custa repetir: quando uma baiana pergunta “quente ou frio”, ela não está se referindo à temperatura do bolinho, mas à quantidade de pimenta que ela deve colocar. Quem responde “quente” deve estar preparado, pois elas não costumam economizar.

19. Ainda ao redor do tabuleiro…

Não pense bobagem se ouvir alguém dizer “punheta”. A palavra também é usada para designar o bolinho de estudante (quitute doce à base de tapioca e coco), como sentenciou Jorge Amado em O Sumiço da Santa: “E tu não sabe menina? Olha que tu sabe muito bem, o nome é punheta, bolinho de estudante é pronúncia de besta!”.

Bolinho de estudante: de tapioca e coco (Foto: Mauro de Holanda)

20. E ainda têm as gírias…

Baiano não bebe muita cerveja ou outra bebida alcoólica. Come água.

Baiano não pega ônibus. Pega o buzu.

Baiano não foge da chuva. Foge do toró.

Baiano não fica chateado. Fica virado no estopo ou retado.

Baiano não diz “evite isso/aquilo/aquele lugar, é perigoso”. Diz “não vá que é barril”.

Baiano não vai para um banquete. Vai para um regabofe.

Baiano não vai para a festa. Vai para um reggae, independente do estilo musical da festa.

Baiano não chama para ir embora. Diz “borimbora”.

Baiano não diz que não vai. Diz “quem vai é o coelho!”

Baiano não diz “duvido”. Diz “eu quero é prova e R$ 1,00 de big-big”. 

Baiano não vai jogar futebol. Vai pegar um baba.

Baiano não fala “de modo nenhum”. Diz “quem é doido?!” ou “aooonde!”.

Baiano não diz “Meu aniversário é daqui a sete dias”. Diz “meu aniversário é de hoje a oito”.

Baiano não diz “fiquei três horas esperando”. Diz “fiquei três horas de relógio esperando”.

Baiano diz “ôxe” a toda hora. Ôoooxe… E quem disse que baiano fala ôxe?

Por Joana Maltez, para Veja Salvador

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Comentários sobre "20 coisas para entender o que é ser baiano"

  1. Gabrielle comentou em 05/08/2015:

    Adoreiiiiiii a reportagem …

  2. Nanci comentou em 05/08/2015:

    Adorei!!!
    Me senti de volta a Bahia. Ô saudade :)
    Os amigos entenderão como é lindo ser baiana :)

  3. Telma comentou em 05/08/2015:

    A reportagem está “Massa” eu sou paulistana e precisei de um bom tempo vivendo na Bahia para decifrar o (Baianês)

  4. Adriane Virgilio comentou em 06/08/2015:

    Adorei o post, mas tenho 2 considerações, como baiana de Salvador:
    Ninguém chama mais bolinho de estudante de “punheta” quando pede a iguaria no tabuleiro da baiana de acarajé.
    As baianas usam sim muita pimenta, mas não perguntam “quente” ou “frio” e sim “com pimenta” ou “sem pimenta”?
    De resto me reconheci muito!

  5. Nil Flinn comentou em 06/08/2015:

    Totally!
    Saudades
    Sempre baihana na alma and coracao!

  6. Lorena comentou em 06/08/2015:

    Muito legal a reportagem! Mas vale ressaltar que muitos costumes descritos são mais especificos de Salvador, então um nome mais apropriado seria “20 coisas para entender o que é ser soteropolitano.”
    A Bahia é um estado muito grande e com costumes variados também, às vezes é melhor evitar uma generalização. ;)

  7. BYRON comentou em 06/08/2015:

    Muito legal. Entretanto, tem coisas que são ditas em Salvador e Recôncavo. Em outras áreas, não. Exemplo? Queimado para bala. O pão delícia é realmente uma delícia, mas no Sudoeste do estado se colocarmos à mesa o pão delícia e um chimango, certamente vamos preferir o segundo.

  8. Érica Maria comentou em 06/08/2015:

    Linda essa reportagem! Enquanto lia me sentia na Bahia!!

  9. Nana comentou em 06/08/2015:

    Tá jóia, mas é “bater um Baba” e não “pegar um Baba”

  10. antônio di tullio comentou em 06/08/2015:

    Porreta…é culhuda=mentira se o estado de ser nosso não for assim, na maresia… subindo e descendo a colina do Bonfim.

  11. Natália comentou em 06/08/2015:

    A reportagem é boa, porém com alguns erros, só quem é baiano/soteropolitano que sabe quais são as 20 coisas para entender! 1- nem todo baiano vai ao senhor do Bonfim e muito menos amarram fitinhas em todos os lugares; 2- Hoje em dia bolinho de estudante é bolinho de estudante, ou seja, não é fácil de ouvir punheta perto do tabuleiro, e por aí vai…

  12. Felipe comentou em 06/08/2015:

    Ainda hoje falei “comer água” com meus amigos cariocas e ninguém entendeu! E Agora me deparo com esse texto! Sensacional, saudade da Bahia, aí o céu é mais azul!

  13. Ione Câmara comentou em 06/08/2015:

    As observações feitas nos comentários são todas pertinentes. Mas, como baiana, eu diria a todos que “estão se pegando com besteiras”! Rsss! Traduzindo: se prendendo detalhes.
    Brincadeirinha…

  14. Andrea comentou em 07/08/2015:

    menina, essa história de quente/frio é fábula de quem nunca foi na Bahia.. 10 anos morando no estado e nunca vi nenhuma baiana falar isso.. Em Alagoas e em Pernambuco que o pessoal usa isso de pedir “quente”..

  15. Lorena comentou em 07/08/2015:

    Estava concordando com tudo até chegar na 18 e ter que discordar totalmente e perceber que essa matéria não foi escrita por um baiano provavelmente. É uma verdadeira lenda a invenção das pessoas de fora da Bahia dizerem que quando você pede um acarajé quente significa que ele esteja com pimenta. Isso não existe na Bahia minha gente!!!!! Acarajé quente ou frio se refere a temperatura, ok?

  16. Auxiliadora comentou em 07/08/2015:

    muito distraído sou baiana de Amargosa não citada como a melhor cidade das festas de São João , mas tudo bem , lembrei apenas , moro há mais de 50 anos em Salvador . Sou também soteropolitana de coração . Amei a reportagem . Não casa a leitura . Coisas que não conhecia a idade e a vida de muito trabalho não me ofereceram esse tempo .

  17. geusiane comentou em 07/08/2015:

    Só faltou o “Ó PAI Ó”
    Rsrs

  18. heliane comentou em 07/08/2015:

    AH!!!!!!!!!!minha Bahia terra do Nosso Senhor do Bonfim com suas magias e encantos.saudades…..Hoje è sexta -feira dia de descer um “LOURA”.Ok! meu Broder!

  19. suzana comentou em 07/08/2015:

    Tudo certinho……Não tem nada de “algumas coisa de ssa”
    a essência a linguagem, são idênticas cm todos.
    sou paulistana mas, não saio da BA
    já visitei cada cantinho…..adoro meus queridos amigos baianos.
    essa diferença que alguns encontraram só existe na cabeça de vcs, para aqui debaixo, vcs são igualzinho.

  20. Manuela comentou em 07/08/2015:

    Não existe essa pergunta de quente ou frio, outra lenda.

  21. Euzis comentou em 07/08/2015:

    Me deu uma saudade arretada de minha terrinha! 16 anos fora dela, morando em São Paulo. Faltou o tradicional Pão Cacetinho, que é conhecido só em Salvador que aqui é pão francês.
    Abraços!

  22. » Dia da Cerveja: selecionamos quinze lugares para comemorar nesta sexta (7) – Quentinhas comentou em 07/08/2015:

    […] + 20 coisas para entender o que é ser baiano […]

  23. jari comentou em 08/08/2015:

    Sou baiana de acarajé,filha ,neta e bisneta de baiana de acarajé. ..conheço dezenas de baianas e baianos que vendem tb…e nunca ouvi nenhum deles perguntar ao cliente “quer quente ou frio”.Isso é uma grande mentira , uma piada que tomou rumos de verdade.

  24. Emilia comentou em 09/08/2015:

    Muito massa a reportagem!

  25. ERIVALDO comentou em 09/08/2015:

    Legal as observações, mas muitas coisas são lendas e uma forma de gozação com esse povo maravilhoso,comunicativo, atencioso ,dado e cheio de amor para dar, Bahia é Bahia, quem vem a essa terra núnca esquece,pois a pimenta é gostosa e alegria desse povo é contagiante!!!

  26. » 21 cervejas que valem a pena experimentar – Quentinhas comentou em 14/08/2015:

    […] + 15 coisas para entender o Recife e os recifenses + 20 coisas para entender o que é ser baiano […]

  27. Albérico Teixeira Filho comentou em 17/08/2015:

    Tudo estava indo bem até entrar aquela “Estória” do Acarajé Quente e Acarajé Frio…Nunca na história da Bahia isso existiu,,,Às Baianas aceitam com condescendência quando um turista vem com esse pedido criado no imaginário de alhures…
    Acarajé quente é acarajé recém saído da fritura…Acarajé com pimenta é assim que pedimos quando queremos esse condimento…

  28. Carine Bomfim comentou em 18/08/2015:

    Fora o quente e frio da pimenta, todo o resto representa muito bem o que é um pouquinho da Bahia!!!
    Parabéns!

  29. HIldete Monte Verde comentou em 19/08/2015:

    Muito boa a matéria…
    Parabéns!

  30. Havila comentou em 19/08/2015:

    Chimango? Nunca ouvi chamarem avoador de chimango em lugar nenhum da Bahia.

  31. jazcard comentou em 20/08/2015:

    Acho que faltaram: ” De hoje a oito”. ” De hoje a quinze” e ” pegar Picula”

  32. » Catorze destinos gastronômicos com vistas de babar – Quentinhas comentou em 11/09/2015:

    […] Os campeões de VEJA Comer & Beber Salvador + Vinte coisas para entender o que é ser baiano + Vinte doces incríveis com […]

  33. » Treze pizzas que você nem imaginava que existiam – Quentinhas comentou em 25/09/2015:

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