Com apenas 23 anos, o jovem Thiago Castanho, do Remanso do Peixe, abocanha pela primeira vez o prêmio de chef do ano. Na inédita escolha do melhor pato no tucupi, o tradicional Lá em Casa levou o título. Já o Sushi Ruy Barbosa, recém-inaugurado, conquista o júri na disputa de melhor oriental. E o Brasileirinho ficou na frente entre as casas de cozinha brasileira. Estas são apenas algumas das revelações trazidas pela criteriosa lista de 127 endereços.
Entre uma e outra barraca do centenário mercado Ver-o-Peso, o jovem Thiago Castanho, de 23 anos, costuma circular por uma seção pouco explorada gastronomicamente: a das chamadas “mandingas”. Com ajuda de pesquisadores da Embrapa, ele descobriu que ervas e especiarias amazônicas de propriedades variadas, entre elas cosméticas e medicinais, poderiam ser empregadas em suas receitas. Para testar as novas criações, montou uma cozinha-laboratório no piso térreo do Remanso do Peixe, restaurante inaugurado por seus pais em 2001 e à frente do qual conquista seu primeiro título de chef do ano. Foi lá, por exemplo, que surgiu o creme brûlé de banana aromatizado de amburana e coberto com suspiro de cumaru (R$ 10,00), dois produtos comumente empregados na fórmula de loções e perfumes. A base teórica para o desenvolvimento dessas pesquisas foi adquirida no curso de gastronomia do Senac Campos do Jordão, onde se formou em 2007. Na sequência, passou uma temporada de seis meses no restaurante Terreiro do Paço, de Vítor Sobral, em Lisboa. “Ganhei agilidade e aprendi a liderar uma cozinha”, diz. De volta ao estabelecimento da família, trabalhou em cima de receitas criadas pelo pai, Francisco dos Santos. Um delas é a moqueca paraense, que traz uma posta de filhote em caldo de tucupi e jambu com mix de pimentões, tomate e camarão-rosa, ao lado de uma porção de arroz (R$ 79,00). Inquieto, Thiago divide seu tempo com as obras de um novo restaurante, o Remanso do Bosque, atrás do Jardim Botânico, com inauguração prevista para a segunda quinzena de julho.
Publicitário de formação, o chef e proprietário Alexandre Barros largou uma carreira já consolidada para cursar gastronomia na unidade paulistana do Senac, em 2006. Montou, no ano seguinte, o restaurante que privilegia pratos de diferentes regiões brasileiras, em especial a paraense. Com o objetivo de se assegurar do frescor e da qualidade dos ingredientes, ele vai todos os dias ao mercado Ver-o-Peso, onde compra peixes, ervas e frutas regionais. Num charmoso imóvel de dois pavimentos, decorado com gravuras que retratam músicos brasileiros como Cartola, Gilberto Gil e Noel Rosa, Barros prepara criações a exemplo do sushi de pato no tucupi empanado com farinha de Bragança (R$ 23,90, doze unidades), opção de entrada. Na sequência, ele sugere o peixe em crosta da mesma farinha, servido ao lado de risoto de tucupi com jambu e purê de batata mais lascas de pirarucu (R$ 62,90, para duas pessoas). Quem prefere carne pode provar a costela bovina, que descansa na brasa por doze horas antes de ir à mesa (R$ 54,90, para duas pessoas) e harmoniza com o tinto chileno Terranoble Cabernet Sauvignon 2009 (R$ 34,90). A tortinha com massa de castanha-do-pará, no final, vem coberta de doce quente de cupuaçu e uma bola de sorvete de tapioca (R$ 14,90).
Travessa 14 de Abril, 1880, entre a Rua dos Mundurucus e a Rua dos Pariquis, São Braz,
3229-2642 (100 lugares). 11h45/16h (sex. e sáb. também jantar 19h/23h). Cc: A, D, M e V. Cd: M, R e V.
Manobr. Ar. www.restaurantebrasileirinho.com.br. Aberto em 2007. $$
A churrascaria heptacampeã da categoria ganhou um reforço e tanto em 2011. Inaugurada em janeiro, a primeira filial da marca trabalha com sistema de rodízio e reúne 23 cortes importados da Argentina e do Uruguai, a exemplo de baby beef, chorizo, maminha e picanha (R$ 52,90 de segunda a sexta e R$ 61,90 aos sábados, domingos e feriados). O valor dá direito a um farto balcão de acepipes, além de saladas e pratos quentes. Na loja matriz, as carnes, temperadas apenas com sal grosso, são assadas em uma ampla churrasqueira de inox, com 10 metros de comprimento. É lá que repousam o tenro t-bone, em peça de 500 gramas (R$ 48,31), o master prime, o contrafilé de 450 gramas (R$ 46,10), e o french rack de cordeiro (R$ 55,57). Todos eles chegam com duas guarnições à escolha do cliente, entre onze disponíveis, como arroz de carreteiro, batata assada na brasa, feijão-tropeiro e banana frita. Na carta de bebidas, faz sucesso o chope Nova Schin (R$ 3,80). O cardápio de sobremesas tem musse de chocolate (R$ 8,39) e torta alemã (R$ 10,90).
Rua Bernal do Couto, 260, esquina com a Travessa Almirante Wandenkolk, Umarizal,
3224-3343 (300 lugares). 11h30/17h e 18h30/0h (sex. a dom. sem intervalo; fecha seg.). Cc: A, D, M e V. Cd: M, R e V. Ar.
; Avenida Pedro Álvares Cabral, 307, próximo à Travessa Almirante Wandenkolk, Umarizal,
3224-2650 (250 lugares). 11h30/16h (fecha seg.). Cc: A, D, M e V. Cd: M, R e V. E Ar.
www.picanhaecia.com.br. Aberto em 1999. $$
Prestes a completar vinte anos em atividade, o endereço comandado pela chef Ângela Sbrama segue à risca a cartilha cantineira, com mesinhas de madeira cobertas por toalhas quadriculadas e uma vistosa mesa de antepastos composta por cerca de cinquenta itens, entre eles queijos brie, gouda e gruyère, aliche, presunto cru e sardela (R$ 10,00 cada 100 gramas). O cardápio agrupa massas de produção artesanal, a exemplo do fettuccine mediterrâneo, o preferido da cozinheira, que traz camarão, lula, polvo e vôngole combinados a molho de tomate e alcaparras (R$ 46,00). A receita de camarão que leva o nome da casa traz o crustáceo puxado na manteiga com cebola e creme de leite ao lado de uma porção de talharim (R$ 42,00, para duas pessoas). Campeão de pedidos, o paillard de filé-mignon sobre fettuccine ao molho branco custa R$ 41,00. Da carta de vinhos, com apoximadamente sessenta rótulos, destacam-se duas sugestões: o tinto italiano Chianti Gentilesco Bonacchi 2009 (R$ 67,00) e o argentino Tilia Merlot 2008 (R$ 65,00). Servido quentinho, o bolo sublime, para a sobremesa, tem massa de chocolate e recheio de doce de leite (R$ 8,00).
Avenida Visconde de Souza Franco, 1454, entre a Avenida Governador José Malcher e a Rua João Balbi, Nazaré,
3241-3337 (230 lugares). 12h/15h30 e 18h/0h (sex. e sáb. até 1h; fecha seg.). Cc: A, D, M e V. Cd: M, R e V. Ar.
; Avenida Almirante Barroso, 4730, esquina com a Avenida Tavares Bastos, Souza,
3231-2525 (16 lugares). 18h/23h (dom. e feriado almoço 11h30/15h30 e jantar a partir das 17h; fecha seg.). Cc: A, D, M e V. Cd: M, R e V. Ar.
Aberto em 1992. $$
Boa novidade no cenário gastronômico da capital, a casa conquista o júri e alcança o topo do pódio antes mesmo de completar um ano em funcionamento. O único ambiente, envidraçado e rodeado por plantas, tem paredes em tons terrosos e um aconchegante sofá lilás. No centro, destaca-se um balcão de bebidas montado com madeira envelhecida, onde o barman Fábio César prepara drinques a exemplo do pink blue, combinação de vodca Absolut de açaí, pitaia e espumante (R$ 13,00), e da caipirinha de jambu com lima-da-pérsia (R$ 17,00). O cardápio traz receitas tradicionais japonesas em uma roupagem moderninha, com utilização de ingredientes regionais. Leva a assinatura de Tom Yoshino, graduado em gastronomia pelo Senac Águas de São Pedro, que acumula passagens pelos restaurantes cariocas Shin Miuri e Hara Sushi, ambos da grife do estrelado chef Nao Hara. Uma de suas sugestões é o niguiri de agulhão incrementado com azeite de trufas brancas, raspas de limão-siciliano e flor de sal (R$ 15,00 a porção com duas unidades). O gunkan de atum vem com castanha-do-pará, mel de gengibre e molho teriyaki (R$ 10,00, duas unidades). Servida em dois tempos, a degustação de ovas vem sobre quatro peças frias e outras quatro quentes, entre elas gunkan de kiwi com ovas de capelim, lichia recheada de ovas de salmão e folha de arroz crocante com mix de ovas (R$ 66,00). Antes de cada refeição, Tom prepara uma sugestão diária de couvert, como o croquete de salmão com molho de tucupi (R$ 5,50 por pessoa). À noite, o DJ Edinho Chagas comanda os pick-ups.
Travessa Rui Barbosa, 1918, entre a Avenida Conselheiro Furtado e a Rua dos Mundurucus, Batista Campos,
3223-4497 (70 lugares). 12h/2h. Cc: A, D, M e V. Cd: M, R e V. Ar. Aberto em 2010. $$$
Considerado o maior propagador da gastronomia paraense, o chef Paulo Martins estava há três anos afastado de seu restaurante quando morreu, em setembro de 2010. Desde que ficou doente, o comando das caçarolas e o rigor no preparo das receitas foi assegurado por Daniela Martins, uma de suas filhas. “Devo tudo o que sei ao meu pai”, credita a chef. Prova desse cuidado é a permanência da casa, ano após ano, entre as melhores cozinhas da capital. O reconhecimento, nesta edição, se deve à boa execução de um dos pratos mais tradicionais da culinária local – o pato no tucupi. Toda semana, Daniela investe em cerca de vinte unidades da ave, trazidas sempre de Santa Catarina. As peças são cozidas a vácuo, numa cozinha industrial, junto a um caldo que mistura alho, sal, cachaça, alfavaca, chicória e tucupi. Na sequência, elas vão ao forno e partem para a mesa na companhia de arroz, farinha-d’água e jambu (R$ 43,00). Às quintas-feiras, o prato aparece no bufê montado no almoço (R$ 36,00 de segunda a sábado e R$ 40,00 no domingo). A long neck da cerveja Cerpa (R$ 4,50) é a sugestão para escoltar o prato. O mix paraense, em seguida, traz pequenas amostras de doce de cupuaçu, creme de bacuri e açaí com farinha d’água e farinha de tapioca (R$ 14,00).
Estação das Docas, galpão 2, Campina,
3212-5588 (230 lugares). 12h/0h (sex. e sáb. até 2h). Cc: A, D, M e V. Cd: M, R e V. E Ar.
www.laemcasa.com. Aberto em 1972. $$
Ex-comissária de bordo, a paulistana Simone Morelli abriu a pizzaria em 1996, no distrito de Icoaraci, a cerca de 30 quilômetros da capital. Por anos, atraiu turistas e moradores da capital em busca de redondas que combinavam receitas tradicionais italianas a ingredientes regionais. Em janeiro deste ano, levou o estabelecimento para um ponto fixo em Belém, onde funcionava em sistema de entrega desde 2006. Uma equipe formada por cinco pizzaiolos assa os cerca de cinquenta sabores listados no cardápio, entre doces e salgados. A chamada alla boscaiola, com ingredientes trazidos do Mercado Municipal de São Paulo, vem coberta de funghi secchi ao molho de manjericão e castanha-do-pará, mussarela, parmesão, azeitona preta e orégano (R$ 39,00). A versão de camarão-rosa no tucupi com jambu e azeitona preta custa R$ 33,00. Servida apenas de junho a dezembro, a pizza do brasil combina mussarela, pirarucu defumado, cebola confitada, camarão, azeitona preta, jambu, tucupi e aviú (R$ 39,00). Esta última versão ficou em 8º lugar na terceira edição da Copa Brasileira de Pizzarias, em 2009, da qual participaram mais de 300 estabelecimentos do país inteiro. Os rótulos listados na carta de vinhos oscilam de R$ 25,00 a R$ 280,00. De custo médio, o tinto francês Arrogant Frog Croak Rotie Syrah-Viognier 2009 sai por R$ 61,20. A torta de maçã, assada no forno a lenha, vai à mesa ao lado de uma bola de sorvete de creme (R$ 11,00). Às sextas e aos sábados, as refeições são embaladas por apresentações de jazz.
Travessa Benjamim Constant, 1535, entre a Avenida Comandante Brás de Aguiar e a Avenida Gentil Bittencourt, Nazaré,
3242-4141 (120 lugares). 17h/23h (dom. também almoço 11h30/15h). Cc: A, D, M e V. Cd: M, R e V. Ar.
Aberto em 2011. $$
Complexo turístico Mangal das Garças se espalha por uma área verde de 40 000 metros quadrados e é, por si só, uma atração. Um passeio pelo parque pode ser coroado com uma ótima refeição. Instalado em um requintado salão de madeira todo envidraçado suspenso por troncos de ipê e com teto de palha, o restaurante margeia a Baía do Guajará. Enquanto aguardam os pedidos, os clientes curtem a vista do mirante repousado sobre o rio. Na área interna, embalada por MPB e jazz instrumental, destaca-se uma instalação do artista plástico belenense Acácio Sobral. Lá, o chef Adilson Fonseca monta, no almoço, um bufê composto por pratos tradicionais da cozinha paraense, a exemplo do pirarucu coberto de castanha-do-pará (R$ 45,00 por pessoa). À noite, brilham as criações do chef Allan Renato, que já trabalhou no restaurante paulistano Spot. Sugestão de entrada, o rolinho primavera de camarão com jambu e maionese de ervas paraenses custa R$ 22,00. A pescada, na sequência, chega sobre nhoque de pupunha e coulis de beterraba ao pesto (R$ 44,00). O petit gâteau, em roupagem local, traz um bolinho quente de bacuri com calda de vinagreira e uma bola de sorvete de amêndoas (R$ 15,50). Na adega climatizada figuram rótulos como o tinto argentino Catena Malbec 2005 (R$ 87,00).
Praça Carneiro Rocha, s/nº, Parque Ecológico Mangal das Garças, Cidade Velha,
3242-1542 (200 lugares). 12h/1h30 (dom. até 16h; fecha seg.). Cc: A, D, M e V. Cd: M, R e V. Couvert: R$ 12,00. E Ar.
www.manjardasgarcas.com.br. Aberto em 2005. $$$
No amplo salão de pé-direito alto, encravado na movimentada Avenida Generalíssimo Deodoro, a clientela é atraída pelo tempero caseiro que marca as receitas de Wânia Martins. Em parceria com o marido e os filhos, a chef comanda uma central de produção responsável pela distribuição da matéria-prima empregada em todos os restaurantes do grupo. No bufê montado no almoço aparecem vinte opções de salada e 25 sugestões de pratos quentes, a exemplo de bacalhau grelhado no azeite com alho confitado, filhote em crosta de castanha-do-pará, pernil de cordeiro ao molho de mel e mostarda, camarão na manteiga de ervas e risoto de tomate seco. Aos sábados, tem vez a feijoada completa e, aos domingos, aparecem receitas regionais como pato no tucupi, maniçoba e vatapá. O quilo custa R$ 44,00 de segunda a sábado e R$ 46,00 aos domingos. O cardápio de sobremesas contempla doces locais, entre eles torta de goiabada com queijo cuia e pavê de cupuaçu, ambos vendidos a R$ 6,00. Sucos de graviola, murici e taperebá saem por R$ 3,00. As long necks de Antarctica, Bohemia, Cerpa e Skol Beats custam R$ 4,00..
Avenida Generalíssimo Deodoro, 1513, entre a Avenida Nazaré e a Avenida Gentil Bittencourt, Nazaré,
3202-9800 (180 lugares).11h30/15h30. Cc: A, M e V. Cd: M, R e V. Ar.; Avenida Governador José Malcher, 2388, Terraço Yamada Plaza, São Brás,
3226-1188 e 8418-0029 (200 lugares). 11h/23h. Cc: A, D, M e V. Cd: M, R e V. E Ar.
www.pommedor.com.br. Aberto em 1996. $
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