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Em memória de Jacky Ueda

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Acabei de receber a notícia: Jacky Ueda, do Azumi, faleceu ontem aos 58 anos. Foi limpar a caixa d’água do seu sítio, em Niterói, no domingo, e acabou caindo da escada. Teve politraumatismo e não resistiu. O velório será amanhã a partir das 10 horas no Memorial do Carmo e terá duração de 24 horas para que seu filho chegue do Japão.

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Jacky era uma figura ímpar. A princípio, bem mal humorado, de pouquíssimas palavras. Foi uma questão de tempo até conquistar sua confiança, o que só aconteceu no dia em que acompanhei a fotógrafa Selmy Yassuda, sua cliente fiel, num jantar que durou quatro horas ou mais. Acho que ele nunca soube meu nome, mas depois disso, passou ao menos a responder (algumas) de minhas perguntas. Sentada no balcão que ele comandava, aprendi a gostar de ostras grelhadas, me esbaldei inúmeras vezes com sucessivas porções de língua de boi grelhada. Provei shishito, algo parecido com um pimentão, e fígado de tamboril pela primeira vez. E comi uma infinidades de coisinhas que ele preparava para outros clientes e deixava uma provinha na minha frente. Não faço ideia do que eram. Ele só dizia: “é bom, você vai gostar”. E mais nada. Passei momentos deliciosos ali. Obrigada, Jacky.

Vai um cafezinho?

domingo, 11 de janeiro de 2009

Experimentei minha primeira xícara de café jacu. Confesso que não fiquei tão indiferente ao fato de estar tomando uma bebida preparada com grãos que já passaram pelo sistema digestivo de um animal e saíram junto com suas fezes, mas fui em frente. E não é que me surpreendi. Primeiro com o aroma dos grãos, delicados, frutados. Depois, com o sabor: é leve mas ao mesmo tempo persiste na boca mostrando uma ligeira acidez. Para conseguir traçar um paralelo, preparei uma xícara do café que rola lá em casa toda manhã. Quanta diferença!

O negócio é ideia do carioca Henrique Sloper, que conheceu o kopi luwak (feito com os grãos defecados pelo luwak, um mamífero conhecido como gato de algalha) enquanto viajava pela Indonésia para surfar. Ele resolveu testar a técnica na sua própria fazenda, localizada no Espírito Santo, no início de 2006, depois de uma invasão de jacus (o pássaro que está na foto aí de cima). Deu certo. A produção, equivalente a 1% de todo café produzido na Fazenda Camocim, chamou atenção de cafeterias gourmet pelo mundo, que compram tudo o que estiver disponível. Só no final de 2008 é que Sloper começou a comercializar parte desta produção por aqui. Quem tiver interesse encontra o grão e o pó na cafeteria Grão em Grão (Avenida Nossa Senhora de Copacabana, 766, tel. 2255-5611), em embalagens de 250 gramas a R$ 70,00.