Em memória de Jacky Ueda
quarta-feira, 4 de novembro de 2009Acabei de receber a notícia: Jacky Ueda, do Azumi, faleceu ontem aos 58 anos. Foi limpar a caixa d’água do seu sítio, em Niterói, no domingo, e acabou caindo da escada. Teve politraumatismo e não resistiu. O velório será amanhã a partir das 10 horas no Memorial do Carmo e terá duração de 24 horas para que seu filho chegue do Japão.

Jacky era uma figura ímpar. A princípio, bem mal humorado, de pouquíssimas palavras. Foi uma questão de tempo até conquistar sua confiança, o que só aconteceu no dia em que acompanhei a fotógrafa Selmy Yassuda, sua cliente fiel, num jantar que durou quatro horas ou mais. Acho que ele nunca soube meu nome, mas depois disso, passou ao menos a responder (algumas) de minhas perguntas. Sentada no balcão que ele comandava, aprendi a gostar de ostras grelhadas, me esbaldei inúmeras vezes com sucessivas porções de língua de boi grelhada. Provei shishito, algo parecido com um pimentão, e fígado de tamboril pela primeira vez. E comi uma infinidades de coisinhas que ele preparava para outros clientes e deixava uma provinha na minha frente. Não faço ideia do que eram. Ele só dizia: “é bom, você vai gostar”. E mais nada. Passei momentos deliciosos ali. Obrigada, Jacky.

